"Esse é o superpoder dele": Criador de Peaky Blinders explica o final agridoce da história de Tommy Shelby
Bruno Botelho dos Santos
-Redator | crítico
Bruno é redator e crítico do AdoroCinema, que divide seu tempo na cultura pop entre tomar susto com os mais diversos filmes de terror, assistir os clássicos do cinema ou os grandes blockbusters e enaltecer o trabalho de David Lynch e Stanley Kubrick.

Nos despedimos de Tommy Shelby (Cillian Murphy) no filme Peaky Blinders: O Homem Imortal e Steven Knight confirma que tudo foi planejado desde o início.

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Foram quatro anos de espera para ver o fim da história de Thomas Shelby. A sexta temporada de Peaky Blinders serviu como o episódio final da série, mas o criador Steven Knight estava determinado a concluir a história de seu protagonista com um longa-metragem. Peaky Blinders: O Homem Imortal é esse final. O filme leva os personagens a um dos conflitos mais intrigantes da Segunda Guerra Mundial: a operação de falsificação em larga escala que os nazistas usaram para prejudicar a economia britânica.

ATENÇÃO, SPOILERS DE PEAKY BLINDERS: O HOMEM IMORTAL!

O fim da história de Thomas Shelby

O título do filme parece particularmente poético porque, como os espectadores descobrem no final, Tommy Shelby, interpretado por Cillian Murphy, não é imortal, mas sim um herói de carne e osso que, como tantos outros, encontra seu fim. O final recebeu críticas mistas tanto da crítica especializada quanto do público, resultando em uma despedida agridoce para a qual muitos não estavam preparados.

Uma pessoa que estava preparada era Knight. O roteirista contou à Entertainment Weekly que a morte de Tommy Shelby sempre fez parte do plano. Aliás, ele queria que fosse uma morte bem-vinda. "Desde o início da criação desse personagem, eu queria alguém que não se importasse se vivesse ou morresse. Esse é o superpoder dele".

No filme, o confronto final com o vilão John Beckett culmina em um tiroteio que deixa Tommy Shelby mortalmente ferido. É nesse momento que ele abre os braços, pronto para ser atropelado pelo veículo, antes de Duke salvá-lo no último instante.

Um encerramento poético em Peaky Blinders

O passado traumático do protagonista na Primeira Guerra Mundial faz com que tudo o que acontece na série pareça um "tempo emprestado". Segundo Steven Knight, era muito importante que o filme desse ao personagem a oportunidade de confrontar seu medo pela última vez. A destruição do plano nazista força Tommy Shelby a entrar em túneis subterrâneos claustrofóbicos, desencadeando seu transtorno de estresse pós-traumático mais uma vez e permitindo que ele o supere antes de morrer.

Essa aceitação da morte tem sido um tema recorrente ao longo da série. No memorável final da segunda temporada, Shelby é mantido sob a mira de uma arma e está prestes a ser executado. Só então ele lamenta ter estado perto de uma vida boa. Quando tem certeza de que o momento está prestes a chegar, ele recita "em meio ao inverno sombrio", um tema recorrente na série que retorna no final do filme. Em seus momentos finais, Tommy pede a Duke que atire nele. Um momento simbólico em que ele escolhe morrer em seus próprios termos e, ao fazer isso, torna Duke o novo líder dos Peaky Blinders.

Embora o filme marque o encerramento da história como a conhecemos, não é o fim do universo da série. Dois spin-offs estão planejados para continuar explorando a família Shelby em Birmingham, na década de 1950. Sabendo disso, o longa-metragem agora parece quase uma ponte para a nova fase televisiva da série.

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