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    Festival Mix Brasil 2016: Noite de abertura tem discurso contra Trump e exibição do surpreendente O Ornitólogo
    Por Bruno Carmelo — 10 de nov. de 2016 às 15:40
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    "Você é o que você quer ser".

    Na noite do dia 9 de novembro, foi dada a largada à 24ª edição do festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade. O ginásio do Ibirapuera recebeu os convidados da edição 2016 e trouxe um dos principais filmes do panorama internacional: O Ornitólogo, do português João Pedro Rodrigues.

    Contra a "onda conservadora"

    Como de praxe, os organizadores e patrocinadores prepararam discursos para a abertura do evento. Pouco após a vitória de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos, as falas adquiriram um tom ainda mais politizado. Enquanto o diretor da associação Mix Brasil, André Fischer, rechaçou os códigos binários de sexualidade e gênero, relembrando que "você é o que você quiser", o curador e diretor do festival, João Federici, mencionou a tristeza pela eleição de Trump e se disse pronto a combater a "onda conservadora e oportunista", de modo a "almejar o coletivo novamente".

    Apesar da apresentação descontraída da atriz transexual Maria Clara Spinelli, os patrocinadores aproveitaram a oportunidade para mandar mensagens sérias, pertinentes ao contexto atual. O representante da secretaria de cultura de São Paulo lembrou que "é preciso respeitar a diferença, ao invés de apenas tolerá-la", enquanto o representante do Itau Cultural atacou a ideologia dos algoritmos em redes sociais, que impedem o contato com pensamentos diferentes.

    O santo gay

    O ponto alto da noite veio com a exibição de O Ornitólogo. O próprio diretor afirmou, no palco, que ficou surpreso com a seleção para a noite de abertura, pelo conteúdo ousado do filme. De fato, o drama efetua uma combinação hermética de erotismo e religiosidade, através da jornada de um homem gay e ateu (Paul Hamy), que passa por experiências ritualísticas na floresta até encontrar uma forma de espiritualidade. A trama faz menção à trajetória de Santo Antônio de Pádua.

    Esta escolha indica que estamos diante de uma edição de grande exigência artística, disposta a abraçar discursos complexos sobre sexualidade.

    Leia a nossa crítica.

     

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