O ator e cineasta é bastante claro quanto a isso.
Desde os primórdios do cinema, o faroeste sempre foi um dos gêneros mais emblemáticos de Hollywood, e cada época teve seus próprios ícones que definiram um estilo e uma iconografia específicos. Por exemplo, na era do cinema mudo, figuras como Tom Mix e Harry Carey representavam duas maneiras distintas de compreender o gênero: o primeiro como um espetáculo heroico repleto de acrobacias e ação, e o segundo com personagens moralmente ambíguos que antecipavam o conceito moderno de anti-herói.
Com o tempo, o gênero evoluiu e encontrou novas estrelas capazes de redefini-lo para cada geração. Primeiro veio o domínio de John Wayne no cinema clássico de Hollywood, e depois a revolução estética do faroeste spaghetti europeu, que lançou definitivamente Clint Eastwood ao estrelato. Com esses atores e seus filmes, o gênero se transformou sem perder sua essência: histórias sobre justiça, violência e moralidade que, em última análise, se tornaram uma das formas de arte mais distintivas do cinema americano.
A lenda de Clint Eastwood
Após um início irregular em Hollywood, Eastwood viajou para a Europa para trabalhar com o diretor italiano Sergio Leone na aclamada Trilogia dos Dólares, que redefiniu o gênero com um tom mais violento, estilizado e moralmente ambíguo.
Assim, após se consolidar como estrela, Eastwood continuou a expandir seu legado com títulos como Os Aventureiros do Ouro, O Estranho Sem Nome, O Cavaleiro Solitário e Os Imperdoáveis – este último lhe rendeu um Oscar de Melhor Diretor.
Sobre sua ligação com o gênero, o próprio Eastwood explicou: "Eu me sinto muito ligado ao Oeste americano. Honestamente, os Estados Unidos não são como a Europa. Não há muitas formas de arte originais aqui. A maioria delas deriva de formas de arte europeias. Além do faroeste, do jazz e do blues, isso é praticamente tudo o que é verdadeiramente original."