Mais de 20 anos depois, a música de um dos melhores filmes de suspense de todos os tempos continua a nos assombrar
Fanática por filmes e séries, Ana possui um acervo de informações aleatórias sobre cultura pop e gosta de encarar câmeras imaginárias como se estivesse em Fleabag ou The Office.

Melancólica e trágica, esta trilha sonora é uma das mais belas já compostas na história do cinema. Um olhar retrospectivo sobre uma obra lendária, muitas vezes negligenciada, mas que permanece excepcionalmente poderosa.

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Em 2003, um filme coreano violento, brutal e implacável chegou aos cinemas: Old Boy. Dirigido pelo mestre Park Chan-wook e estrelado por Choi Min-sik no auge de sua carreira, completamente possuído por um personagem fascinante e perturbador, Oh Dae-soo.

Old Boy: Esta é a história

A trama se passa no final da década de 1980. Oh Dae-Soo, um pai de família comum, desaparece repentinamente sem deixar rastros. Ele acorda trancado em uma cela particular, isolado do mundo. Assim, anos se passam. Sua única janela para o mundo exterior é uma televisão, pela qual fica sabendo do assassinato de sua esposa – crime em que é considerado o principal suspeito. Privado de qualquer explicação, Dae-Soo gradualmente mergulha em uma obsessão febril. A angústia dá lugar a uma fúria fria e metódica, que se torna sua única razão para sobreviver.

Sombrio e intransigente, Old Boy marcou época, conquistando o Grande Prêmio em Cannes em 2004 e quase levando a Palma de Ouro. Embora o filme ostente um virtuosismo notável em todos os aspectos, ele também brilha graças à sua esplêndida trilha sonora composta por Yeong-wook Jo. Uma faixa em particular se destaca: The Last Waltz.

Uma trilha agridoce

Em primeiro lugar, há o contraste emocional. A peça é surpreendentemente delicada e elegante, quase romântica, com cordas muito fluidas e uma estrutura semelhante a uma valsa. Chan-wook tem o dom de usá-la para acompanhar cenas de extrema violência psicológica, e o contraste cria um profundo desconforto que cativa o coração dos espectadores. Em vez de enfatizar a brutalidade, a música a envolve em uma beleza perturbadora, tornando o impacto ainda mais forte.

Além disso, a melodia apresenta uma ironia trágica. O próprio título (A Última Valsa, em português) evoca algo definitivo, quase fúnebre. No contexto do filme, a profunda melancolia que emana dessa composição acompanha uma revelação crucial, um momento decisivo, conferindo-lhe uma dimensão fatal e inescapável.

A peça é incrivelmente cativante, quase como uma canção de ninar melancólica e introspectiva. Essa simplicidade a torna universal e instantaneamente reconhecível, tornando-a intrinsecamente ligada à direção. A forma como a câmera, o ritmo da edição e a música se alinham transformam a cena numa espécie de dança macabra visual.

A música não serve apenas como acompanhamento; ela se torna parte da linguagem narrativa. Essa é a genialidade do diretor sul-coreano, que soube aproveitar ao máximo a composição magistral para criar uma "violência elegante", onde a música suaviza o impacto para causar um choque maior. Em última análise, The Last Waltz não é apenas uma música bela, primorosamente composta por um maestro; é literalmente a personificação sonora da desgraça no filme, e o que o torna absolutamente icônico.

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