Notas dos Filmes
Meu AdoroCinema
    Festival do Rio 2014: Daniel Burman e Ines Estévez falam sobre O Mistério da Felicidade
    Por Bruno Carmelo — 30 de set. de 2014 às 12:55
    facebook Tweet

    O diretor apresentou a sua nova comédia dramática, com lançamento previsto para novembro nos cinemas brasileiros.

    Ruano Carneiro / R2Foto

    O diretor Daniel Burman tem uma longa história com o Festival do Rio. Com exceção de um único filme, todas as suas produções foram exibidas no evento brasileiro, e não poderia ser diferente com O Mistério da Felicidade, nova comédia dramática do diretor. Nesta história, Santiago (Guillermo Francella) sofre com o desaparecimento do melhor amigo (Fábian Arenillas), e conta com a excêntrica esposa dele (interpretada por Ines Estévez) para efetuar as buscas e seguir com a vida.

    Como sempre na filmografia do cineasta, a trama combina drama, comédia e um pouco de romance, com cenários que alternam entre a Argentina e o Brasil. Burman conversou com a imprensa sobre esta coprodução, sobre seus temas preferidos e sobre a nova história. Confira alguns trechos da conversa:

    Ruano Carneiro / R2Foto


    Uma ideia de felicidade

    A intenção com este filme, de acordo com Burman, era mostrar que "os vínculos emocionais de qualquer tipo estão fechados em contratos, a gente sempre pensa que vai durar para sempre". Assim, com o desaparecimento de um personagem, o diretor revela como as nossas vidas estão pautadas por surpresas. Ao invés de falar da felicidade absoluta, ele busca "uma ideia de felicidade", uma versão possível do sentimento.

    Comédia com substância

    Ines Estévez tinha se aposentado da profissão de atriz há nove anos, por não encontrar mais projetos estimulantes. Foi O Mistério da Felicidade que a fez mudar de opinião e retornar às artes dramáticas: "Graças ao filme, redescobri a felicidade e o amor pelo trabalho", afirma. Segundo a atriz, o filme é único porque foge das histórias grosseiras, sendo "uma comédia com substância", "um cinema construtivo, que deixa uma resposta positiva".

    Coprodução privada

    Burman e a produtora brasileira Walkiria Barbosa tentaram conseguir financiamento do governo brasileiro, reconhecendo o filme como uma coprodução entre Brasil e Argentina. "O reconhecimento da coprodução demorou quase nove meses, e a gente tinha contratos, não dava para esperar", afirma Walkiria. Como a espera implicaria na perda dos atores principais, que já estavam ocupados com outros projetos, todos concordaram em realizar o filme apenas com financiamento privado. "É uma pena que não possamos pensar a médio prazo em (facilitar as) coproduções oficiais", insiste Burman.

    Família mais uma vez

    Burman sempre abordou o tema da família em seus filmes, como O Abraço Partido (2004), As Leis de Família (2006) e Ninho Vazio (2008). Desta vez, o foco é na amizade. Seria uma mudança de rumos? O diretor não enxerga nenhuma alteração drástica em suas histórias, já que os três personagens ainda constituiriam uma família, no sentido mais amplo do termo: "De alguma maneira, os três formam uma família disfuncional". Burman ainda brinca: "Não conheço nenhum outro tema". Como roteirista, ele explica que sempre parte de uma camada melodramática, para em seguida acrescentar a comédia e chegar no resultado "agridoce", "na camada da esperança".

    Ruano Carneiro / R2Foto

    Homens e mulheres

    O cineasta foi questionado pelo fato de dar grande destaque à personagem feminina, apesar de sempre ter homens como protagonistas de suas histórias. "Não sou misógino. Falo do masculino, mas não em detrimento do feminino", justificou. "Nunca vou conseguir pensar como uma mulher. Dá muito mais trabalho construir um bom personagem feminino, é mais complexo". Burman disse que contou com a ajuda de Ines Estévez para delinar a impulsiva protagonista. Sobre a questão das mulheres no cinema, a atriz afirma que não acredita ter recebido papéis menos interessantes do que os homens em sua carreira, embora os salários tenham sido mais baixos. Estévez citou uma frase que lhe serve de referência no assunto: "A verdadeira igualdade pressupõe o reconhecimento das diferenças".

    O Mistério da Felicidade chega aos cinemas dia 27 de novembro.

    facebook Tweet
    Pela web
    Comentários
    Mostrar comentários
    Back to Top