Uma obra-prima vencedora do Oscar está repleta de detalhes ocultos e personalidades famosas. No entanto, quase ninguém sabe que por trás de uma cena lendária se esconde uma superestrela do cinema de ação.
Existem filmes que levam seus espectadores a uma viagem pela história. E existem filmes que jogam seu personagem principal bem no meio dela. É exatamente isso que faz a obra-prima multipremiada de Robert Zemeckis, Forrest Gump: O Contador de Histórias (1994), que até hoje continua sendo uma das produções mais populares dos anos 1990 e coroou definitivamente Tom Hanks (O Resgate do Soldado Ryan) como o queridinho do público.
Ao longo da trama, Forrest encontra várias personalidades famosas e testemunha alguns dos momentos mais marcantes da história americana. Às vezes ele aperta a mão de presidentes, outras vezes surge inesperadamente ao lado de ícones culturais. Uma das primeiras figuras históricas a cruzar seu caminho, no entanto, não é uma política nem um estadista, mas sim o futuro Rei do Rock 'n' Roll: Elvis Presley.
Quando Elvis se hospeda temporariamente na pensão da mãe de Forrest (Sally Field), ele observa o menino caminhando. Por causa de suas órteses nas pernas, o pequeno Forrest se move de uma maneira incomum – e são exatamente esses movimentos que servem de inspiração para o músico criar seu rebolado que mais tarde se tornaria mundialmente famoso. Não se pode esquecer que a cena também ganha vida graças à atuação do jovem Forrest.
Essa cena com o futuro astro do rock é uma ideia bem-humorada que se encaixa perfeitamente no tom do filme. Décadas mais tarde, o diretor Baz Luhrmann também resgatou esse mito em Elvis (2022), no qual os movimentos de dança provocantes do cantor causam um verdadeiro êxtase no público.
A participação especial de Kurt Russell na cena de Elvis em Forrest Gump
Quem assiste à cena hoje em dia pode presumir que um sósia de Elvis ou um ator conhecido interpretou o músico por completo. Na verdade, Presley é encenado em Forrest Gump por Peter Dobson. O ator assumiu a interpretação física e garantiu que a aparência, a postura e os movimentos ficassem o mais próximo possível do original.
Mas Dobson foi apenas metade do trabalho. Isso porque os produtores decidiram usar a voz do músico separadamente. Na versão original em inglês, ela pertence a uma pessoa que já estava muito familiarizada com Elvis.
A voz pertence a ninguém menos que Kurt Russell. Muitos espectadores nunca notaram essa participação especial até hoje, embora Russell seja há muito tempo um dos rostos mais conhecidos do cinema de ação. Sua contribuição se limita a poucas linhas de diálogo, mas há uma história fascinante por trás disso. Afinal, ele já havia interpretado o lendário cantor muitos anos antes – e em uma produção que desempenharia um papel decisivo em sua carreira. Além disso, ele também teve sua primeiríssima aparição no cinema ao lado do Rei.
Antes de Fuga de Nova York, Kurt Russell já era o Rei
Em 1979, Kurt Russell assumiu o papel do futuro ídolo da música no telefilme Elvis. A direção foi de John Carpenter, que ainda estava no início de seus maiores sucessos de gênero. A produção narra a ascensão de Presley, de um garoto simples do sul dos EUA a uma superestrela aclamada, e rendeu a Russell muito reconhecimento. Por sua atuação, ele foi inclusive indicado ao Emmy.
Ainda mais importante, porém, foi a colaboração com Carpenter. Dela nasceu uma das parcerias mais produtivas da história do cinema. Juntos, os dois filmaram em seguida clássicos como Fuga de Nova York (1981), O Enigma de Outro Mundo (1982) e Os Aventureiros do Bairro Proibido (1986). Principalmente como o taciturno anti-herói Snake Plissken, Russell se tornou uma figura cult.
O fato dele ser considerado hoje um dos maiores astros de ação de todos os tempos, no entanto, não se deve apenas a esses filmes. Obras como Tombstone - A Justiça Está Chegando (1993), Stargate (1994), Breakdown - A Implacável Perseguição (1997), O Soldado do Futuro (1998) ou suas aparições na franquia Velozes e Furiosos também o tornaram uma presença constante no gênero ao longo de várias gerações. Russell nunca encarnou heróis como máquinas de combate infalíveis, mas sim como personagens carismáticos, cheios de imperfeições, humor ácido e uma enorme presença de tela.
Por isso, é ainda mais surpreendente que justamente uma estrela desse calibre tenha sido escondida em um dos filmes mais famosos de todos os tempos. Enquanto milhões de pessoas conhecem a cena de Elvis em Forrest Gump, pouquíssimas notaram que por trás da voz do Rei está um homem que também escreveu seu nome na história do cinema: Kurt Russell. Mas mesmo uma lenda como essa nem sempre tomou as decisões certas.