"Não estou convencido": Um dos melhores filmes de Clint Eastwood, vencedor de 4 Oscars, teve um começo difícil
Marco Rigobelli
Marco é tradutor e redator. Tem uma história pessoal com O Bebê de Rosemary, acha que 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um dos maiores filmes já feitos e pode passar horas contando fatos aleatórios sobre O Senhor dos Anéis.

O estúdio duvidava de seu potencial e queria mudar o final, mas o cineasta se manteve firme e o resultado foram quatro Oscars.

>

É difícil imaginar que Menina de Ouro (2004) tivesse problemas para se tornar realidade, mas, às vezes, os estúdios não veem o potencial real de um filme de primeira. O longa, dirigido por Clint Eastwood, ganhou quatro prêmios Oscar: melhor filme, melhor diretor, melhor atriz para Hilary Swank e melhor ator coadjuvante para Morgan Freeman. No entanto, quando o projeto estava em desenvolvimento, a Warner Bros. não estava convencida de que seria um sucesso.

Menina de Ouro acompanha Maggie Fitzgerald, uma boxeadora disposta a alcançar seus sonhos no ringue. Sua ascensão, no entanto, é interrompida quando um acidente a deixa tetraplégica. Viva graças a um respirador artificial, ela implora ao seu treinador Frankie Dunn que ponha fim ao seu sofrimento. O final do filme é, sem dúvida, um dos mais devastadores da década de 2000.

Swank entrou na pele de Maggie e Eastwood na de Frankie. Freeman, por sua vez, interpreta Eddie, o assistente de Frankie.

O final que Clint Eastwood queria

Embora o final de Menina de Ouro tenha sido um dos maiores acertos do filme, foi também o principal obstáculo para sua produção. Alan Horn deu uma entrevista à THR em 2011, quando era diretor da Warner Bros., e revelou que tinha dúvidas sobre o projeto.

"Clint veio me ver com sua habitual discrição. Não tinha escolhido ninguém para o elenco. Li o roteiro e pensei: 'Bem, não me convence'. Disse: 'Não sei se as mulheres querem ver uma mulher lutar'. Ele disse: 'Não quero que o estúdio faça nada com o que não se sinta confortável'", lembrou.

Naquela época, os filmes de boxe protagonizados por mulheres eram uma raridade, apesar de títulos como Boa de Briga (2000) terem aberto o caminho anos antes.

Essa resposta não derrotou Eastwood, que pediu, depois de conseguir que a Lakeshore Entertainment se comprometesse a arcar com metade do orçamento, que dessem uma segunda olhada no filme.

"Então eu disse: 'Não vou dizer não'", continua Horn. "O filme acabou comigo. Perguntei: 'Ela tem que morrer no final?'. Clint disse: 'Receio que sim'. Perguntei: 'Ela tem que morder a língua?'. Ele disse: 'É o caminho que temos que seguir'. Perguntei: 'Ela tem que perder a luta?'. Mas isso demonstra que William Goldman tinha razão: ninguém sabe de nada". Goldman foi um roteirista vencedor de dois prêmios Oscar por Butch Cassidy (1969) e Todos os Homens do Presidente (1976).

Eastwood se manteve fiel à sua visão artística e não concordou em suavizar a história. O resto é história.

facebook Tweet
Links relacionados