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    A Bela e a Fera
    Críticas AdoroCinema
    5,0
    Obra-prima
    A Bela e a Fera

    Clássico Revisitado

    por Francisco Russo

    O sucesso do 3D fez com que a ganância dos produtores aflorasse de vez, com uma enxurrada de novos filmes sendo feitos ou convertidos para o formato sem grande compromisso com a qualidade ou a real necessidade. Da mesma forma, o ingresso mais caro estimulou uma série de relançamentos de sucessos do passado, agora convertidos. Se por um lado o grande motivo foi o interesse em faturar um pouco mais, por outro proporcionou a chance rara de conferir na tela de cinema verdadeiros clássicos da sétima arte. É o caso de A Bela e a Fera, primeira animação a ser indicada ao Oscar de melhor filme.

    Baseado no famoso conto de fadas que valoriza a essência do ser humano em detrimento da beleza externa, A Bela e a Fera consegue unir duas das características mais marcantes das animações da Walt Disney Pictures: o traço e o lado musical. Desenhado à mão, o longa-metragem exibe uma beleza rara de ser percebida nos dias atuais. Há um tom artesanal que explora o lado sombrio da história, por vezes deixando personagens não tão nítidos justamente para que possam melhor compor o clima necessário para aquele instante. Esta imperfeição proposital traz ao traço da animação uma beleza encantadora, ampliada ainda mais pelo inevitável contraste com as animações computadorizadas dos dias atuais, que tanto prezam a nitidez do que é exibido.

    Pelo lado musical, A Bela e a Fera é um dos momentos mais inspirados na história da Disney. Tanto a trilha sonora original quanto a brasileira, presente neste relançamento nos cinemas, são soberbas e fluem também ajudando a contar a própria história. Por exemplo, como imaginar a dança no salão entre Bela e a Fera sem a canção que a acompanha? No mínimo, boa parte da magia se perderia. Para completar, os números musicais são inspirados e proporcionam sequências bastante divertidas, como a do banquete, que contam com um certo absurdo delirante que remete a Fantasia, outro clássico do estúdio do Mickey.

    Deixando de lado a parte técnica, A Bela e a Fera é ainda um dos filmes que melhor soube captar a sensação do apaixonar-se. Desde a animosidade inicial até o "É claro que voltei", frase de Bela que constata o quão óbvio era o sentimento entre os dois, há um percurso conduzido com delicadeza, de forma que cada passo seja construído a partir de sensações e respeito mútuo. Como um dos personagens diz, "estamos vendo alguma coisa acontecer". É a magia da paixão, poucas vezes exibida nas telas de forma tão cativante.

    Diante de tantos argumentos, a conversão para o 3D é o que menos importa. Ela é até bem feita, com destaque para as cenas que ressaltam o castelo da Fera e que contam sua maldição através de vitrais, mas não é o grande motivo para assistir o filme. Ter a chance de ver A Bela e a Fera como o filme merece, na tela de cinema, é o principal atrativo. Não desperdice a oportunidade.

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