"Pior que Jeffrey Epstein": Diretor de documentário sobre acusações de abuso de Michael Jackson detona nova cinebiografia e acusa equipe de esconder a verdade
Jornalista em formação dividida entre a paixão pelo cinema e pela música. Como coração é grande, cabe desde comédias românticas até documentários musicais. Sempre em busca de encaixar sua devoção por Jorge Ben Jor e John Carpenter em alguma conversa.

Envolto em controvérsias, novo filme sobre Rei do Pop ganha mais uma camada de polêmicas. A cinebiografia Michael já está em cartaz nos cinemas brasileiros e contou com colaboração do espólio da estrela.

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Depois de cortes significativos, disputas jurídicas, refilmagens milionárias e anos de atraso na produção, a cinebiografia de Michael Jackson ganha novas polêmicas na semana de sua estreia nos cinemas do Brasil e do mundo. Dirigido por Antoine Fuqua, o projeto se propõe a explorar a vida e a carreira completa da estrela do pop, desde o início de sua trajetória na banda Jackson 5 ao lado dos irmãos, até sua morte precoce em 2009. Porém, graças a impasses legais e a longa duração, grande parte do longa foi engavetado.

E o conteúdo guardado, por outro lado, cobre justamente a parte mais controversa da história do astro, incluindo as acusações de abuso sexual infantil. Ao desviar de temas mais problemáticos, a biografia, produzida em colaboração com o espólio do artista, tem sofrido duras críticas. Uma delas vem do diretor do polêmico documentário Deixando Neverland, que acompanha a vida dos dois homens que afirmaram terem sido molestados por Michael Jackson quando eram crianças.

Diretor de Deixando Neverland acusa Michael Jackson de ser "pior que Jeffrey Epstein"

Numa entrevista para o portal The Hollywood Reporter, Dan Reed não deixou passar sua indignação com o comportamento do público em relação às alegações.

"As pessoas não se importam que ele fosse um pedófilo. Literalmente, as pessoas simplesmente não se importam", declarou o documentarista. "Acho que muita gente simplesmente adora a música dele e faz ouvidor de mercador. E tirando as provas em vídeo de Michael Jackson mantendo relações sexuais com uma criança de 7 anos, não sei o que seria suficiente para fazer essas pessoas mudarem de opinião"

Reed disse ainda que o público está altamente disposto a separar a obra do artista, ignorando as acusações em prol do prazer pessoal de ouvir as canções de Jackson reproduzidas no novo filme. "Acho que muita gente vai engolir quaisquer receios que possa ter e simplesmente dizer: ‘Bem, é um ótimo filme para cantar junto’, ignorando completamente o fato de que esse cara era pior do que Jeffrey Epstein”. Epstein foi um bilionário norte-americano cujos crimes como predador sexual se estenderam desde abuso de menores à tráfico sexual.

Falando especificamente sobre a cinebiografia, Reed foi enfático ao responder aos comentários negativos feitos por Fuqua sobre os dois acusadores. O diretor de Michael declarou para a revista New Yorker que "às vezes, as pessoas fazem coisas desagradáveis por dinheiro", sugerindo que as duas potenciais vítimas teriam motivações financeiras por trás das denúncias.

"É um tanto irônico que Antoine Fuqua acuse alguém de estar atrás de dinheiro. Parece-me que todos os envolvidos neste filme só estão nessa para ganhar uma fortuna", debochou Reed, completando ainda com uma crítica às decisões criativas da equipe, que retirou as incriminações do escopo do filme.

"Como é possível contar uma história autêntica sobre Michael Jackson sem nunca mencionar o fato de que ele foi gravemente acusado de abusar sexualmente de crianças? Eu simplesmente não consigo entender isso. Se alguém está lucrando, são os herdeiros de Michael Jackson e as pessoas que trabalharam nesse filme biográfico. Wade e James, os protagonistas de Deixando Neverland, nunca ganharam um centavo com suas acusações"

Michael está em cartaz nos cinemas.

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