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    Festival de Brasília 2019: Narrativas amazônidas dirigidas por mulheres elucidam e emocionam
    Por Sarah Lyra — 30 de nov. de 2019 às 17:57
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    A Febre e O Tempo Que Resta foram ovacionados após suas exibições.

    Em tempos de intenso embate sobre o patrimônio natural e cultural brasileiros, potencializado pelo alarmante descaso com que o governo Bolsonaro vem tratando questões relativas à proteção ambiental e das comunidades tradicionais, o 52º Festival de Brasília deu espaço para dois importantes projetos se fazerem presentes: A Febre, de Maya Da-Rin, e O Tempo Que Resta, de Thaís Borges.

    O primeiro fala com sensibilidade e delicadeza sobre o sentimento de não pertencimento que os membros de comunidades indígenas têm ao migrar para centros urbanos. Na ficção, Justino (Regis Myrupu) é um índio que há 20 anos vive em Manaus, trabalhando como segurança no porto local. Sua filha Vanessa (Rosa Peixoto) é enfermeira em um posto de saúde e acaba de ser aprovada no curso de medicina da Universidade de Brasília. Em meio à decisão da filha, o protagonista é tomado por uma estranha e súbita febre, que funciona mais como um sintoma emocional do que físico. Confira nossa crítica.

    No documentário O Tempo Que Resta, Borges conta a história de Maria Ivete Bastos, moradora da comunidade de Carariacá, no Pará, e uma das lideranças na resistência à grilagem e à concentração de terras, comandadas por uma milícia latifundiária que não hesita em queimar casas, expulsar famílias e fazer ameaças de morte explícitas; e de Osvalinda Marcelino Pereira, agricultora que, ao lado do marido Daniel Pereira, tenta romper a dependência com a milícia responsável pela exploração ilegal de madeira na região do Projeto de Assentamento Areia, no oeste paraense.

    Tanto a ficção quanto o documentário foram muito bem recebidos pelo público do Cine Brasília, despertando inúmeras discussões sobre os personagens representados em tela e o papel do estado em assegurar a manutenção e sobrevivência dos povos.


    A Febre e O Tempo Que Resta concorrem ao troféu Candango em todas as categorias da Mostra Competitiva. Especula-se, inclusive, que chegarão com força na premiação. De um lado, Myrupu é o claro favorito ao prêmio de melhor ator, e se o longa sair com o troféu de melhor filme também não será uma grande surpresa. O documentário, por sua vez, tem sido cotado para as categorias técnicas, como direção de fotografia.

    A cerimônia de premiação e encerramento acontece neste sábado (30), no Cine Brasília.

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