Críticas AdoroCinema
2,5
Regular
Os Acompanhantes

Seres exóticos

por Lucas Salgado

Há algo bem curioso em Os Acompanhantes. O filme possui personagens e momentos interessantes, mas, no geral, falha as despertar o interesse do público. A afirmação pode parecer paradoxal, mas é isso mesmo: você se diverte com as situações, mas ao final fica com a sensação de que aquilo não lhe acrescentou nada.

Dirigido pela dupla Shari Springer Berman e Robert Pulcini, o longa escapa de ser uma tragédia total por causa de seus protagonistas, em especial Kevin Kline, que já havia demonstrado todo seu potencial cômico em produções como Um Peixe Chamado Wanda e Será Que Ele É?. O ator vive um tipo inusitado, que em alguns momentos parece saído do início do século XX, principalmente por causa das opiniões conservadores. Por outro lado, ele também se mostra à frente de seu tempo ao arriscar alguns passos de dança inacreditáveis. Seu personagem, Henry Harrison acolhe em seu pequeno apartamento o escritor Louis Ives, que decide tentar a sorte em Nova York.

Ives é vivido pelo jovem e talentoso Paul Dano, que lembra um pouco sua atuação em Pequena Miss Sunshine. O papel em nada lembra o filme citado, mas aqui ele também caminha bem entre o drama e a comédia.

The Extra Man (no original) conta com um ótimo trabalho de direção de arte e figurino, que colabora para fazer do filme algo mais atemporal possível. O longa não esconde o fato de ser passado no tempo presente, mostrando carros e computadores modernos, mas ao tentar destacar personagens exóticos é importante que o meio em que estão inseridos não seja totalmente contraditório a suas realidades.

O elenco conta ainda com as presenças de Katie HolmesJohn C. Reilly. A atriz interpreta a colega de trabalho de Dano, pela qual ele se interessa. Já o ator vive um faz-tudo que morra no mesmo prédio de Kline e que tem uma estranha relação com todos a sua volta. Ao final, o longa ainda insere uma série de personagens pouco importantes e demonstra toda sua fraqueza de roteiro.

Contando com uma trilha sonora discreta e com uma direção de fotografia sem brilho, a produção talvez esteja destinada ao esquecimento. E, em vista das performances de Kline e Dano, isso pode ser considerado uma pena.