Brian Duffield (Ninguém Vai te Salvar) e Zach Cregger (A Hora do Mal) unirão forças para criar um filme que siga os passos de Backrooms: Um Não-Lugar.
Para a surpresa de ninguém, Hollywood parece continuar sem entender absolutamente nada sobre os mecanismos que arrastam o chamado "grande público" para as salas de cinema. A mais nova confirmação do que, a essa altura, já podemos classificar como uma regra, é a nova manobra comercial da Warner Bros., que continua mostrando um rumo tremendamente errático que começou muito antes do anúncio de sua compra pela Paramount.
Em 2 de julho, foi divulgado que a empresa de David Zaslav adquiriu os direitos de Siren Head, a criatura criada por Trevor Henderson que apareceu pela primeira vez em um post no Instagram em 19 de agosto de 2018 e que, com o passar dos anos, acabou se tornando uma espécie de entidade viral explorada em uma infinidade de vídeos, videogames e publicações nas redes sociais.
Em busca do sucesso pré-fabricado
Siren Head, cuja aparência é a de um monstro gigantesco com corpo antropomórfico e que possui duas sirenes no lugar da cabeça, acabou catapultando sua fama após ser incluído no catálogo da SCP Foundation, o projeto colaborativo de ficção que moldou um universo compartilhado sobre uma organização encarregada de capturar e estudar entidades paranormais, sobrenaturais e diferentes tipos de anomalias.
Agora, oito anos após o seu nascimento, o criptídeo dará o salto para as telonas em um longa-metragem dirigido por Brian Duffield — responsável pelo fantástico Ninguém Vai te Salvar — e corroteirizado pelo próprio Duffield e por Zach Cregger, que nos levará ao universo de Resident Evil em setembro e que já se tornou uma espécie de porto seguro para esse tipo de produção após seus trabalhos em A Hora do Mal e Noites Brutais.
No entanto, se deixarmos de lado as expectativas geradas por contar com uma dupla como essa à frente de um filme de terror com uma base narrativa prévia minúscula o suficiente para abraçar a experimentação e chutar o balde, a simples notícia do início da pré-produção nos faz levar as mãos à cabeça e perguntar se a Meca do cinema ainda não aprendeu a lição.
Acho que não é necessário ressaltar que a existência de Siren Head está estreitamente relacionada ao sucesso avassalador de Backrooms em todo o planeta. A obra de Kane Parsons conseguiu arrecadar mais de 330 milhões de dólares mundialmente com um orçamento de apenas 10 milhões, o que, além do status de clássico cult moderno, transformou-a em uma nova referência dentro da indústria cinematográfica atual.
O problema da reação de Hollywood
O problema está na maneira como Hollywood reagiu a esse triunfo inesperado. Em vez de analisar a anomalia e tentar descobrir os motivos que levaram a ela, eles se limitaram a reduzir Backrooms ao seu menor denominador comum, um filme de terror nascido de um fenômeno viral online e impulsionado dentro do ecossistema do YouTube e das redes sociais, e abrir o talão de cheques para comprar qualquer propriedade intelectual que se encaixe nessa descrição simplista.
Os anos passam e os engravatados com suas maletas continuam sem entender que fenômenos como Backrooms e Obsessão não são previsíveis e, muito menos, replicáveis. No fim das contas, tudo se resume à criatividade, a assumir riscos e a fugir de fórmulas e padrões.
O dinheiro da Warner estaria muito melhor investido se financiasse, com uma fração minúscula do que vai custar Siren Head, a estreia de um Kane Parsons ou de um Curry Barker que ainda estão para ser descobertos, completamente livres das amarras da engrenagem que move os grandes estúdios.