O biógrafo pintou um retrato diferente do ator 46 anos após sua morte: "Até os liberais adoravam trabalhar com ele."
Já se passaram 46 anos desde que John Wayne, lenda do faroeste, faleceu vítima de câncer. A morte ocorreu em 1979, pouco depois de sua última aparição pública, quando entregou um prêmio na cerimônia do Oscar daquele ano. Seu último filme, O Último Pistoleiro, havia estreado três anos antes.
Quase meio século após sua morte, o ator permanece uma verdadeira lenda de Hollywood, detentor de um recorde que nenhum outro ator conseguiu quebrar: o de ator com o maior número de papéis principais na história. Ao longo dos anos, diversas biografias foram publicadas sobre a estrela do faroeste, e muitos que tiveram a oportunidade de cruzar seu caminho compartilharam anedotas sobre sua personalidade.
John Wayne: Uma lenda controversa
E foi assim que o mito de John Wayne acabou sendo construído: um ator talentoso que levava seu trabalho muito a sério, com uma predileção doentia por álcool, uma atitude rude e desagradável e uma postura política absolutamente conservadora que, por vezes, o levava a não ter vergonha de fazer declarações públicas profundamente problemáticas. No entanto, Scott Eyman, autor da biografia John Wayne: The Life and Legend, afirmou em uma entrevista recente à Woman's World que a personalidade de Wayne nem sempre correspondia à imagem que perduraria no imaginário coletivo.
Eyman conheceu John Wayne em 1972, muito antes de publicar a biografia, mas o encontro causou uma impressão duradoura nele, deixando claro que ele queria escrever sobre cinema um dia. Ele escreveu cartas para vários veteranos de Hollywood na esperança de entrevistá-los, e Wayne permitiu que ele o visitasse em seu camarim durante as filmagens de um filme.
O homem por trás das câmeras
"Se eu não o tivesse conhecido, provavelmente não teria escrito o livro. Durante as horas que passei conversando com ele, descobri uma interessante diferença entre quem ele era como pessoa e o personagem que interpretava. Não foi uma coincidência completa – certamente havia alguma sobreposição –, mas ele era muito mais reflexivo como pessoa do que seu personagem na tela. Ele era muito mais contemplativo do que seus personagens. Sua linguagem corporal era diferente pessoalmente do que na tela."
A reunião acabou sendo longa, e o motivo surpreendeu Eyman: como Wayne não gostava de ficar sozinho, ele passou todo o intervalo com ele: "O que eu não sabia era que ele detestava ficar sozinho. Ele gostava de ter pessoas por perto, e parte do trabalho de Mary St. John [sua secretária] era ocupar o dia dele para que ele não ficasse sozinho no camarim. A maioria dos atores não gosta que o público se aproxime, mas ele conversava com quase qualquer pessoa." Esse fato contrastava claramente com a imagem que ele tinha de um homem reservado e intimidador.
Além disso, o biógrafo destaca que, apesar das opiniões políticas de Wayne, "a maioria das pessoas, até mesmo os liberais, adorava trabalhar com ele porque ele era um ator muito bom e dedicado". De qualquer forma, ninguém pode apagar algumas de suas declarações mais desagradáveis que lhe trouxeram fama...