Esqueça Marvel: Scarlett Johansson entrega algumas de suas melhores atuações nestes dois filmes inesperados
Fanática por filmes e séries, Ana possui um acervo de informações aleatórias sobre cultura pop e gosta de encarar câmeras imaginárias como se estivesse em Fleabag ou The Office.

Estes dois longas continuam sendo citados sempre que se discute os melhores trabalhos da atriz porque mostram algo a mais: Scarlett Johansson arriscando em territórios onde não podia se apoiar no óbvio.

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Muitos conhecem Scarlett Johansson de ​​Os Vingadores, Vicky Cristina Barcelona ou Lucy. Para grande parte do público, seu rosto está ligado a Natasha Romanoff, a espiã que entrou para o Universo Marvel e acabou se tornando uma das figuras mais queridas da franquia. Há também a Scarlett da ficção científica, que assume papéis de ação impossíveis e capaz de sustentar um filme comercial sem o menor esforço.

Mas sua carreira nunca se resumiu a isso. Antes, durante e depois da Marvel, Johansson construiu uma filmografia muito mais incomum do que às vezes se reconhece. Ela trabalhou com Sofia Coppola, Noah Baumbach, Spike Jonze, os irmãos Coen e Jonathan Glazer. E em meio a esses títulos de grande sucesso, há dois filmes inesperados nos quais ela entrega performances que se destacam como alguns de seus melhores trabalhos.

O papel em que Scarlett Johansson sequer aparece: Ela, de Spike Jonze

O primeiro é Ela, de 2013. Nele, Joaquin Phoenix interpreta Theodore, um homem solitário que se apaixona por Samantha, um sistema operacional de inteligência artificial com voz feminina. Johansson não aparece fisicamente em cena por um único segundo. Apenas sua voz, e isso é o suficiente para ela criar uma das personagens mais memoráveis ​​de sua carreira.

Johansson preenche Samantha de curiosidade, humor, desejo, insegurança, ternura e uma inteligência que cresce até se tornar perturbadora. O filme fala de amor na era da tecnologia, mas também de algo mais incômodo: o quanto projetamos nos outros quando precisamos nos sentir conectados. Samantha pode ser uma máquina, mas sua voz tem mais vida do que muitos personagens de carne e osso.

O filme em que ela ficou quase irreconhecível: Sob a Pele

O segundo é Sob a Pele, dirigido por Jonathan Glazer. Aqui, Johansson interpreta uma extraterrestre que assume forma humana e percorre a Escócia em busca de homens solitários. Parece uma premissa de ficção científica provocativa, mas o filme adota uma abordagem diferente: é frio, hipnótico, perturbador e, por vezes, quase silencioso. Nada como um espetáculo fácil.

No filme, Johansson atua a partir de um ponto de vista de ausência. Sua personagem observa, escuta, imita e aprende. A força reside em sua estranheza: uma estrela de Hollywood apagando grande parte de seu carisma para parecer alguém que mal entende como o corpo humano funciona. Glazer chegou a filmar diversas cenas com câmeras escondidas e pessoas sem nenhuma experiência em atuação.

O filme foi um fracasso de bilheteria, mas ao longo dos anos tornou-se um dos filmes de ficção científica mais respeitados da década. Os críticos elogiaram a direção de Glazer, a música de Mica Levi e a atuação de Johansson.

O curioso é que Ela e Sob a Pele chegaram praticamente ao mesmo tempo em sua carreira. Enquanto a Marvel a transformava em uma estrela global, Johansson embarcava em duas experiências de atuação muito incomuns: em um filme, ela existia apenas como uma voz, e no outro, como um corpo quase vazio tentando compreender os humanos. Dois papéis opostos, mas conectados pela mesma questão: o que torna uma presença na tela humana?

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