102 filmes, 8 indicações e nenhum Oscar: o recorde mais injusto de Hollywood pertence a esta lenda
Paola Piola
-Gerente de Conteúdo
Fã de Friends clichê e apostadora de bolão do Oscar desde pequena!

Entre 1962 e 2006, Peter O'Toole foi presença constante nas cerimônias da Academia, mas nenhuma indicação se transformou em vitória.

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Há poucos dias, foi anunciado que Ridley Scott receberá um Oscar honorário, encerrando uma das maiores injustiças da história da Academia: ter dirigido alguns dos clássicos modernos mais influentes do cinema sem jamais conquistar uma estatueta competitiva.

É um reconhecimento tardio, mas merecido, compartilhado por várias lendas de Hollywood que só viram uma vida inteira dedicada ao cinema ser recompensada quando já haviam entregado praticamente tudo à indústria. E esse é justamente o caso de um ator que detém um dos recordes mais curiosos da história do Oscar.

Existem recordes do Guinness que ninguém gostaria de ter. E o de Peter O'Toole - oito indicações ao Oscar e oito derrotas em categorias competitivas - é um dos mais cruéis.

De pouco adiantou protagonizar clássicos imortais como Lawrence da Arábia e O Último Imperador, trabalhar sob a direção de cineastas do calibre de David Lean e William Wyler ou acumular 102 filmes ao longo de uma carreira de 58 anos - embora, é claro, algumas dessas produções incluam títulos como Supergirl, que não foi exatamente muito bem recebido pela crítica. A cobiçada estatueta dourada sempre escapou das mãos do ator britânico.

“Ainda estou na ativa. A Academia poderia adiar essa homenagem até eu completar 80 anos?”

Mas O'Toole nunca desistiu. Em 2003, quando a Academia decidiu compensar décadas de derrotas com um Oscar honorário, o ator respondeu com uma carta demonstrando que ainda não estava pronto para aceitar uma homenagem de consolação. “Como ainda estou na ativa e ainda posso ganhar o maldito prêmio por mérito próprio, a Academia poderia adiar esse reconhecimento até eu completar 80 anos?”.

A resposta da Academia foi direta: aquele não era um prêmio de aposentadoria. A organização lembrou que atores como Paul Newman e Henry Fonda conquistaram Oscars competitivos após receberem estatuetas honorárias. No fim, Peter O'Toole aceitou comparecer à cerimônia e receber o prêmio. Em seu discurso, declarou: “Agora tenho meu próprio Oscar comigo até que a morte nos separe. Gostaria que a Academia soubesse que estou tão feliz quanto honrado, e estou, de coração”.

De Lawrence da Arábia a Troia

Peter O'Toole não construiu sua carreira apenas no século XX. Até sua morte, aos 81 anos, em 2013, o ator continuou trabalhando e participou de produções que marcaram gerações mais recentes. Entre elas estão Troia, - que Orlando Bloom se arrepende de estrelar - dirigido por Wolfgang Petersen, e Stardust - O Mistério da Estrela, que contou com um jovem Henry Cavill em um papel secundário.

Sua trajetória terminou sem um Oscar competitivo, mas poucos atores conseguiram construir uma filmografia tão extensa, respeitada e influente. Por isso, para muitos cinéfilos, Peter O'Toole continua sendo o maior exemplo de que nem sempre os prêmios conseguem refletir a verdadeira grandeza de uma carreira.

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