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    Afinal, A Maldição da Mansão Bly e Residência Hill podem ser definidas apenas como histórias de terror?
    Por Barbara Demerov — 9 de out. de 2020 às 17:30
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    É claro que elas assustam (até demais), mas as mensagens contidas em cada história não estão relacionadas a fantasmas.

    A Maldição da Residência Hill aterrorizou e conquistou milhares de pessoas pelo mundo com uma história repleta de aparições fantasmagóricas e jumpscares. Em A Maldição da Mansão Blyque reforça a antologia da Netflix criada por Mike Flanagan, o público poderá acompanhar mais uma narrativa com boas doses de sustos, mas ao mesmo com fortes mensagens sobre família, luto, perdão e memórias.

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    Não que Residência Hill não trabalhe em sua narrativa estes exatos temas (que possuem tanto peso por serem reais e essencialmente humanos), mas é fato que a primeira temporada, focada especialmente nos irmãos Hill e nas assombrações que os perseguem, se apoia na tensa atmosfera para, só depois, deixar claro que a construção da primeira camada de terror era o que estava apenas na superfície. O que está embaixo dela diz muito mais sobre a essência das produções num aspecto geral.

    Mansão Bly inverte este padrão ao trabalhar menos o terror em si para costurar uma trama mais centrada em dramas pessoais e traumas do passado, sem tirar do caminho elementos de romance gótico e, claro, situações assustadoras e bem inseridas no cenário total.

    Antologia de Mike Flanagan impulsiona a narrativa através do terror, mas a mensagem final sempre está relacionada a sentimentos universais

    É justamente quando o espectador ultrapassa esta blindagem repleta de horror, cenários escuros e horripilantes e de sensação de impotência diante da morte que a antologia de Flanagan entra em um território universal. Afinal, o time de roteiristas trata com tamanha sensibilidade questões pelas quais todos passam eventualmente na vida: o fato de perder alguém que se ama e como aprender a lidar com isso.

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    Ou seja: uma vez ultrapassado o véu que separa o terror do drama, as duas produções originais Netflix podem não se enquadrar exatamente como histórias de horror. Com personagens tão bem desenvolvidos -- especialmente Dani (Victoria Pedretti) em Mansão Bly --, o foco acaba por recair na humanização do terror, trazendo, assim, reflexões profundas a partir do desenvolvimento de cada personagem em suas histórias individuais.

    Mas, além disso, cada fantasma que habita ambas as residências também ganha um pano de fundo, e a humanização citada acima também se enquadra nos próprios espíritos que, em outras produções, poderiam muito bem ser resumidos como criaturas diabólicas, sem empatia. Em Residência Hill e Mansão Bly, eles são personagens reais, com qualidades e defeitos, formando arcos completos e não ocupando lacunas para assustar.

    Por isso, definir ambas as séries apenas como "terror" reduz o verdadeiro significado contido nos detalhes capazes de ultrapassar qualquer susto repentino ou plot-twist surpreendente. Por trás das assombrações que rondam aqueles belos locais, acredite: vale a pena observar tudo com atenção, por mais que o susto venha antes que a reflexão.

    Só desta forma você poderá ver com clareza a verdadeira intenção de Flanagan. Afinal, para o realizador, o medo não surge por conta do desconhecido, mas sim pelo que ele é capaz de revelar. No círculo de suas histórias, a perturbação e a comoção andam de mãos dadas.

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