Notas dos Filmes
Meu AdoroCinema
    Festival de Berlim 2015: Filme alemão surpreende com uma única sequência de 2h20 de duração
    Por Bruno Carmelo — 7 de fev. de 2015 às 21:30
    facebook Tweet

    Victoria, de Sebastian Schipper, dividiu o público com a história de um grupo de amigos em uma noite que foge do controle.

    Todo grande festival de cinema costuma contar com alguma produção controversa, daquela que desperta paixão ou raiva nos críticos e nos espectadores. O 65º festival de Berlim já tem pelo menos um desses filmes extremos: o alemão Victoria, dirigido por Sebastian Schipper.

    O mais impressionante na história de 2h20 é o fato de ter sido filmada em uma sequência única, ou seja, a câmera inicia o seu movimento e só se interrompe 140 minutos depois. Enquanto isso, as imagens acompanham a espanhola Victoria (Laia Costa) e uma noite incrível em Berlim, quando se diverte em bares, cruza com um quarteto de amigos carismáticos e perigosos, envolve-se em crimes, talvez conhece um novo namorado... 

    A produção é realmente impressionante, afinal, deve ter sido difícil orquestrar tantos deslocamentos de câmera e de atores. Para ajudar, os enquadramentos são belos, a fotografia trabalha muito bem as luzes naturais e o ritmo é agradável para o espectador. O roteiro, no entanto, causa menos impacto: a partir de uma primeira metade naturalista e dramática, Victoria envereda pelo cinema de gênero, tornando-se um filme de gângsteres pouco original. 

    O público do festival saiu dividido: alguns valorizaram a técnica, outros reclamaram que a estética não deveria se sobrepor ao conteúdo. 

    Sarcasmo em versão moderna

    Além de Victoria, outros dois filmes foram apresentados aos críticos: Journal d'une Femme de Chambre, de Benoît Jacquot, e Ixcanul, de Jayro Bustamante.

    O filme francês atualiza o romance clássico "Diário de uma Camareira", que já foi levado ao cinema por Jean Renoir e Luis Buñuel. Jacquot tenta modernizar a história de uma camareira vivaz e perversa (Léa Seydoux, perfeita para esse papel), que sabe muito bem como lidar com a burguesia hipócrita da época, incluindo patroas maldosas, patrões lascivos e colegas de trabalho pouco confiáveis.

    O diretor conseguiu incluir diversas cenas estranhas, beirando o surrealismo cômico, pautadas por movimentos de câmera igualmente incomuns, como o abuso dos zooms in e out. O resultado foi voluntariamente bizarro, talvez não o suficiente para marcar a memória dos jurados, mas o bastante para se destacar das outras produções apresentadas no festival.

    Tradições e rituais

    Ixcanul foi um raro filme guatemalteca em competição na Berlinale. A história gira em torno de María, uma adolescente que chega na idade de se casar, de acordo com os costumes locais. Mas quando sua família arranja um casamento indesejado, María começa a sonhar com a possibilidade de fugir para os Estados Unidos.

    As imagens de Ixcanul são muito belas, com uso cuidadoso da fotografia nos grandes planos abertos da natureza. O diretor demonstra notável respeito pelos costumes do pequeno povo de origem maia, mas não tenta criar muita empatia por María. A jovem é vista por um olhar externo, frio, tornando a obra exemplar e demonstrativa demais. 

    Sete filmes já foram apresentados na competição até agora. Curiosamente, seis deles tinham mulheres como protagonistas.

    facebook Tweet
    Links relacionados
    Pela web
    Comentários
    • Barbara Martins
      Idem! kkkkkkkkkkkkkkk
    • Barbara Martins
      Que horror, vou te chamar de vassalo não, pessoa! xDEu adoro teatro e já assisti a boas produções. Mas não podemos comparar um teatro de arena do teatro na esquina, por exemplo, com uma Broadway, né? xD Mas isso mesmo, essa é ooooooouuutra questão kkkkkkkkMinha lista está nesse nível também. E o pior é que vocês colaboram o tempo todo para o aumento infinito dela kkkkkkkkkkkk
    • Barbara Martins
      kkkkkkkkkkkkkkkkkkk Está andando muito com o Ivan, Anonny! xD Vou continuar te chamando de Anonny, está bem? Não consigo me acostumar com Paige. Anyway, elencaço! Vou tratar de ver logo. Já foi para a minha lista :) Assistiu à peça ao vivo?
    • Barbara Martins
      Eu amo plano-sequência. Dá um movimento natural e maior organicidade ao filme, sabe? Fica mais próximo da realidade. Mas realmente, tem que se tomar muito cuidado porque as possibilidades de o filme ficar cansativo triplicam! Já fiz alguns vídeos bem curtos em plano-sequência e já deram um trabalhão, imagina duas horas! Surreal!E é verdade, os filmes que focam no diálogo lembram mesmo o teatro. E se forem diálogos de um roteiro competente, ganham meu coração *-* kkkkkkk
    • Barbara Martins
      Plano-sequência que dura mais de duas horas? =O Adoooooooro essa ousadia kkkkkkkk Sério, eu gosto muito do movimento que o plano-sequência permite. É como se o filme estivesse numa espécie de dança (viajei demais? xD) Mas por outro lado, tem que ter uma trama muito boa, porque é muito mais fácil cansar o espectador quando não há cortes.
    • Barbara Martins
      Sabe de nada, inocente kkkkkkkkkkkkk
    Mostrar comentários
    Back to Top