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    Good Joe Bell
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    Good Joe Bell

    Uma longa caminhada

    por Barbara Demerov
    À primeira vista, Good Joe Bell talvez pareça ser um filme que prefere se ater aos sentimentos de um pai que perdeu seu filho pela intolerância e homofobia do que propriamente pelo filho que sofreu tais atos. E, se pararmos para pensar ao fim da projeção, o principal ponto de vista que ganha a atenção do filme por completo é o do personagem-título, Joe Bell (Mark Wahlberg).

    Não que isso seja um ponto desfavorável; afinal, ele é um pai que percorre os Estados Unidos a pé a fim de fazer com que as pessoas vejam até onde o bullying pode chegar. Mas, com uma série de elementos importantes a serem abordados - a vida do filho, Jadin (Reid Miller), o drama familiar dos Bell, as idas e vindas no tempo e a viagem de Joe em si -, Good Joe Bell acaba se perdendo no meio de tantas questões que necessitariam de mais tempo para serem desenvolvidas com cuidado e atenção. E isso inclui a escolha de inverter o olhar.



    Por mais que o plot twist da narrativa seja o ponto alto da produção por inverter toda a situação e tirar um pouco da impressão inicial, já citada no texto, após a grande revelação o filme se prende ao sofrimento do pai, quando poderia ir além disso. Nem mesmo a boa atuação de Wahlberg é capaz de deixar tudo nos eixos, pois o roteiro consome boa parte de seu tempo prolongando o drama interno do protagonista e deixando de lado a mensagem principal, que estava mais presente no início. Jadin acaba ficando em segundo plano quando, na verdade, era para ser o principal foco. Ao invés disso, o espectador vê diversas cenas em que Joe não sabe lidar com seu filho mais jovem, Joseph, e a esposa, Lola (Connie Britton).

    A história da família Bell ganhou comoção nacional nos Estados Unidos, e talvez seja por isso que o filme se apresse em passagens importantes ou se alongue por demais em momentos pontuais para causar mais emoção (com direito a uma trilha-sonora forte e a câmera em slow motion). Além disso, o público que não é familiarizado com os eventos que o filme aborda pode sentir que há informações deixadas de lado (especialmente relacionadas a Jadin), enquanto a dramatização excessiva permeia a narrativa. A cena final de Good Joe Bell deixa a impressão de que há uma grande lacuna nos eventos narrados.

    No mais, o filme de Reinaldo Marcus Green possui uma mensagem que se destina sobretudo às pessoas que convivem com o bullying e que já sofreram com ele, direta ou indiretamente. Mas a obra e a mensagem não estão em completa sintonia, especialmente pelo fato de a história começar como um exemplar de uma boa relação fraternal e ser finalizada de forma brusca, sem um desenrolar mais sólido no que diz respeito ao plano de Joe em oferecer empatia a quem cruzasse seu caminho. Talvez, agora, com um filme que simbolize sua intenção, essa mensagem possa ser absorvida por mais pessoas.

    Filme visto durante o Festival de Toronto, em setembro de 2020.
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