Críticas AdoroCinema
4,0
Muito bom
Velozes & Furiosos 4

PEÇAS ORIGINAIS. COMBUSTÍVEL ADITIVADO.

por Roberto Cunha

Mais uma seqüência chega aos cinemas e sempre bate aquela sensação de que o destino do público agora é ver adaptação de quadrinhos, refilmagem ou... seqüências. Mas apesar do sinal de alerta ligado, Velozes & Furiosos 4 era aguardado porque marca o retorno dos personagens do primeiro filme. E para a felicidade dos fãs, e daqueles que sequer viram um dos três, a essência não se perdeu.

A abertura de tirar o fôlego não nega suas origens e influências. É um senhor cartão de apresentação. Com uma seqüência visivelmente inspirada em Mad Max, Dominic (Vin Diesel), Letty (Michelle Rodriguez) e seus comparsas tentam roubar um enorme caminhão de gasolina em movimento, em pleno deserto. E aqui cabe um aviso: se você tem algum tipo de restrição com as mentiras, pode pisar no freio. Velozes & Furiosos 4 tem um monte delas. Mas são as licenças "poéticas" para que filmes assim possam ser realizados e ponto final. Aliás, dois pontos: diversão e adrenalina.

Dada a largada da história, o roteiro engata a segunda, apresentando a trama que vai ser o combustível da história. Dom é avisado que o FBI descobriu seu paradeiro, depois de cinco anos, e decide deixar o grupo. Mas um assassinato cometido por um poderoso traficante de drogas acende no anti-herói a chama da vingança. Enquanto isso, o agente do FBI Brian O'Connor (Paul Walker) aparece perseguindo um criminoso a pé pelas ruas, escadas e telhados de prédios de Los Angeles numa sequência que lembra muito Caçadores de Emoção. E o que ele busca vai fazer com que seus caminhos se cruzem novamente: o mesmo traficante.

Sob o pretexto de trabalhar para a organização como mulas "bem motorizadas", transportando drogas do México para os Estados Unidos, os dois se candidatam ao "cargo", não sem antes disputarem uma vertiginosa corrida pela vaga. As cenas pelas ruas de L.A. são muito bem elaboradas e incorporaram de vez a tecnologia do GPS. Parece um jogo. Só que perigoso. Uma coisa legal é que Velozes & Furiosos 4 traz de volta o Charger RT de Dom e outros "muscles cars" como um Chevelle SS, um Gran Torino e um Camaro. Nada contras os orientais Nissan e Subaru, mas enquanto esses parecem "tunados", os americanos sintetizam bem a antiga expressão em português "carros envenenados".

O destaque fica para as ótimas seqüências aéreas e com câmeras acopladas nas perseguições nas ruas, no deserto e "dentro" das montanhas. O filme usa os mesmos acessórios dos anteriores como efeitos especiais, mulheres, carros e música, trilhando pelo hip hop americano e latino. Uma mancada, sem dúvida, foi colocar nos créditos finais o aviso de que tudo foi feito com segurança e por profissionais, com ruas devidamente preparadas para o filme, blábláblá. Se for para avisar tem que ser no começo. No fim e escondido é o mesmo que nada.

Apesar do diretor Justin Lin (Velozes e Furiosos - Desafio em Tóquio) não ser o mesmo do primeiro, Velozes & Furiosos 4 serviu para mostrar uma coisa: os dois atores, embora não formem um par romântico, têm química em cena. Dom tem cotovelo de aço (não se machuca), O'Connor tem rosto de ferro (ferimento zero) e o roteiro tem vários parafusos a menos, mas tudo se encaixa. Diesel voltou como ator e produtor. E ficou claro que a franquia ainda tem asfalto pela frente e pneu para queimar. A brecha para o quinto filme foi deixada. É esperar o sinal verde e acelerar.