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    Ingmar Bergman, 100 anos: Vídeo mostra influência visual de Persona em filmes memoráveis
    Por João Vitor Figueira — 14 de jul. de 2018 às 07:14
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    Lançado no Brasil como Quando Duas Mulheres Pecam, longa-metragem lançado em 1966 segue como uma das obras mais esfíngicas que o cinema já produziu.

    O diretor Ingmar Bergman, cujo centenário do nascimento se celebra neste dia 14 de de julho, foi dono de uma filmografia densa, prolífica e influente. O cineasta é consideredo um dos diretores que ajudou a consolidar o conceito de autor no cinema e entregou obras definidoras como O Sétimo Selo (1957), Morangos Silvestres (1957), Gritos e Sussurros (1972) e Sonata de Outono (1978).

    Falar sobre o traço artístico do realizador sueco costuma ser falar das angústias existenciais abordadas por seus filmes, da qualidade dramatúrgica dos diálogos em seus roteiros, do ótimo trabalho como diretor de atores. Para além de questões relacionadas ao conteúdo, ao discurso de seus filmes, muito também se pode dizer de Bergman enquanto cineasta preocupado com a força das imagens.

    Persona (1966)

    Em um de seus filmes mais complexos — por vezes referido como o Monte Everest da análise cinematográfica — Bergman mostrou a intensidade de suas capacidades como cineasta em termos de imagem e conteúdo. Trata-se de Persona (1966), que no Brasil foi lançado com tétrico título Quando Duas Mulheres Pecam. Estrelado por Bibi AnderssonLiv Ullmann em uma trama sobre o complicado relacionamento entre uma enfermeira e uma atriz de teatro que aborda temas como identidade, sexualidade e dualidade com uma abordagem técnica experimental que chega a flertar com o terror.

    Visualmente, Persona é lembrado por muitas de suas características imagéticas, como a maneira como os rostos de Andersson e Ullmann são enquadrados, pela quebra da quarta barreira, pelo uso de superfícies espelhadas, construção de cenas que causam uma estranheza, aparecimento de uma "mensagem subliminar". Há um momento em que até a própria película entra em combustão.

    Com uma proposta tão vanguardista e uma execução que funciona ao encontrar uma forma que apenas impulsiona o conteúdo psicológico do filme, Persona se tornou uma referência estética para muitos outros filmes tão distintos quanto Clube da Luta (1999) e O Silêncio dos Inocentes (1991), Fale com Ela (2002) e Minority Report - A Nova Lei (2002), Cidade dos Sonhos (2001) e Apocalypse Now (1979).

    Para visualizar as influências do longa-metragem de Bergman em outras produções, o autor e diretor Steven Benedict reuniu cenas inspiradas no clássico do diretor sueco e trechos de filmes mais antigos, como Psicose (1960) e Um Corpo Que Cai (196), que também influenciaram o realizador nórdico. "O vídeo mostra como Bergman visualizava o tema central da identidade na maneira como trabalhava como reflexões, divisões da tela e sombras", comentou Benedict à respeito do material que montou. Originalmente publicado em 2016, um vídeo uma peça interessante de se revisitar no centenário do cineasta.

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