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Superação - O Milagre da Fé
Críticas AdoroCinema
2,5
Regular
Superação - O Milagre da Fé

Amor sem barreiras

por Barbara Demerov
Ao contrário do que o título possa indicar, Superação - O Milagre da Fé não diz respeito somente a John Smith, o jovem que, ao cair em um lago de gelo, foi dado como morto por aproximadamente uma hora e surpreendentemente retornou à vida. A história, baseada em fatos e com uma estrutura que segue a cartilha de filmes cristãos, foca não só no garoto de 14 anos como também na dor e fé de seus pais. Dando espaço para o lado heroico do ser humano e também para o lado falho, o filme ganha uma identidade que vai além da religiosa para mostrar que, além de ninguém ser perfeito, todos podem encontrar uma forma de ser alguém melhor.

Ambientado nos dias que antecedem e sucedem o acidente de John, Superação gira em torno de como o caso movimentou a pequena cidade em que a família mora e de como os moradores, médicos e bombeiros se esforçaram tanto em ações como em orações. Por isso, é inevitável observar que o próprio John Smith tem pouco espaço para brilhar; o protagonista possui um background realista e que não apela para o melodrama (ele foi abandonado pela mãe biológica e adotado pelos Smith aos 9 meses), mas não é tão bem desenvolvido a ponto de transmitir empatia. Por conta de destacar mais defeitos que qualidades do menino, o roteiro expõe a força e empatia justamente daqueles que o cercam – mas, no fim, tal escolha se faz necessária para transmitir a mensagem de superação individual de cada personagem.



Portanto, é justo dizer que o verdadeiro protagonista da trama é o amor materno. A atriz Chrissy Metz é quem direciona toda a narrativa, sendo o ponto-chave para qualquer tipo de sentimento que transborda em tela: a dor, a dúvida, a certeza e a força misturam-se em sua atuação que, para dizer o mínimo, é bem marcante. O mesmo não pode-se dizer do pai Brian (Josh Lucas), que está bem no papel mas mantém-se à sombra de Chrissy (inclusive por mal permanecer no quarto de hospital do filho por não ter coragem de vê-lo em coma). O casal, além de ser a principal fonte de força para John, é um casal imperfeito que busca se manter erguido para o bem estar próprio e do filho – e isso acaba sendo algo coerente para o filme se distanciar do rótulo religioso. 

A presença da igreja que a família Smith frequenta também ganha um bom espaço na história, especialmente com o pastor moderno e fora do padrão interpretado por Topher Grace. Seus métodos não são bem vistos pela mãe de John, mas aos poucos o preconceito vai dando lugar ao respeito e a uma amizade sincera. Superação aproveita para encontrar modos de demonstrar outros tipos de diálogo da igreja com a comunidade mais jovem – como na cena em que há uma apresentação musical com um rapper – e, apesar de soar um tanto didático, fala sobre como o modo de viver religioso pode estar presente em qualquer lugar mesmo de modos diferentes.



O filme consegue se distanciar de uma comunicação fora do alcance para aqueles que não são religiosos por incluir, no personagem do bombeiro Tommy (Mike Colter), a presença de um ateu que presencia um milagre e acredita em tudo o que viu e ouviu. Não há 8 ou 80 aqui – e isso não só é positivo como também realista. Mas, por outro lado, no ambiente escolar os clichês marcados pelo comportamento de colegas (afetuosos ou agressivos) para com John são inseridos apenas para unir o drama familiar com o daqueles que viram toda a situação de longe.

Superação - O Milagre da Fé é uma história que fala sobre união e bons acontecimentos em meio a tempos de descrença e medo; e é também uma história sobre até onde o amor fraternal pode chegar. Apesar de não fugir de saídas previsíveis para chegar ao desfecho, ela não deixa de ser emocionante e, ainda por cima, deixa algumas pontas soltas para o espectador refletir sobre tudo o que acabou de ver. O filme defende que aquela situação foi um milagre e não busca formas para explicar o que já é difícil resumir.
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