Toy Story 5 coloca Jessie como protagonista em história emocionante e atual sobre tecnologia
por Bruno Botelho dos SantosQuando foi lançado em 1995, Toy Story - Um Mundo de Aventuras mudou completamente a história do cinema, estabelecendo as animações 3D como um modelo a ser seguido. Com seu sucesso e lançamento das sequências Toy Story 2 (1999) e Toy Story 3 (2010), ele formou uma das melhores trilogias de todos os tempos, nos dando de presente um encerramento emocionante da jornada de Andy no terceiro filme.
Por isso, quando a saga retornou anos depois em Toy Story 4 (2019), muitos fãs ficaram frustrados com esse novo capítulo, afirmando que ele teria estragado uma conclusão perfeita para a jornada dos brinquedos. Consigo entender as críticas da época, mas ainda acho que o filme traz uma aventura divertida para Woody, Buzz e companhia, por mais que não tenha a história mais original de todas.
Como nenhuma franquia pode acabar em Hollywood e a Pixar tem apostado em continuações de seus clássicos, chegamos em Toy Story 5 (2026). Por mais desconfianças que poderiam ter, o novo filme mostra a força que esses personagens têm e foi construída ao longo de décadas nas telonas, trazendo uma discussão de tecnologia de forma muito acertada e relacionada ao universo dos brinquedos.
Qual é a história de Toy Story 5?
No quinto filme, os brinquedos precisam lidar com a chegada da tecnologia. Agora com 8 anos de idade, Bonnie descobre um novo passatempo: o tablet Lilypad, um dispositivo que consegue criar mundos virtuais inteiros prendendo sua atenção e a distanciando dos brinquedos. Jessie tenta manter todos unidos e esperançosos, mas quanto mais tempo Bonnie passa com Lilypad, mais os brinquedos entram em desespero. É nesse contexto que Woody retorna, mais velho e experiente, e tenta fazer tudo que pode para ajudar seus amigos a conseguirem lidar com essa nova realidade.
Com tecnologia servindo de ameaça, Toy Story 5 é um manifesto pela imaginação
Toy Story 5 acerta em cheio ao trazer a temática de tecnologia para sua história, conseguindo encaixar de forma criativa e natural essa discussão no universo de brinquedos da Pixar.
A chegada da tablet Lilypad faz com que as crianças mudem suas formas de brincar, deixando de lado os brinquedos antigos pelas telas. O roteiro escrito por Andrew Stanton e McKenna Harris explora como essa transformação impacta nossos personagens queridos, pelo medo de serem abandonados para sempre, principalmente Jessie. Um sentimento relacionável pela ameaça da tecnologia, mas o filme traz complexidade e faz questão de não mostrar Lilypad como uma vilã unidimensional, reforçando que sua intenção também é fazer Bonnie feliz – mesmo com métodos diferentes.
O mais interessante é como Toy Story 5 não apresenta uma discussão antiquada e, na verdade, propõe um equilíbrio saudável. Em um mundo dominado por telas, as crianças não podem se tornar reféns da tecnologia e perder outras formas de brincar – e exercitar sua criatividade. O filme é um grande manifesto pela imaginação, o que é uma mensagem poderosa em tempos de inteligência artificial e algoritmos.
O poder da imaginação é evidenciado pela direção, também de Stanton e Harris, que brincam com a animação, alternando para uma técnica 2D estilizada quando as crianças estão brincando, uma visão que parece sair diretamente da mente delas. Em paralelo à trama principal, acompanhamos um exército de Buzz Lightyear em uma missão. Essas sequências atrapalham um pouco o ritmo narrativo, mas nos recompensam mais tarde quando os personagens se juntam ao grupo principal.
Jessie é protagonista de Toy Story 5 em história emocionante de amadurecimento
Depois de mais de 30 anos, Toy Story 5 tem um novo protagonista, ninguém menos que Jessie. Desde que ela foi apresentada em Toy Story 2, se tornou uma das personagens favoritas dos fãs e agora ganha um destaque necessário para brilhar ainda mais.
No segundo filme conhecemos a história de Jessie, que foi abandonada por sua antiga dona Emily, mas o novo filme se aprofunda no trauma da vaqueira enquanto o medo da rejeição surge novamente com a chegada da tecnologia e Lilypad. É mais do que merecido esse protagonismo e, assim como acompanhamos um arco de transformação de Woody ao longo dos anos, aqui temos uma jornada de amadurecimento e liderança da personagem fazendo as pazes com seu passado, o que promete arrancar lágrimas.
Enquanto isso, Buzz é o principal coadjuvante da trama e entrega algumas das sequências mais fofas e descontraídas, principalmente pelo seu romance com Jessie e também sua relação de parceria com Woody. Falando nele, o cowboy aparece bem menos do que estamos acostumados. Ele está em outro momento de sua vida e não mora mais com Bonnie, mas tem um papel central em passar sua experiência – inclusive no visual, calvo e com barriga de cerveja – e ajudar seus amigos.
Assim como tivemos Garfinho no filme anterior, a melhor novidade de Toy Story 5 ao lado de Lilypad é Amigo Rolinho, um dispositivo tecnológico que ensina crianças a irem ao banheiro. Com seu estilo frenético e debochado, o personagem injeta uma energia caótica que funciona muito bem na narrativa e rende os momentos mais hilários da produção. Por outro lado, os brinquedos clássicos, como Sr. Cabeça de Batata e Rex, têm pouco espaço e servem apenas como alívio cômico em cenas pontuais.
Vale a pena assistir Toy Story 5?
Sequências de franquias clássicas sempre dão medo, mas Toy Story 5 comprova a capacidade que esse universo da Pixar – e personagens – ainda tem de render ótimas histórias, conversando com novas gerações e sendo relevante para temas atuais.
O filme entra na discussão de tecnologia e ameaça das telas para reforçar sua mensagem pela busca da imaginação das crianças e equilíbrio saudável. Enquanto a chegada da Lilypad coloca em risco a existência dos brinquedos que tanto amamos, Jessie finalmente ganha protagonismo em uma trama comovente de amadurecimento. É impossível não se emocionar, ao mesmo tempo que os personagens também são garantia de muitas risadas. É Toy Story fazendo seu melhor, tocando nossos corações com uma história que realmente tem algo a dizer.