Robin Williams recebeu o primeiro e único Oscar de sua carreira como Melhor Ator Coadjuvante por um filme escrito por Matt Damon.
Agora ele é uma das estrelas de Hollywood com maior reputação e nesta sexta-feira retorna às salas de cinema como o protagonista do filme mais importante de 2026, A Odisseia, mas há cerca de três décadas Matt Damon era praticamente um recém-chegado à indústria que estava prestes a surpreender a todos com Gênio Indomável, um filme que tinha escrito junto com seu colega de turma e amigo Ben Affleck e que o tornaria famoso no mundo inteiro.
Naquele momento, Matt Damon, que também interpretava um dos papéis principais do filme, vinha fazendo pequenas participações como ator há alguns anos, mas foi seu próprio filme que o catapultou para a fama. Por um lado, os dois amigos foram indicados ao Oscar de Melhor Roteiro Original — categoria na qual venceram —, enquanto Damon também foi indicado como Melhor Ator.
Do roteiro recusado ao topo de Hollywood
Apesar da inexperiência e após muitas recusas por parte de diferentes estúdios, Matt Damon e Ben Affleck acabaram recebendo a confiança da Miramax para tornar o filme uma realidade. A direção ficaria com Gus Van Sant e o longa seria estrelado por um elenco bastante potente, encabeçado por Robin Williams. O resto é história.
Gênio Indomável foi um sucesso e recebeu 8 indicações ao Oscar, incluindo a de Melhor Filme. Não apenas Damon e Affleck ganharam Melhor Roteiro, mas Robin Williams também recebeu o primeiro e único Oscar de sua carreira como Melhor Ator Coadjuvante.
Aquela experiência em geral e Robin Williams em particular deixaram grandes lembranças em Matt Damon, que quase 30 anos depois continua falando de sua absoluta admiração pelo ator, tristemente falecido em 2014.
A mente de um ator que nunca estava satisfeito
De fato, em sua recente participação no podcast Good Hang with Amy Poehler neste mês de julho, o ator de 55 anos lembrou Williams como uma "pessoa transbordante de generosidade" e que trabalhou o roteiro com muitíssimo carinho, algo que eles agradeceram muito. No entanto, Damon garantiu que Williams era um "ruminador". Um ator profundamente reflexivo que não parava de remoer as coisas e as cenas e que sempre queria repetir tomadas porque nunca estava totalmente satisfeito com seu trabalho.
Porque o Robin chegava em casa e te ligava. Ele era um ruminador. Williams nunca estava totalmente satisfeito com o seu trabalho
"Havia cenas que repetíamos, e nós as gravávamos quinze vezes. Ben e eu sabíamos que tínhamos conseguido. [O diretor Gus Van Sant] também sabia", lembraria Damon. "Estouramos o orçamento do filme".
Mas foi precisamente essa vontade de Robin Williams de remoer tudo que fez com que Gênio Indomável terminasse como terminou: "A última frase não estava escrita", lembra ele, mas surgiu de sua interpretação natural. "Segurei o Gus. Foi como se um diálogo tivesse caído do céu".