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    Música para Cortar os Pulsos: Elenco comenta a adaptação do sucesso dos palcos ao cinema
    Por Bruno Carmelo, com a colaboração de Ana Beatriz Lavagnino e Rafaela Souza — 12/05/2018 às 09:10
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    Uma história de amor, amizade e música.

    Sucesso nos palcos do teatro desde 2010, a peça Música Para Cortar os Pulsos vai ganhar uma adaptação cinematográfica, com previsão de estreia ainda em 2018. O mesmo diretor, Rafael Gomes, cuida da transposição desta história de amor ao cinema.

    Na história, Ricardo (Victor Mendes) é um jovem gay que se apaixona pelo melhor amigo, Felipe (Caio Horowicz). O problema é que Felipe está interessado na melhor amiga de Ricardo, Isabela (Mayara Constantino). Os desencontros amorosos são acompanhados pelas músicas ouvidas por eles nos momentos de alegria e tristeza.

    O AdoroCinema teve a oportunidade de visitar um dia no set de filmagem, e conversar com os três atores principais. Abaixo, você descobre o que o trio tem a dizer sobre amor, amizade, música e sexualidade:



    Os personagens

    Mayara Constantino: A Isabela é uma garota jovem que acabou de terminar uma relação. Na verdade, terminaram com ela, e ela sofre muito por conta desse abandono. Depois, começa a questionar e a querer entender, como se encontrar alguma explicação para isso pudesse ajudar na cura dessa dor. Ela tem um melhor amigo, o Ricardo, e nesse processo de cura, conhece o Felipe, o estagiário que trabalha com o Ricardo. Eles começam a se interessar um pelo outro, mas isso tudo sem saber que o Ricardo está muito apaixonado por ele. A Isabela se encontra no momento da primeira grande decepção amorosa da vida, tenta preencher esse vazio com música, com livros e com o Felipe.

    Victor Mendes: O Ricardo é um jornalista que trabalha com cultura. É um romântico, apaixonado pela vida, diz brincando que se apaixona por vários garotos a cada segundo que passa, mas quando é de verdade, ele escolhe por quem quer se apaixonar. Então ele se apaixona pelo Felipe, que não se entende nessa divisão de gêneros, não se define como homossexual. Nasce um amor não correspondido, pelo menos não sexualmente. O Ricardo é o melhor amigo da Isabela, eles se definem como almas gêmeas. Enfim, são as três pontas desse triângulo, que não se define como “amoroso”, mas em termos de afeto sim.

    Caio Horowicz: O Felipe tem mais ou menos a minha idade, 22 anos. Ele está cursando arquitetura em uma faculdade particular de São Paulo, e mora com a mãe, Berenice, interpretada pela Denise Fraga. Ele tem uma relação de atritos, mas também carinhosa com ela, algo que se liga com a música. Além disso, ele faz estágio num escritório de cultura e conhece o Ricardo, que é mais velho que ele, mais experiente e assumidamente gay. Eles se tornam muito amigos, começam a sair juntos todos os dias, bebem, conversam, têm uma amizade que vai ficando muito fortalecida e a partir do Ricardo, o Felipe conhece a Isabela. Então fica no meio dessa corda puxada por Ricardo e Isabela.



    Mudanças da peça para o filme

    Mayara Constantino: No espetáculo, eram três monólogos, e a gente citava personagens que não apareciam. Agora, como espectadora, vai ser muito legar ver que o Gabriel existe, por exemplo. Antes, eu só falava dele. Com essa personificação, o filme traz um mundo mais preenchido. Mas acho bonito que várias passagens do texto da peça estejam no filme, porque muitos fãs da peça sabiam tudo de cor, e vão reencontrar isso. 

    Victor Mendes: Antes, eram narrativas no passado, com exceção de uma cena. O filme vai ser muito fiel aos palcos, porém com uma camada a mais. A relação do Felipe na casa dele, a relação da Isabela com a família, quando o Ricardo e a Isabela não estão se falando, tudo isso vai ser detalhado e ganhar em intensidade. A história agora se passa no presente.

    Caio Horowicz: Mas a relação entre os três é o que mais tentamos trazer da peça. Temos conversado muito sobre isso com Rafa, Victor e Mayara sobre como esta relação movimenta o filme. Sabemos de alguma maneira que o espírito da peça precisa estar muito forte no filme. 

    Interpretar o mesmo personagem no cinema e no teatro

    Mayara Constantino: Estou achando bem difícil. É complicado para um ator fazer cinema no Brasil, então estou descobrindo junto com o Rafa e os meninos como fazer cinema. E a minha relação com a peça vem lá de trás, em 2010. Eu também mudei muito desde essa época, então existe esse processo de adaptação. Também é difícil porque a Isabela é bem mais jovem do que eu. Não que eu não sofra por amor, porque o tempo todo a gente sofre, mas precisei me reconectar com essa dor dela, que também já foi minha, e não ajudá-la, porque agora o tempo passou e eu já tenho umas dicas.

    Victor Mendes: A ideia do filme é bem antiga. Eu, o Caio e a Mayara tínhamos uma carga passada com esses personagens, e nesse processo escrevíamos textos, não para o roteiro, mas para o imaginário do personagem. Fizemos um banco de imagens, de músicas, para nos alimentarmos. Quando começamos o processo de ensaio do filme, tínhamos muita bagagem para levar. Há oito anos eu ando de mãos dadas com o Ricardo.



    A importância das músicas

    Mayara Constantino: Eu me envolvo muito com músicas, como todo mundo, acho. Quando você escuta uma música e se identifica, ela acaba traduzindo uma ideia, um sentimento. Além disso, existe o fato de que alguém um dia escreveu isso, por um motivo pessoal, e também foi importante para outra pessoa. Existe uma ligação meio mágica. Não consigo me lembrar de alguma relação com alguém que não tenha sido atrelada a alguma música. 

    Victor Mendes: As músicas do espetáculo conquistavam todas as gerações. Tinham senhoras e senhores bem idosos, os pais que ouviam Roberto Carlos, tinha ópera e tudo. Mesmo com as transformações desses últimos oito anos, a música continua narrando os nossos sentimentos. O filme tem essa cara: às vezes estamos em um momento mais solar, apaixonados, fazendo coisas novas, estimulando a vida pela playlist individual. Toda fase da vida tem uma música para representar, e o filme é bem fiel a isso. 

    Caio Horowicz: Eu sempre gostei muito de música. Meu pai é músico, eu toco instrumentos, então temos uma relação muito forte com música em casa. Quando fui ver a peça, entendi a capacidade do Rafa de falar o amor com música. Recentemente, a gente gravou uma cena em que eu canto Cazuza, então todo o estudo do personagem passou pela música, eu inclusive criei uma playlist para o Felipe, passei a estudar Cazuza. Fora as participações de músicos, a música é um personagem importantíssimo do filme. 



    Cinema LGBT

    Mayara Constantino: Não seria ideal precisar afirmar algo como LGBT ou não, mas nos tempos de hoje, eu acho importante. Tenho a sensação de que quanto mais a gente assume as coisas como elas são, mais elas ficam claras. Quando você fala naturalmente sobre algum assunto, ele chega naturalmente nas pessoas também. Diria que é um filme LGBT sim, o que é ótimo. O filme não levanta uma bandeira de alguma coisa, ele fala sobre o amor sem nenhum tipo de restrição. Um tempo atrás, a gente apresentava a peça para alunos da 6ª série. No começo eles estranhavam ou gritavam alguma coisa, rolava alguma piadinha... Depois eles ficavam super envolvidos, e participavam do bate-papo com o elenco no final. 

    Victor Mendes: O público LGBT vai se identificar muito, a princípio, e torço para isso, mas espero que não seja apenas algo segmentado. A televisão vem inserindo cada vez mais o universo LGBT, mas de uma maneira idealizada, ingênua. O cinema pode ir mais fundo, tocar em lugares mais profundos, e acho que o filme vai fazer isso. É um amor sem estereótipo, sem piada, sem brincadeira. O sofrimento de amor independe do gênero. [...]  Quando viajamos o país apresentando o espetáculo para jovens, o preconceito era muito grande, mas eram sessões ótimas. Às vezes vinha da plateia um grito de “Viado!”, mas continuávamos a peça.

    Caio Horowicz: Hoje em dia, a juventude tem uma experiência bem mais libertária no que diz respeito à sexualidade, apesar da opressão. A gente tem visto que os gêneros se modificam a todo instante, enquanto a opressão aumenta. Isso dialoga com o momento que vivemos hoje. Por exemplo, vejo meus colegas de faculdade, e sei que a nossa experiência em termos de gênero e de sexualidade é completamente diferente do que foi seis ou dez anos atrás, então de fato está mudando muito, e o filme dialoga muito com isso. 



    A sociedade evoluiu desde a estreia da peça?

    Mayara Constantino: É uma evolução muito lenta. Mas sentir que você tem em mãos a possibilidade de ajudar a representar a voz dessas pessoas já é uma grande evolução. Este tema tem que estar cada vez mais dentro das dramaturgias - e não apenas ele! É algo que está na vida de todo mundo, na família de todo mundo. Para algumas pessoas a pluralidade sexual é muito diferente do comum, mas isso é bom, porque precisamos da diversidade. A gente também aceita coisas de que não gosta, dentro de uma família, por exemplo. Com as redes sociais, sinto que as pessoas conseguem ter mais voz, mas o processo ainda é lento.

    Victor Mendes: Hoje, a gente sempre fala que o Brasil vem dando um salto, porque existem muitas obras que abordam o tema. Em oito anos, nós conseguimos conquistar este espaço. Hoje, politicamente, fazer um filme independente com essa temática, oriundo de uma peça de teatro, sem um elenco famoso ligado à televisão, é um ato de resistência dentro da resistência. Hoje nós precisamos disso, resistir com a arte, com a temática, com o diálogo. É muito importante.

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