Continuação secreta de Contatos Imediatos? Entenda a ligação da nova ficção científica de Steven Spielberg com o clássico de 1977
Jornalista em formação dividida entre a paixão pelo cinema e pela música. Como coração é grande, cabe desde comédias românticas até documentários musicais. Sempre em busca de encaixar sua devoção por Jorge Ben Jor e John Carpenter em alguma conversa.

Spielberg volta para o gênero de ficção científica após vinte anos afastado e parece ter criado uma sequência simbólica de outro clássico de sua filmografia.

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Já se passaram vinte anos desde que Steven Spielberg lançou seu último longa de ficção científica, marca registrada do lendário cineasta estadunidense. Agora, depois desse longo hiato, o diretor volta para o gênero que atesta o seu talento para combinar efeitos técnicos marcantes com histórias de forte impacto emocional. Dia D é o retorno de Spielberg para um tema já caro em sua filmografia: vida extraterrestre e as consequências do contato humano com esses seres de dimensões distantes.

Com detalhes da trama ainda sendo mantidos em sigilo, o novo longa do cineasta revela uma conexão inesperada entre um especialista em cibersegurança, interpretado por Josh O'Connor, e uma apresentadora meteorológica, estrelada por Emily Blunt. No caminho dos dois, uma conspiração envolvendo um empresário bilionário (Colin Firth) os coloca em perigo quando eles passam a investigar a verdade por trás de eventos estranhos de suposto controle mental.

Diante de um enredo tão enraizado em aventura e invasão alienígena, é quase inevitável comparações com os outros longas renomados do diretor que giram em torno dessa mesma temática. Com Dia D, porém, as analogias tem ido além, chegando a despertar insinuações do elenco de que o novo suspense é uma continuação espiritual de Contatos Imediatos do Terceiro Grau.

Há, sem dúvida, questões levantadas em Contatos Imediatos que são respondidas em Dia D”, afirmou a atriz Emily Blunt à revista Empire, que organizou uma edição especial para o mês de junho em homenagem ao legado de Spielberg para o gênero de ficção científica.

Qual a relação entre Contatos Imediatos e Dia D, novo suspense de ficção científica de Steven Spielberg?

Contatos Imediatos discute sobre uma questão latente na filmografia de Spielberg: será que estamos sozinhos nessa galáxia e o que significa para a humanidade ter contato com vidas de fora do planeta terra? A trama do filme acompanha uma série de acontecimentos misterioso que indica que UFOs já estão entre nós. Um eletricista chamado Roy Neary, porém, testemunha um objeto voador não identificado e sai desse encontro com uma marca de queimadura que prova esse contato. Enquanto Roy fica obcecado em encontrar respostas para os eventos que presenciou, um grupo de cientistas estuda as origens de movimentos estranhos que ocorrem ao redor do mundo.

Dia D apresenta uma premissa parecida: uma verdade supostamente escondida por trás de uma conspiração é investigada por um homem comum que acaba se metendo em circunstâncias maiores e mais perigosas do que ele poderia imaginar. As questões que, desde sempre, atordoaram Spielberg diante dessa temática também são colocadas aqui: Alienígenas existem? Há quanto tempo sabemos disso? E a humanidade de maneira geral deveria saber disso?

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De acordo com o próprio cineasta, porém, Dia D é o seu trabalho seminal e conclusivo com relação a esse assunto, o que mais o deixou satisfeito em termos de resolução. "Tenho sete décadas de profundo interesse pessoal pelo que existe além da nossa atmosfera, no cosmos, e pelo que se encontra dentro da nossa atmosfera, aqui mesmo no planeta Terra. A pergunta sempre permaneceu para mim: estamos sozinhos no nosso próprio planeta? Não consigo imaginar que estejamos sozinhos lá fora. Essa pergunta não só me perseguiu, como também me inspirou. Mas, creio eu, ela agora se resolveu de forma satisfatória para mim em Dia D.", comentou Spielberg para a Empire.

Dia D parece, então, sintetizar as preocupações e interesses de um Spielberg do século passado, mas dotado de uma abordagem contemporânea e da complexidade dessa temática no cenário político atual. "É um filme de ação, mas também uma análise profunda e muito comovente sobre como as pessoas se percebem mutuamente, por isso traz ecos da divisão que vivemos atualmente. Dentro do gênero de ficção científica, o filme apresenta algumas soluções relacionadas à importância da empatia. [O filme] tem uma larga escala. Começa com um ritmo muito acelerado. Acho que é uma história que proporciona uma experiência única."

O que nos aguarda no cinema, então, pode sedimentar ainda mais a fala de Emily Blunt e nos lembrar da trajetória impactante e lendária de Spielberg.

Dia D estreia dia 11 de junho nos cinemas.

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