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    AdoroNostalgia: Confira nossa crítica das sete temporadas clássicas de Gilmore Girls
    Por Katiúscia Vianna — 25/09/2016 às 08:53
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    Uma análise sobre a divertida jornada de Lorelai e Rory. Mas cuidado com possíveis spoilers!

    Faltam apenas dois meses para o lançamento de Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar, um revival que causou rebuliço nas redes sociais. Mas qual o motivo de tanta nostalgia ao redor de Lorelai (Lauren Graham) e Rory (Alexis Bledel)? Seja pelo divertido relacionamento entre mãe e filha, pelos loucos moradores de Stars Hollow, pelas rápidos diálogos, pela briga entre 'ships' numa época em que esse termo ainda nem existia ou pela clássica música de abertura, a série criada por Amy Sherman-Palladino marcou a história da TV.

    Neste novo quadro, o AdoroCinema faz uma análise geral de Gilmore Girls. Atenção: esteja com sua maratona em dia, pois há SPOILERS! 

    Tudo que o público precisa saber sobre a série é apresentado de forma efetiva no piloto. Você conhece o jeito extravagante e divertido de Lorelai, a sagacidade e timidez de Rory, as diferenças entre a vida delas e a rica rotina de Emily (Kelly Bishop) e Richard (Edward Herrmann), além dos excêntricos habitantes de Stars Hollow - com destaque para a instantânea química entre Lorelai e Luke (Scott Patterson), numa cena inicial que basicamente resume o relacionamento dos dois.

    A primeira temporada não aposta em grandes reviravoltas ou finais chocantes para segurar a atenção do espectador a cada semana. É de outra época da TV que estamos falando. Gradualmente, os episódios apresentam as pequenas descobertas de Rory - novo colégio, primeiro namorado, contato com os avós - ao mesmo tempo que constrói a personalidade de Lorelai, que, apesar de certa imaturidade emocional, é automaticamente irresistível, com muita inteligência, sarcasmo e alegria.





    Os diálogos rápidos poderiam assustar um espectador desavisado, porém ajudam a construir o aspecto natural da história. Apesar do clima bem-humorado (muito graças a incrível composição visual de Stars Hollow e com as trilhas clássicas formadas por "lá lá lá"), são momentos dramáticos como os dois aniversários de Rory e o ataque cardíaco de Richard que desenvolvem os personagens, afastando-os de estereótipos.

    Já outro momento brilhante da interpretação de Lauren Graham acontece no início do segundo ano, quando Lorelai passa por uma crise e decide fazer uma road trip com a filha. A cena final de "Red Light on the Wedding Night" traduz com perfeição o relacionamento entre Lorelai e Rory. Apenas algumas palavras e um olhar da mãe já é o suficiente para a jovem preparar as malas, sem mais explicações. Essa é uma qualidade que não muda ao longo dos episódios: a dinâmica entre as atrizes nunca decepciona.

    Curiosamente, essa temporada investe no desenvolvimento de um personagem sem o sobrenome Gilmore: Luke. O espectador passa a conhecer a história de sua família - representada até aqui pela figura do sobrinho rebelde Jess (Milo Ventimiglia). A partir deste momento, ele deixa de ser alguém unilateral, transitando entre diferentes emoções e camadas.



    No segundo ano, a chegada de Jess não muda apenas a vida de Luke, como também afeta o relacionamento de Rory e Dean (Jared Padalecki). O triângulo amoroso ganha bastante destaque por duas temporadas e funciona. Millo consegue segurar os paradoxos de seu personagem (quem mais seria capaz de deixar um leilao de cestas de piquenique emocionante?). O acidente de "Teach Me Tonight" - culminando em uma grande cena entre Graham e Patterson - coloca de forma natural como uma garota boazinha como Rory tentaria se aventurar com um "bad boy". Mas guarde essa informação para o futuro.

    O jogo amoroso vira a partir da maratona de dança do episódio "They Shoot Gilmores, Don't They?" - considerado um dos mais clássicos de Gilmore Girls. Infelizmente, é a partir daqui que a história de Dean começa a se perder. Um garoto bom querendo reconqusitar a amada é aceitável. Mas as atitudes dele começam a ser impulsivas e inconsequentes - uma característica que passa a acompanhar o personagem. Por sua vez, a saída abrupta de Jess no fim da terceira temporada deixa aquela sensação de história inacabada.

    Imagina como seria o twitter na época desse triângulo amoroso?


    Lorelai também cresce como personagem, ao analisar certas decisões de sua vida, relacionadas com seus pais e o pai de Rory, Christopher (David Sutcliffe). A temporada ainda traz novas facetas para as melhores amigas das protagonistas: Sookie (Melissa McCarthy) e Lane (Keiko Agena) ganham divertidas histórias - destaque para a participação de Adam Brody como Dave, namorado da coreana. Outro ponto alto é o surto de Paris (Liza Weil), que retrata bem as pressões sobre os jovens.

    "Those Are Strings, Pinocchio", episódio final do terceiro ano encerra a fase inicial de Gilmore Girls com chave de ouro. A formatura de Rory é emocionante e transmite mais uma vez como a relação de mãe e filha é a essência do show. Como não amar?



    A quarta temporada começa com um grande desafio nas mãos: retratar uma separação física entre Lorelai e Rory (agora na faculdade). É algo necessário, porém faz com que a história demore a engrenar - principalmente porque os problemas de Rory fogem do clima geral da atração. Porém, vale ressaltar que manter Paris foi um belo acerto. Por sua vez, Lorelai começa um relacionamento com Jason (Chris Eigeman), um casal que funciona na prática, mas não chega perto da aproximação da moça com Luke.

    Assim, personagens coadjuvantes brilham: Lane conquista sua independência, Kirk (Sean Gunn) segue bizarro mesmo com uma namorada, enquanto Michel (Yanic Truesdale) é a pior babá do universo. Porém, o destaque fica pela performance de Kelly Bishop na crise de Emily, trama desenvolvida com calma e graça.

    O capítulo final da quarta temporada é daqueles que fã nenhum pode colocar defeito.  A aguardada inauguração do Dragonfly Inn reune todos os habitantes de Stars Hollow, mostra uma chocante decisão de Rory e culmina num dos momentos mais aguardados pelos fãs: o beijo de Luke e Lorelai.

    ATÉ QUE ENFIM!!


    A espera foi grande, mas vale a pena! O início desse relacionamento é o destaque do quinto ano, com uma dinâmica bem construída, ao mesmo tempo que mantém as qualidades, manias e defeitos de ambos os lados dessa equação. Depois de tantos anos, os fãs mereceram ver essa dupla em perfeita sintonia, não é mesmo?

    Em contraponto, os conflitos de Emily e Richard trazem um novo frescor para os personagens e geram algumas das melhores sequências do show, num misto de drama e comédia. Inclusive, o destaque da quinta temporada fica pelo 100º episódio do show: "Wedding Bell Blues". Em apenas um casamento, a criadora Amy Sherman-Palladino consegue dosar os dramas românticos de suas protagonistas, os problemas da família Gilmore, um aguardado confronto entre Luke e Christopher e marca o início da nova fase para Rory. Isso sem falar na grande frase final de Lorelai: "You and me, we're done!" (Como não ficar arrepiado nesta parte?) Mais uma vez, o público não sabe se ama ou odeia Emily, mostrando como Gilmore Girls foge de resumir seus personagens em bonzinhos ou errados. São todos humanos, com defeitos e opiniões próprias.



    Já na vida amorosa de Rory surge o controverso Logan Huntzberger (Matt Czuchry). Esse é um daqueles personagens que você ama ou odeia, bem naquele estilo playboy galanteador.  Mas é inegável que o moço faz uma bela dupla com a jovem Gilmore e apresenta um melhor desenvolvimento do que os pretendentes anteriores.

    Só que os sérios problemas de Gilmore Girls começam por aqui. Ao contrário dos erros cometidos por ela segunda temporada, algumas escolhas de Rory são bem questionáveis  - principalmente sua crise ao fim da quinta temporada/início da sexta temporada. As atitudes, tanto da jovem como de seus avós, parecem bruscas e até irracionais. Separar mãe e filha foi uma péssima escolha, que acaba dividindo o show em duas tramas paralelas.

    E quando esta situação é resolvida, parece que há uma necessidade de conflito. Surge então April (Vanessa Marano) - um problema que seria facilmente resolvido com uma comunicação melhor e menos exageros de Luke e Lorelai, um retrocesso desnecessário para o casal. Por outro lado, a comédia segue com episódios marcantes: o retorno de Jess, a corrida contra o tempo para salvar o jornal de Yale, o jantar bipolar da família Gilmore (com um excelente trabalho de direção e edição, é preciso ressaltar) e o casamento de Lane são inesquecíveis.

    58 lugares e 62 coreanos!!!


    Na sétima temporada, a saída dos roteiristas Amy Sherman-Palladino e Daniel Palladino é sentida na trama, que começa a tomar rumos completamente inesperados. Lane gravida? Lorelai e Christopher juntos? E... qual a história da Rory no início da temporada, mesmo? Infelizmente, são poucos os momentos especiais dos episódios finais de Gilmore Girls - como a carta de Lorelai sobre Luke. Com o cancelamento, o show se encaminha para um encerramento apressado e quase aberto, porém satisfatório. A grande despedida promovida por Stars Hollow deixa um sorriso no rosto e o paralelo entre a cena final do piloto e o último momento do show é um toque gracioso.



    Em resumo, os grandes trunfos de Gilmore Girls são seus personagens. Lauren Graham entra em todas as listas de melhores mães das séries de TV até hoje por compor uma Lorelai divertida, amorosa, independente e maluca. Sua parceria com Alexis Bledel (que também é responsável por grandes momentos) é a alma da série, enquanto todos os atores coadjuvantes encontram seu momento de brilhar.

    Já a construção de uma cidade atemporal como Stars Hollow é tão envolvente, que fica até difícil listar apenas alguns eventos do local como melhores momentos. Seria fácil transformar este pessoal numa rotina de esquetes, para trazer alívios cômicos para a história. Porém o show consegue encontrar formas de desenvolver seus personagens coadjuvantes junto com suas protagonistas.

    Gilmore Girls não é uma série perfeita, mas transmite lições valiosas sobre família e traz uma certa magia que não se encontra todos os dias. Por mais que apresente problemas de ritmo e entre em curvas erradas, não é composta de grandes exageros e tragédias para atrair audiência. Você continua assistindo porque se importa com aqueles personagens... e quem não gostaria de morar em Stars Hollow? Que venha Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar!


     


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