Críticas AdoroCinema
2,5
Regular
Jurassic World: Domínio

Nostalgia não esconde cansaço da franquia

por Bruno Botelho

Steven Spielberg encantou o público e marcou uma geração com o lançamento de Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993), baseado no livro de Michael Crichton, considerado um dos maiores clássicos do cinema e se tornou a maior bilheteria da história até o lançamento de Titanic (1997). O sucesso do filme rendeu duas continuações, O Mundo Perdido: Jurassic Park (1997) e Jurassic Park 3 (2001).

Muitos anos depois a franquia teve um recomeço com Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (2015), estrelado por Chris Pratt e Bryce Dallas Howard, que acompanha o interesse de Hollywood por soft reboot – que funciona como uma reinicialização, mas sem realmente se livrar de uma antiga continuidade de filmes anteriores. Tinha início uma nova trilogia seguida por Jurassic World: Reino Ameaçado (2018) e que tem como capítulo final Jurassic World: Domínio (2022), com o retorno dos protagonistas de Jurassic Park.

Qual é a história de Jurassic World: Domínio?

Em Jurassic World: Domínio, os dinossauros circulam livres pelo mundo humano quatro anos depois da destruição da Isla Nublar no filme anterior. Alguns deles conseguem coexistir de forma pacífica em sociedade, outros não. Também surgem problemas como desastres ecológicos causados por gafanhotos gigantes devoradores de plantações, que segundo uma conspiração pode estar relacionada com uma empresa farmacêutica liderada pelo cientista bilionário Lewis Dodgson (Campbell Scott).

Desta forma, os ex-funcionários do parque dos dinossauros, Claire Dearing (Bryce Dallas Howard) e Owen Grady (Chris Pratt) precisam recuperar Maisie (Isabella Sermon), que foi sequestrada por ordem de Dogson. Enquanto isso, para ajudar nessa investigação da empresa e suas ações controversas, temos o retorno do trio de protagonistas da trilogia original de Jurassic Park: Dra. Ellie Sattler (Laura Dern), Dr. Alan Grant (Sam Neill) e Dr. Ian Malcolm (Jeff Goldblum) – que havia aparecido no filme anterior.

Trio original de Jurassic Park rouba a cena em seu retorno 

É bom demais ver o retorno de Laura Dern, Sam Neill e Jeff Goldblum, trio que rouba a cena de Jurassic World: Domínio por causa do carisma e suas interações que nos remetem diretamente aos melhores momentos da franquia, na trilogia de Jurassic Park. A presença deles é marcada pela nostalgia, que funciona ao revisitar esses personagens décadas depois, reforçada pela sensação de despedida.

Eles aparecem para investigar os desastres ecológicos causados por gafanhotos gigantes devoradores de plantações, indo até a farmacêutica Biogenics de Lewis Dodgson, situação que claramente foi criada para a inserção dos personagens clássicos no filme e para eles se encontrarem com os novos mais na frente. Enquanto isso não acontece, a trama deles fica dividida com outro arco principal, da busca de Claire e Owen por Maisie. Chris Pratt e Bryce Dallas Howard estão bem, mas sofrem com um material pobre para desenvolver seus personagens, atuando apenas como astros de ação fugindo de dinossauros.

Entramos nas piores partes de Jurassic World, quando elementos e discussões clássicas da franquia como ecologia, ética e relação com a ciência – por mais que estejam batidos – são deixados de lado e partimos para cenas de ação ininterruptas em uma caçada desinteressante e cansativa, que resolve usar os dinossauros apenas nesse propósito de evidenciar o perigo em cada tomada. No final das contas, os roteiristas encerram a história da nova trilogia de forma insatisfatória, com soluções fáceis e inverossímeis.

Fim da trilogia Jurassic World mostra cansaço da franquia e apela para nostalgia

Quando o primeiro Jurassic Park estreou nos cinemas, se destacou bastante pelo senso de novidade e também pela capacidade de despertar as mais diferentes emoções e sensações no público – elementos notáveis na maioria dos filmes de Steven Spielberg, desde o encantamento e a diversão pela presença dos dinossauros gigantes até o medo pelo perigo que poderiam representar, caso emblemático do T-Rex.

O principal problema da trilogia Jurassic World é que ela nunca representou um recomeço para a franquia como era realmente sua proposta inicial, mas progressivamente foi se tornando menos inventiva em comparação com com três filmes originais, com a mesma fórmula repetida e apelo à nostalgia dos fãs.

Jurassic World: Domínio é a prova de todos esses problemas. Como conclusão de uma trilogia, o roteiro escrito por Emily CarmichaelDerek Connolly e Colin Trevorrow (também diretor e produtor do longa) nunca convence como uma história original e, pior do que isso, deixa em segundo plano diversos elementos interessantes a serem explorados, como o fato dos dinossauros estarem espalharados pela Terra. Eles focam em uma narrativa fragmentada, pouco criativa e desgastada, que investe apenas em cenas de ação e aventura mirabolantes e precisa sobreviver com o carima de Laura Dern, Sam Neill e Jeff Goldblum.

Mesmo com roteiro fraco, dinossauros e efeitos especiais ainda impressionam

Jurassic Park ficou marcado pela presença de dinossauros, efeitos especiais impressionantes aliados a cenas de ação, aventura e suspense de tirar o fôlego, uma experiência cinematográfica que ainda se mantém em diversos momentos de Jurassic World: Domínio, mesmo com enormes problemas de roteiro.

O diretor Colin Trevorrow não mostra muita criatividade em relação às cenas de ação quando comparadas com todos os filmes anteriores, mas ainda assim apresenta momentos empolgantes e tensos quando os dinossauros são bem utilizados de forma ameaçadora. Sem dúvida alguma, os efeitos especiais de primeira linha, cenas de ação e nostalgia pela trilogia original irão agradar e até mesmo emocionar os fãs.

Jurassic World: Domínio é uma conclusão amarga para essa nova trilogia, que mostra um cansaço da franquia e tenta disfarçar isso com elementos nostálgicos aos fãs. O principal deles, obviamente, é a volta dos protagonistas de Jurassic Park, que são o maior destaque do filme em suas interações e carisma, mas não conseguem evitar uma bagunça, com uma história desinteressante e sem criatividade na maior parte de suas quase duas horas e meia de duração.