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    Festival do Rio: Rodrigo Santoro e Roland Joffé falam sobre o épico Encontrarás Dragões
    Por AdoroCinema — 02/10/2012 às 15:45
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    O ator e o diretor falaram sobre as origens e as filmagens de Encontrarás Dragões: Segredos da Paixão, uma trama histórica sobre o nascimento da Opus Dei.

    por Bruno Carmelo

    Presente em três filmes do Festival do Rio 2012, o ator Rodrigo Santoro conversou com a imprensa sobre seu trabalho em Encontrarás Dragões: Segredos da Paixão. Este filme polêmico, que gerou grande repercussão nos Estados Unidos, relata a história do padre Josemaría Escrivá, um dos principais fundadores da Opus Dei. Santoro e o diretor Roland Joffé conversaram sobre as filmagens e sobre o tema religioso:

    O que te motivou a escrever este roteiro?

    Roland Joffé: Eu acho a Guerra Civil Espanhola uma época extraordinária. Eu penso nela como uma semente que gerou um fruto feio, mas incrível. Nós tivemos que lidar com este fruto até o fim da Guerra Fria. Também existe o fato de que esta foi uma guerra fratricida, ela ocorria dentro das próprias famílias. A guerra dentro das famílias toca o público de uma maneira profunda, porque ela é repleta de tabus.

    Picture - Movie: 171829Por que você escreveu o roteiro acompanhando a história de Josemaria Escrivá?

    Roland Joffé: Quando me pediram para escrever sobre a vida de Josemaria Escrivá, eu não queria falar sobre os fatos da sua vida, porque isso não seria apropriado. O queria falar sobre o que a vida dele significava. Ele dizia duas coisas que me fascinaram, uma delas era que Deus se encontrava na nossa vida de todos os dias, mesmo no período da guerra. A outra dizia respeito à importância do perdão. Eu queria fazer um filme que convergisse a esta ideia de perdão. O mais importante, na verdade, não é a guerra, mas o que ocorre depois dela. A História reverbera.

    O seu maior interesse com essa história era defeder a religião? Qual a sua relação pessoal com o tema?

    Roland Joffé: Bom, todas as obras de arte acabam sendo sobre o artista que as criou. Infelizmente, as coisas são assim. Existem muitas críticas ao marxismo, e muitas ao comunismo, mas para mim a crítica mais forte é essa: os seres humanos não são uma ciência, e nem são mecânicos. Qualquer sistema que pretenda “desenvolver uma nova vida” apresenta um problema. Isso é arrogante, é como se disséssemos que compreendemos toda a motivação humana. Não é o caso.

    E você, Rodrigo, como entrou no projeto?

    Rodrigo Santoro: Eu conhecia o Roland muito antes de filmar, quando o projeto ainda não tinha recebido o sinal verde para ser produzido. Eu sempre fui um grande fã do trabalho dele; A Missão e Os Gritos do Silêncio fazem parte dos meus filmes preferidos. Ele me falou deste personagem quando a gente se encontrou, disse que era um homem forte, com uma história trágica, durante a Guerra Civil espanhola. Quando eu li o roteiro, eu tive uma grande vontade de participar.

    Como você se preparou para o personagem?

    Rodrigo Santoro: Eu fiz muita pesquisa no Instituto Cervantes, onde me deram muitos filmes sobre a Guerra Civil. Também tive muita preparação no set dez dias antes de filmar, e o Roland nos mostrou bastante material histórico. Fisicamente, eu só corria muito, junto do próprio diretor, para manter a forma! Tivemos algumas cenas de batalha, então eu também precisei aprender a atirar.

    Picture - Movie: 171829O filme é uma coprodução espanhola, filmada na Espanha. Por que os diálogos são em inglês?

    Roland Joffé: Essa é fácil de responder: ninguém aceitaria financiar um projeto falado em espanhol! Este é o funcionamento cruel da indústria. O filme custou mais de 30 milhões de dólares, e os distribuidores queriam que ele fosse exibido em várias salas, que desse retorno. Eu também preferiria que ele fosse em espanhol, mas sei que o público seria mais restrito. Acho que fizemos a melhor escolha, no final. Os diretores nem sempre podem fazer o que querem.

    Foi difícil produzir as grandes cenas de batalhas?

    Roland Joffé: Eu faço storyboards de cada cena antes de filmar. Dirigir é algo prático, é preciso saber exatamente o que vai se fazer. Apenas quando todos conhecem tudo que vai ocorrer, eu consigo tomar certas liberdades de acordo com a situação. Mas existem regras, como terminar no dia previsto, transmitir as falas claramente, verificar se as emoções correspondem aos personagens.

    A música é muito importante neste filme, existe trilha do início ao fim. Por quê?

    Roland Joffé: Bom, existem duas versões deste filme. A primeira, mostrada na Espanha, é mais autobiográfica, porque os produtores gostam muito do personagem, e queriam mostrar mais da história de Escrivá. A trilha também mudou nestas duas versões. Eu queria que a música tivesse a fúria da Guerra Civil, que ela fosse incessante como a guerra. A trilha deveria ser como uma força de emoções, um rio que carrega os personagens. Em experiências recentes, descobriram que o coração tem nervos, ele faz sinapses como o cérebro. Na verdade, o cérebro interpreta mensagens do coração. A música é o coração e a alma deste filme.



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    Comentários
    • Enio S.
      Valeu Bruno. Muito boa a entrevista. Perfeita. Parabéns
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