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    O Garoto: Bruno Gissoni, Thaila Ayala e Vítor Fonsek protagonizam romance sobre escritor e garoto de programa (Visita a set)
    Por Vitória Pratini / Transcrição: Maria Clara Guedes — 20/11/2019 às 10:00
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    Sem levantar bandeiras, filme de Bruno Saglia (Diminuta) é ambientado em Petrópolis.

    Mariana Catalane / SG! Company Filmes

    Petrópolis, no Rio de Janeiro, foi palco das filmagens de O Garoto, novo filme de Bruno Saglia, diretor também responsável por Diminuta e De Repente Eu Te Amo!. O AdoroCinema visitou o set do filme este ano, acompanhando uma cena gravada em uma das 68 locações do longa-metragem na Cidade Imperial. Conversamos com o elenco e a equipe sobre como foi ficar “imerso” no local durante dois meses, e administrar tantos sets de filmagem diferentes.

    Partindo de uma ideia que o cineasta teve quando estava no Festival de Veneza, na Itália, o filme acompanha João (Vitor Fonsek), um escritor que fez muito sucesso de crítica com seu primeiro livro e, por contrato, precisa entregar o segundo. Porém, ele vê o mundo desabar após perder o amor da sua vida. Preso em uma rotina, o autor resolve sair de sua zona de conforto em busca de inspiração e acaba conhecendo Breno (Bruno Gissoni), um jovem motociclista que possui um estilo de vida bem diferente do autor, trabalhando como garoto de programa.

    Locações
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    Subimos a serra para encontrar uma Petrópolis fria e ensolarada e chegamos em uma casa tradicional de Petrópolis, com inúmeros quartos, um charmoso jardim e belas mobílias clássicas. A locação serviu não somente para a casa do protagonista, João, mas também como base para a produção do filme: hospedagem para elenco e equipe; espaço para figurino, maquiagem e para que o diretor pudesse ensaiar as cenas com os atores. Além de ter uma cozinheira de primeira, com um ótimo papo e bolinhos de chuva divinos!

    O AdoroCinema acompanhou as filmagens de uma cena em que Tamara (Thaila Ayala), editora e melhor amiga de João, vai visitar o escritor em sua casa de madrugada. Curiosamente, na ocasião, a produção quis manter mistério: não pudemos registrar nada dentro da sala por conta de algumas obras de arte que serviram como pano de fundo para a sequência. Até mesmo a fotógrafa oficial da produção, Mariana Catalane, evitou imagens da ação e deixou a decoração como surpresa para os cinemas.

    A Cidade Imperial já tinha sido locação de um filme anterior de Bruno Saglia e foi escolhida desta vez por trazer um “charme de montanha” juntamente com o “urbano da cidade”, revelou o cineasta. “A primeira vez que filmei aqui, peguei Petrópolis Imperial e todos os cartões postais e, agora, foram 68 locações, o que nos deu muito trabalho”, disse o diretor em entrevista ao AdoroCinema. “Dessa vez, eu quis pegar os locais que até mesmo os moradores não percebem. A nossa missão foi passar pela cidade e achar cantinhos encantadores, buscar locações que tivessem essa historinha para contarmos porque o filme tem sua própria identidade no sentido geográfico”, comentou Saglia.

    Segundo a produtora executiva do longa-metragem, Jane Saglia, a equipe teve apoio e respaldo da prefeitura de Petrópolis, e contou com mais de 300 de figurantes — muitos deles encontrados pela produção nos momentos de folga do pessoal, conforme revelou o 2º assistente de direção, Enrico Callado. “Tivemos que caçar mesmo. Todo mundo se envolveu, as pessoas conheciam gente na rua, na balada, na loja, identificavam bons perfis para as telas e perguntavam se topavam fazer figuração”, comentou ele.

    Imersão na Cidade Imperial
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    Diretor Bruno Saglia com equipe e Carol Castro em cena.

    Para tornar tudo isso possível, elenco e equipe ficaram “imersos” durante dois meses na casa. “Normalmente, um filme tem em torno de quatro semanas de pré-produção e mais 4-6 semanas filmando”, explicou o primeiro assistente de direção, Felipe Angélico. “A única diferença em O Garoto é que estamos em uma cidade que não é onde moramos e, por conta disso, acabamos estreitando mais ainda os laços, convivendo o tempo todo com todo mundo. Viramos uma família”, disse, empolgado.

    Enquanto para Felipe gravar O Garoto possibilitou fazer um tour pela cidade, para Thaila Ayala foi um “privilégio”. “Eu já conhecia Petrópolis e tiveram vários finais de semana que eu pegava uma pousadinha no meio do mato e podia descansar e aproveitar mais aqui. Acho que sair do nosso cotidiano ajuda sempre para criar esse novo ambiente para o personagem”, revelou a atriz. Para se preparar para o papel de Tamara, inclusive, Thaila fez pesquisa na editora e fábrica da Record, acompanhando desde a criação do roteiro até o encape do livro, e se surpreendeu:

    “Foi engraçado porque eu tinha pensado na minha caracterização baseada nos meus outros trabalhos e, obviamente, do que eu conhecia da Tamara. Essa praticidade, uma menina que não é muito ligada a aparência. Quando eu entrei lá na editora, tive essa realidade completamente diferente. Eu imaginava um monte de senhorinha ali, com oclinhos, e é uma galera jovem, irada, 95% mulher, todas muito empoderadas, fortes”, comentou Thaila, revelando ter proposto o visual de Tamara. “Eu queria mudar o personagem, queria sair da figura de tudo que eu já tinha feito. Não podia cortar o cabelo porque eu estava presa com outro trabalho. Quando eu estava em Los Angeles ainda, fui em um lugar de perucas de cinema lá e comprei essa, propus e o Bruno [Saglia] amou”.

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    Thaila Ayala em cena.
    Personagens

    Os nomes carros-chefes de O Garoto são Thaila Ayala, Bruno Gissoni e Vitor Fonsek, em seu primeiro protagonismo. Este último havia trabalhado com Saglia anteriormente na peça “À Procura” e foi chamado para fazer um papel secundário no filme. “Eu já estava super feliz e realizado em fazer [esse papel menor]. Mas acabou que o ator que iria fazer o João estava comprometido em novela, mudou algumas características corporais, raspou a cabeça, barba e o Bruno achou que ele ficou um pouco distante do que estava esperando para o João”, explicou Vítor, revelando que Bruno certo dia o convidou para interpretar o protagonista. “Óbvio que, para mim, a ficha não caiu na hora, talvez nem agora tenha caído ainda”, confessou.

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    Além de trabalhar no visual de Tamara, Thaila Ayala também foi parcialmente responsável pela construção do personagem. “Eu conhecia o Bruno Saglia por causa de outro projeto, ele me trouxe para O Garoto e escreveu a Tamara para mim. Acho tão importante para nós atores podermos ter essa relação com diretor e escritor para criar e construir o personagem”, disse ela. “Se você pegar o roteiro original, Tamara era só a editora e amiga do João. Mas eu queria que tivesse algo mais, que se você olhasse com mais carinho, conseguiria ver essa relação a mais nas entrelinhas. O mais desafiador foi deixar as nuances não tão claras, óbvias, clichês, achar essa sutileza nessa relação e conquistar esse espaço que não existia”.

    Bruno Gissoni, por sua vez, revelou que também quis fugir dos clichês com seu personagem, o garoto de programa Breno, já que trata-se de uma temática delicada. “Normalmente, só de pensarmos neste personagem, já em um clichê, não é? Mas temos que nos perguntar qual é essa história por trás do Breno, o que o motiva a ter essa profissão, as camadas emocionais dele, o que aconteceu nessa vida que transformou o Breno em um garoto de programa. É um cara cheio de feridas, cheio de questões e quase que preso dentro desse universo porque quando você entra, é um pouco complicado de sair por várias questões. Uma delas é a financeira, que o impossibilita de sonhar e de ter uma outra vida. Então é quase uma personagem dentro da personagem”, ponderou, revelando ter tentado apresentar uma personalidade sem julgamentos.

    Sem bandeiras
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    Gissoni, Fonsek e Saglia.

    No filme, João (Fonsek) se envolve não só com o garoto de programa Breno (Gissoni), mas também com Fred (Bruno Cabrerizo), que é casado com Danielle (Carol Castro). A produção retrata temáticas delicadas, mas o diretor Bruno Saglia garante que não quer levantar bandeiras. “Não é um filme gay, não no sentido de ter algo contra, até a questão do garoto de programa, eu não vou com o viés que todos já imaginam”, comentou. “Abordo histórias de pessoas que se encontram na vida, a química entre eles acontece e essas pessoas constroem as suas histórias. Algumas acabam, outras vão evoluindo e a vida é assim”.

    Bruno Gissoni complementa: “No momento em levantamos bandeira, fortalecemos o movimento oposto. No instante em que temos como proposta igualar todos, acho que essa é a melhor mensagem para se passar, um mundo igual, sem preconceito, generoso com o próximo. Quando você deixa de rotular cada um, ‘o garoto de programa’, ‘o homossexual’, ‘o cara que vai morrer’. Todo mundo vai passar por isso, todo mundo vai sofrer algum tipo de preconceito, seja ele homofóbico, ou sendo um ignorante, porque homofobia é ignorante. O fato de não levantar bandeiras é mais simbólico, mais potente do que levantar”, apoiou o ator.

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    Para Vítor Fonsek, trata-se de uma história de amor. “O filme é sobre manifestações de afeto, amor e carinho. A quem você se entrega, não interessa o porquê. Isso é muito maior do que qualquer bandeira, do que qualquer tentativa de segmentação porque aí começa um problema, você querer enquadrar. Não tem como enquadrar nada, quando tem sentimento as coisas perdem a forma,”, ponderou.

    Duplas funções
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    Elenco fez função dupla em O Garoto.

    Em O Garoto, os bastidores e a frente das telas se misturavam, pois muitas pessoas da equipe também integraram o elenco, em uma função dupla. A produtora executiva Jane Saglia, por exemplo, é atriz e fez o papel de Lizzi, irmã de João; a fotógrafa e atriz Mariana Catalane, interpretou a professora de escola do protagonista, em um flashback da infância do protagonista; e Diego de Lima, o platô, viveu Rafael, um crítico literário.

    “O platô em um filme é como se fosse um coordenador de set. Ele é o primeiro a chegar, o último a sair, é o que tem que entender toda a logística do filme, saber tudo de todos os departamentos, qual cena que faremos... Apagar os incêndios, repassar os problemas que acontecem no dia a dia e tentar resolver sempre junto com a diretora de produção, que nesse filme é a Mônica Catalane”, explicou Diego, que também é ator e já havia trabalhado com Bruno Saglia no filme Diminuta. Ele interpreta Rafael, um crítico literário conceituado e um tanto quanto esnobe que tem uma curiosa relação com o protagonista. “Ele gosta do que o João escreve, mas não gosta da personalidade dele. E vê no João algo de conseguir se promover através dessa crítica que ele faz, principalmente quando ele faz críticas aos novos autores”, explicou, revelando entrar em cena ouvindo músicas de Beethoven e Edith Piaf.

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    Ayala e Diego de Lima em cena.

    Para conciliar as duas funções, Diego comenta que dividiu as tarefas com a assistente de produção do filme, entretanto, teve um pouco de dificuldade de “largar de mão” sua outra função: “Quando o ator está em cena, tem que esperar muito tempo, ainda mais no cinema, até montar luz, maquiagem… E quando você está trabalhando na equipe e atuando ao mesmo tempo, fica olhando todo aquele circo sendo montado, você sabe tudo o que está acontecendo porque faz parte daquilo e tem que ficar paradinho sem poder ajudar, sem poder fazer nada, apenas concentrado para também não atrapalhar o outro trabalho”. Jane Saglia, por sua vez, comenta que é preciso “saber muito bem separar personagem de vida real”, e que a caracterização de figurino e maquiagem é essencial para isso.

    Com Beth Goulart também no elenco, O Garoto tem previsão de estreia para junho de 2020.

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