Filme Antártida abre Festival de Gramado com Marina Ruy Barbosa, Lázaro Ramos e referências ao clássico Alien - O Oitavo Passageiro
Aline Pereira
-Editora-chefe
Jornalista que ama boas histórias e combina a paixão por cinema e TV com comunicação para mergulhar ainda mais nos universos e personagens que já fazem brilhar os olhos. Pipoca, terror, dramédia e uma pitada de reality são a receita perfeita para todos os dias.

Abertura do 54º Festival de Cinema de Gramado traz megaprodução com estrelas globais e estúdio gigante.

>

A 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado teve início com a exibição especial, fora da competição, de Antártida, produção da Globo Filmes que traz grandes nomes da televisão e do cinema, como Andréa Beltrão, Marina Ruy Barbosa, Leandra Leal e Lázaro Ramos, em um thriller congelante: ambientado em uma base militar na Antártida, o longa aborda a realidade da violência contra a mulher ao estilo whodunnit de Agatha Christie e com um aceno a um clássico hollywoodiano.

“Uma das nossas grandes referências foi o filme Alien - O Oitavo Passageiro", conta o diretor Bruno Safadi, já conhecido de outras produções de sucesso, como Jogada de Risco e Aruanas. A inspiração aparece no ambiente inóspito onde a trama se desenrola, é claro, mas tem uma representante principal: Andréa Beltrão, no papel de comandante da base – é a nossa Ripley. “A capa do roteiro de leitura dela era a Sigourney Weaver", pontuou a roteirista e idealizadora Cláudia Jouvin.

Antártida apresenta drama e mistério no estilo “quem matou?”

A trama acompanha um grupo de cientistas e militares enfrentando um inverno rigoroso enquanto trabalham em uma base brasileira na Antártida. A chegada da pesquisadora Inês (Marina Ruy Barbosa) dá início ao mistério: a personagem sofre abuso sexual enquanto está desacordada e todos os homens do local se tornam suspeitos.

A comandante Elizabeth (Andréa Beltrão), então, se vê diante de uma questão complexa: enquanto lida com uma troca de liderança e com falhas técnicas que colocam a vida de todos em risco, decide interrogar os colegas de Inês: um deles é o agressor. Quem?

“Mas nem todo homem”

A partir daí, Antártida abre uma discussão sobre os diversos tipos de violência a que mulheres estão submetidas – em especial dentro de ambientes onde a segurança, supostamente, deveria ser resguardada. Falamos aqui de acontecimentos que começam no "micro”, com comentários machistas, por exemplo, ao ato criminoso da violência sexual sofrida pela personagem de Marina Ruy Barbosa.

Ao colocar todos os personagens masculinos como potenciais abusadores, o longa aponta para uma questão comum no debate sobre a violência: o discurso do "mas nem todo homem” sempre vem como um argumento pronto. Tudo bem, nem todo – mas como saber quem é quem? Em Antártida, ninguém é confiável. Não porque agem como vilões propriamente ditos, mas porque até os comportamentos mais sutis, muitos dos quase facilmente identificáveis na vida real, deixam dúvida sobre até onde eles seriam capazes de ir ao identificar uma mulher em situação vulnerável.

Em entrevista ao AdoroCinema, Marina Ruy Barbosa reflete sobre o desenvolvimento da personagem:

“Inês chega muito diferente da forma como ela vai embora da expedição. Fui sentindo muitas coisas durante o processo, ouvindo os personagens homens duvidando do que ela tinha vivido e isso é uma coisa que acontece muito no dia a dia.

Muitas mulheres demoram a perceber que a culpa não foi delas, que devem falar sobre isso, pedir ajuda, observar sinais de que o abuso não é só físico, mas verbal, psicológico. Com certeza foi um dos trabalhos com mais profundidade que tive que ir, com muita dor, ao mesmo tempo muito estimulante enquanto atriz”

Confira a entrevista completa nas redes sociais do AdoroCinema e continue acompanhando a cobertura do Festival de Gramado.

Antártida estreia em 17 de setembro exclusivamente nos cinemas.

facebook Tweet
Links relacionados