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    Game of Thrones S07E05: Atalaialeste, informação demais para tempo de menos
    Por Laysa Zanetti — 14/08/2017 às 02:52
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    Nossa crítica do episódio 'Eastwatch'.

    Foi muita informação para 1h de episódio, não? Rapaz…

    Desde o início da sétima temporada, Game of Thrones prometia três coisas para este ano: dragões, o Rei da Noite e duas guerras paralelas. Levou um tempo, porque afinal de contas não é tão simples reduzir o amontoado de histórias a três ou quatro arcos que se entrecruzam, mas eventualmente estamos chegando lá. O que é, definitivamente, bom para o desenvolvimento como um todo, mas deixa algumas consequências negativas no caminho.

    Após uma avalanche de episódios que só melhoraram semana após semana desde ‘Dragonstone’, o antepenúltimo se destaca no sentido negativo, como o mais fraco da temporada. Não porque não tenha sido recheado de acontecimentos importantes e uma parte essencial para a completude da trama, mas porque o faz de forma muito apressada, extremamente burocrática e contraditória para vários personagens.

    Game of Thrones S07E04: Os Espólios de Guerra

    Há, é claro, aqueles tradicionais grandes momentos que tomam conta das conversas na internet, como alguns reencontros (e neste caso, foram muitos!) e uma piadinha aqui, outra acolá — só faltou Sor Davos (Liam Cunningham) olhar para a câmera e dar uma piscadela depois de dizer a Gendry (Joe Dempsie) que ‘achava que ele ainda estava remando’. Mas o fato é que tantos acontecimentos — e tantas viagens, aliás — demandam um certo tempo e precisam ser sentidas na narrativa de maneira eficaz — o que não acontece.

    Neste episódio, por exemplo, Sor Jorah (Iain Glen) chegou a Pedra do Dragão, Tyrion (Peter Dinklage) e Davos foram e voltaram de Porto Real, Bran (Isaac Hempstead-Wright) enviou corvos de Winterfell à Cidadela e a Pedra do Dragão, e depois de tudo isso, Jon ainda retornou à Muralha na companhia de Davos e Jorah. Cada uma dessas viagens foi pontuada com várias decisões, o que as torna naturalmente importantes para o decorrer da trama, mas tudo é tão apressado que não é possível sentir a passagem do tempo, tampouco entender o real motivo por que estão sendo tomadas, se não unicamente porque o roteiro anuncia que precisa ser assim.

    O tempo, neste quesito, é o maior inimigo do episódio. Não dizemos necessariamente de as viagens acontecerem tão rapidamente — isso já virou piada batida na internet —, mas porque condensa tudo isso em um único episódio, fica a impressão de que são todos pontos de virada que se acumularam sem lugar na sala dos roteiristas, e por isso ‘sobraram’ em um único episódio que precede o penúltimo, tradicionalmente rico e bastante aguardado.

    O episódio exige atenção dobrada, talvez até mesmo pela aparição mais destacada de personagens menores; é claro que exigir um certo nível de atenção do público não é um problema, mas torna-se cansativo quando todo o texto soa como um enorme amontoado de acontecimentos que precisam obrigatoriamente se desenrolar, mas que são, no fim das contas, apenas intermeio para os grandes eventos que virão a seguir.

    Se pudéssemos inferir uma grande passagem de tempo dentro de ‘Eastwatch’, para fazer sentido com relação ao tamanho físico do continente de Westeros e as condições de viagem, seria aproximadamente um ano. Guerra leva tempo.

    Haja tempo.

    Neste meio tempo, os nortenhos naturalmente se sentiram incomodados pela ausência do Rei do Norte, Jon Snow (Kit Harington) — da qual discordavam desde o início. Enquanto isso, Sansa (Sophie Turner) cumpre o seu papel de Senhora de Winterfell ouvindo as demandas e apaziguando os ânimos de forma a manter as casas unidas. Tudo certo, não?

    A maneira como o episódio coloca Arya (Maisie Williams) e Sansa de lados opostos neste ponto chega a ser ofensiva para aqueles que acompanham atentamente as evoluções das duas personagens e entendem de onde cada uma vem. É certo que elas cresceram diferentes ao longo dos últimos anos, desde a primeira temporada; Sansa cresceu para ser uma líder política, e Arya para ser uma arma vingativa. Que elas analisem a situação de formas diferentes é perfeitamente natural, mas há uma tentativa forçada do roteiro de vilanizar Sansa, ou criar tensão entre as irmãs Stark, com uma desavença que é completamente exagerada. A ‘teimosia’ distorce tudo o que Arya em teoria guarda de ensinamento da forma como seu pai comandava o Norte,  e incentiva o público a escolher um lado e comparar uma irmã à outra — o que diminui as duas personagens e ridiculariza todo o bem-arquitetado pensamento estratégico de Sansa.

    Com qual objetivo, mesmo?

    A grande revelação do episódio, no entanto, passa quase despercebida em uma cena simples de Sam e Gilly (Hannah Murray). A garota acha um documento que trata da anulação de um casamento — o de Príncipe Rhaegar com Elia Martel, fica subentendido — feita pelo Alto Septão em Dorne, e imediatamente na sequência ele foi unido em matrimônio com outra pessoa. O que isso significa?

    Muita coisa. Muita coisa, mesmo.

    Rhaegar é o pai verdadeiro de Jon Snow, e a sua ‘união’ com Lyanna Stark, tratada oficialmente como um sequestro pela história de Westeros, foi o que deu origem à Rebelião que colocou Robert Baratheon no poder. Mas o Príncipe era casado com Elia Martel — a irmã de Oberyn por quem ele queria vingança contra Gregor Clegane, lembra? —, com quem inclusive tinha dois filhos: Rhaenys e Aegon. A mãe e as crianças foram mortas a mando de Robert para que não sobrasse nenhum pretendente Targaryen ao Trono de Ferro, e porque Jon não era fruto de um casamento, continuava sendo um bastardo, mesmo que sua mãe fosse uma Stark e seu pai, um Príncipe Targaryen.

    A anulação do casamento de Rhaegar e Elia, e o consequente casamento dele com outra pessoa (vamos pular para a conclusão óbvia e dizer que é Lyanna) estabelece Jon como um filho legítimo, e estabelece que ele tem direito de reivindicar o Trono de Ferro.

    O problema é o quanto essa decisão do roteiro deslegitima toda a história do personagem e das ‘Crônicas de Gelo e Fogo’.

    É possível perdoar (ou propositalmente ignorar) a discrepância de um diário pessoal do Alto Septão estar da Cidadela — Meistres não têm relação alguma com a Fé —, mas vamos exigir o mínimo de coerência no roteiro para uma decisão tão importante quanto esta; como aconteceria a anulação de um casamento consumado e que gerou duas crianças? Mais do que isso, a anulação do casamento de um Príncipe necessitaria da autorização do Rei, o que seria completamente inviável em meio à guerra. Mergulhando no cânone literário, não há registro de nenhuma anulação deste tipo, por exemplo. Além disso, qual é a real legitimidade de um casamento ‘secreto’, já que não há testemunhas?

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    Os argumentos acima podem até mesmo ser interpretados como exagero, mas há outros: que sentido faria o Alto Septão Maynard não ter contado deste casamento para o Rei Robert? E por que, de todas as pessoas de Westeros, Lorde Varys (que sabe de todas as coisas) não saberia disso?

    É uma solução arbitrária, que passa por cima de todo e qualquer detalhe, com o único objetivo de elevar a imagem de Jon. Não haveria problema nisso, também, mas há de se observar que o ato retira do bastardo a essência que o fez quem é; a história de George R.R. Martin é recheada de personagens ora menosprezados e que encontraram nos seus ‘defeitos’ seus pontos fortes:

    Tyrion, por ser anão; Arya, por ser alvo de piadas pelo seu jeito brusco e por sua aparência; Jon, por ser o bastardo em meio a cinco filhos legítimos; Sor Davos, por ter saído do nada e se transformado na Mão do Rei Stannis; Daenerys, que era apenas uma garota sem casa e com um sobrenome que ‘já havia sido importante’; e tantos, tantos outros…

    Tirar a bastardia de Jon é um movimento para agradar os fãs do personagem (ou fazer o infame ‘fanservice’) em detrimento do roteiro; em uma análise um pouco mais aprofundada, é possível imaginar, talvez, que a série esteja colocando em Jon a história do Jovem Griff, personagem dos livros que não aparece na série. Suposições…

    De uma forma ou de outra, parece que nenhum reclame ao Trono de Ferro é realmente importante, com o exército do Rei da Noite batendo à porta. Te cuida, Jon Snow.

    Episódio: 7.05 - Eastwatch
    Escrito por: Dave Hill
    Dirigido por: Matt Shakman
    Exibido originalmente em: 13/08/2017
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    Comentários
    • Kelly L
      Também tem uma questão que o cara que escreveu nem sabe, falando da anulação e do segredo nisso, Targaryens são obcecados com profecias, Aerys (Rei louco) não pretendia casar com Rhaella, casaram apenas porque uma bruxa apareceu e profetizou que o príncipe prometido nasceria da linhagem deles.Rhaegar era um menino que não gostava de luta, adorava ler e sempre era visto com diversos pergaminhos, um certo dia ele leu algo que mudou ele pra sempre, a partir disso ele passou a treinar dia e noite, se tornou bom porque dizia que o mundo precisaria dele, mas os anos passaram e ele passou a crer que seria seus filhos, então ele casou e teve dois filhos, Rhaenys e Aegon, uma visão da Dany na casa dos imortais ela vê quando ele batiza o filho, mas ele vira e fala Falta mais um, o dragão tem três cabeças. Um meitre havia falado que a saúde de Elia era frágil e que não aguentaria outra gravidez, então rolou toda a treta com Lyanna, ele queria que seu filho fosse legítimo, por isso casou com pressa, muitos acreditam que ele nem amava Lyanna, apenas precisava de outro herdeiro
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