Um dos maiores fracassos da carreira de John Wayne é este filme baseado em fatos reais; obra também esconde um legado muito sombrio
por Giovanni Rodrigues

Estrelado por John Wayne como Genghis Khan, Sangue de Bárbaros foi um grande fracasso comercial da RKO e ficou marcado pelo trágico legado dos testes nucleares realizados na região das gravações.

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Muito antes de Hollywood começar a falar em orçamentos de 300 milhões de dólares, a indústria já acumula exemplos de produções completamente descontroladas. Um dos casos mais emblemáticos foi Sangue de Bárbaros, a superprodução de 1956 na qual John Wayne interpretou Temüjin, o futuro Genghis Khan.

Embora o longa tenha terminado como a décima primeira maior bilheteria daquele ano, ele passou para a história por razões muito diferentes: foi duramente criticado por sua escolha de elenco altamente contestável, sua representação cultural caricata e seu roteiro fraco, além de ter se transformado em um enorme prejuízo financeiro para Howard Hughes e para a RKO Pictures. A isso somou-se um legado ainda mais sombrio, já que parte das filmagens foi realizada perto de uma área onde os Estados Unidos conduziam testes nucleares — o que anos mais tarde alimentou intensas controvérsias quando vários membros da equipe desenvolveram câncer, embora uma relação direta de causa e efeito nunca tenha sido estabelecida oficialmente.

John Wayne é Genghis Khan

O filme acompanhava a história de Temüjin e sua ascensão como líder mongol, mas a decisão de escalar John Wayne para o papel principal foi amplamente criticada. O próprio ator buscou sua participação no projeto, sem prever que aquela atuação acabaria sendo considerada um dos maiores erros de sua carreira. Com o passar do tempo, Sangue de Bárbaros se consolidou como uma das performances mais massacradas pela crítica na trajetória do astro.

Além disso, a produção começou com atrasos e certas tensões entre Wayne e o produtor Howard Hughes. Assim que as gravações começaram, as dificuldades só aumentaram. O roteiro foi criticado por seus diálogos pouco naturais, e a obra recebeu duras acusações por sua representação da cultura mongol e por cenas que hoje seriam consideradas profundamente problemáticas, como o momento em que Temüjin sequestra Bortai e a obriga a se casar com ele.

Por outro lado, grande parte do filme foi gravada no deserto próximo a St. George, em Utah, a pouco mais de 160 quilômetros do Campo de Testes de Nevada, onde o governo norte-americano realizava testes nucleares. Anos depois, inúmeros membros do elenco e da equipe técnica desenvolveram diferentes tipos de câncer, o que deu origem a uma das maiores polêmicas da história de Hollywood. Contudo, nunca foi possível comprovar oficialmente uma relação direta entre as doenças e o local das filmagens.

Apesar de arrecadar cerca de 4,5 milhões de dólares e figurar entre os filmes mais assistidos de 1956, a produção nunca recuperou o investimento inicial. Howard Hughes destinou uma quantia extraordinária para a época tanto para a produção quanto para a campanha publicitária, que custou cerca de 1,4 milhão de dólares. O resultado foi uma operação altamente deficitária que agravou a crise vivida pela RKO Pictures, estúdio que encerraria suas atividades de produção de filmes já no ano seguinte.

Com o passar dos anos, Sangue de Bárbaros não envelheceu bem e continua sendo lembrado como um dos piores trabalhos da carreira de John Wayne. Sem dúvida alguma, uma combinação de decisões questionáveis que culminaram em um dos grandes desastres da história do cinema.

Sangue de Bárbaros está disponível para streaming no catálogo Oldflix.

Giovanni Rodrigues
-Redator
Já quis ser X-Men, caça-vampiros e paleontólogo, mas me encontrei no jornalismo. Como todo bom crítico cultural e aficionado por cultura pop, busco saber um pouco de tudo e muito sobre o que quase ninguém liga.
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