Especialistas em história clássica concordam: "Esta não é a Odisseia de Homero. É a de Nolan"
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.

O novo filme do diretor de Oppenheimer e Batman: O Cavaleiro das Trevas quebra todas as expectativas com a melhor estreia de sua carreira.

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Havia grandes expectativas em torno de A Odisseia, mas até as previsões mais otimistas ficaram aquém. O novo filme de Christopher Nolan arrecadou 264,064 milhões de dólares em todo o mundo em seu fim de semana de estreia, com 124,5 milhões vindos do mercado americano e 139,564 milhões do resto do mundo. Esses números não apenas tornam a adaptação da epopeia de Homero um dos maiores fenômenos cinematográficos do ano, como também representam a melhor estreia da carreira do diretor britânico, superando até mesmo Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge e Batman: O Cavaleiro das Trevas. Após meses marcados por debates nas redes sociais, discussões sobre o elenco e críticas antecipadas, o público parece ter respondido da maneira mais estrondosa possível: lotando os cinemas.

O resultado também supera claramente as estimativas anteriores, que previam uma arrecadação entre 90 e 100 milhões de dólares no fim de semana de estreia nos Estados Unidos e cerca de 257,8 milhões no mundo todo. A Universal comemorou o sucesso com um comunicado enviado ao Deadline, afirmando ser "incrivelmente gratificante ver o entusiasmo palpável nos cinemas" e destacando que Nolan mais uma vez criou "uma aventura épica em uma escala incomum". A distribuidora confirma, assim, que a controvérsia em torno do filme durante meses finalmente se traduziu em entusiasmo entre os espectadores.

O debate sobre A Odisseia nas universidades

Curiosamente, enquanto grande parte da internet focava seus debates em questões relacionadas à suposta natureza "progressista" do filme ou a certas decisões de elenco, o mundo acadêmico discutia assuntos bem diferentes. Isso é explicado em uma extensa reportagem publicada pela Variety, que reuniu as opiniões de estudiosos de Homero, arqueólogos, historiadores e professores universitários após assistirem à estreia do filme. A conclusão deles é particularmente interessante porque desfaz grande parte do ruído gerado nos últimos meses.

Joel P. Christensen, editor do Guia Crítico Oxford da Odisseia de Homero, admite que foi à exibição convencido de que seria o espectador mais difícil de agradar. No entanto, acabou surpreso com a reação de seus colegas. "Fiquei surpreso com a quantidade de acadêmicos que gostaram do filme", ​​explica.

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O especialista reconhece que precisou se lembrar constantemente de uma ideia fundamental para avaliar a adaptação de Nolan: "Esta não é a Odisseia de Homero. É a Odisseia de Nolan. E deve ser julgada por critérios diferentes." Essa reflexão resume bem a abordagem predominante entre muitos especialistas, que entendem o filme como uma releitura contemporânea de um texto que vem sendo reinterpretado há quase três mil anos.

Especialistas argumentam que nunca houve uma única versão correta do poema de Homero

Essa mesma ideia é compartilhada por diversos acadêmicos consultados pela Variety. Richard P. Martin, professor de literatura grega na Universidade Stanford, destaca que a própria obra de Homero já era uma recriação de um passado distante quando foi composta. Em suas palavras: "Todos reconhecemos que esta é uma versão. Não existe uma única interpretação correta, porque cada geração cria sua própria versão do poema". Segundo Martin, toda a publicidade que Homero recebe acaba sendo benéfica, independentemente de vir de um grande sucesso de bilheteria de Hollywood.

Laura Slatkin, uma das maiores especialistas em Homero, também situa o roteiro de Nolan dentro de uma tradição em constante evolução ao longo dos séculos. A professora destaca que nenhuma tradução da Odisseia pode ser considerada definitiva, pois o próprio poema é complexo demais para permitir uma única interpretação. Nesse sentido, ela acredita que o filme representa "a canção mais recente" em uma longa linhagem de adaptações que reinterpretaram o texto clássico de acordo com a sensibilidade de cada época.

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Segundo a professora de Estudos Clássicos Monica Cyrino, em entrevista à Variety, a Odisseia está gerando um interesse pelo mundo clássico que não se via desde Gladiador, embora ela afirme que o fenômeno atual seja ainda maior, com centenas de artigos acadêmicos publicados antes do lançamento do filme e expectativas de um aumento no número de estudantes de grego. Enquanto isso, o filme segue um caminho interessante nas bilheterias, com forte potencial para atingir a marca de um bilhão de dólares em todo o mundo.

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