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    Casamento Grego
    Críticas AdoroCinema
    1,5
    Ruim
    Casamento Grego

    CASAMENTO GRINGO

    por Roberto Cunha
    (publicada originalmente em 2002)

    Impossível não assistir Casamento Grego na esperança de se deparar com um verdadeiro fenômeno. E isso acontece de verdade. Só que a realidade é outra. O fenômeno fica por conta mesmo é do grande presente de grego que os americanos deram para o mundo, devidamente embalado na fama da maior bilheteria independente de todos os tempos.

    Casamento Grego não é isso tudo. O filme é honesto, o roteiro bem feitinho, mas não passa disso. Qualquer um que tenha um mínimo de cultura cinematográfica vai sacar nos primeiros 10 minutos (não foi assim que ensinou Syd Field?) que já viu a história em outra tela, só que com uma roupagem diferente. Filmes do tipo "casal tenta convencer família de que se amam e que estão dispostos a tudo para viver esse grande amor" tem um monte. Entrando Numa Fria é um bom exemplo.

    A canadense Nia Vardalos protagoniza a história ao lado do ator John Corbett, mais conhecido por sua participação em séries de TV, como a badalada "Sex and the City", entre outras. Ela foi descoberta apresentando a história nos palcos da vida e surgiu a ideia do casal de produtores Rita Wilson e Tom Hanks de levar a one woman show para o cinema. Deu certo. A personagem Tola, ou melhor Toula, interpretada por Vardalos, parece ter caído no gosto do público, que se identificou com a comédia romântica e a propaganda boca-a-boca provocou o enorme sucesso.

    Toula é uma tremenda balzaquiana, segundo ela mesma "com prazo expirando", que precisa dar um jeito na vida sem graça que leva junto a barulhenta e invasiva família. Mas como? Seu pai é um tremendo mala sem alça, enxerga "o grego" em todas as palavras e coisas, tem o hábito bizarro de curar os machucados e doenças com um limpa-vidros chamado Windex e vive falando que ela "se parece com uma velha". Ele pode ter razão, mas não dá para ser diferente fazendo parte daquela turba meio brega, meio gorda e totalmente desalinhada. É missão impossível.

    Mas Toula é perseverante e, num belo dia, trabalhando no restaurante Zorba - uma clara alusão ao clássico do cinema - encontra Ian (Corbett) e é amor a primeira vista. Daí em diante o que se vê é uma sucessão de sequências em que o casal fará de tudo para viver o tal amor impossível já explorado de "n" formas no cinema.

    O longa é regado a muito som grego e toda hora uma musiquinha típica da região invade a história, dando o tom do que você está assistindo e só abre espaço para as trilhas mais melosas nos momentos que vai apelar para a emoção. Aí não tem jeito e entram os tradicionais acordes para "choro" do cinema americano.

    O roteiro correu meio frouxo e algumas sequências mereciam ser melhor exploradas, como o primeiro encontro na agência de turismo. Depois de uma cena pastelão bem colocada, entrou um diálogo chinfrim e ficou só nisso. Dava para explorar bem mais a situação com telefonemas, gafes, etc. A coisa do pai que não aprova a idéia do namoro com um "gringo" e tenta arrumar um maridão grego para ela é praxe. Idem para as várias situações em que os protagonistas vivenciam juntos com suas respectivas e distintas famílias.

    Entre as curiosidades, a semelhança de Vardalos com a comediante Kathy Najimy (Mudança de Hábito e da série de tv "Veronica's Closet"); a teoria dos gregos de que as moças têm três coisas para fazer na vida: casar, ter filhos e alimentar a família até a morte; e as cuspidas gregas para dar sorte e afastar os maus fluídos. Em tempo: Joey Fatone, da boy band N'Sync, faz uma ponta no filme.

    Por essas e por outras razões, não parece ter nada de novo em Casamento Grego que já faturou mais de US$ 170 milhões. Não é falta de boa vontade com o filme. É falta de bom senso do público achar que trata-se de um filmão. É só um bom programa. Nada mais do que isso.

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