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    Abominável
    Críticas AdoroCinema
    2,0
    Fraco
    Abominável

    Sob encomenda

    por Francisco Russo
    Desde que a China enfim abriu as portas para Hollywood, apenas poucos anos atrás, muito mudou no cenário cinematográfico. Com um público ávido em assistir alguns dos filmes mais badalados mundo afora, que até então chegavam apenas através da pirataria, a corrida desenfreada às salas de cinema não apenas impulsionou o parque exibidor local, em torno de incríveis 60 mil telas ao término de 2018, como também potencializou a bilheteria mundial de todo e qualquer blockbuster, cujo cronograma de lançamento não pode mais ignorar o poderio financeiro chinês. Paralelamente, teve início dentre os estúdios um movimento no sentido de produzir filmes que atraiam o interesse local a partir de suas experiências e ícones, de olho no potencial de uma população que supera o bilhão. Abominável, nova animação da DreamWorks, se encaixa perfeitamente neste caso.


    Produto cultural escancarado, o longa-metragem se apropria de uma história pra lá de batida em um cenário tipicamente chinês, de visual belíssimo mas que a todo instante recorre a preguiçosos facilitadores de roteiro. Senão, vejamos: tudo começa com a fuga desenfreada de um yeti, mitológico ser oriundo do Himalaia, perseguido por cientistas até se refugiar em um telhado em plena Shanghai. Machucado, ele é encontrado (e cuidado) por uma adolescente hiperativa que esconde um trauma familiar. Juntos, irão se ajudar através da cura mútua: ele, física; ela, espiritual.

    A partir de tal encontro, Abominável envereda pelo clássico elo entre animais e crianças, impulsionado pelo fato de que este yeti tem um comportamento tipicamente canino, o que facilita imensamente o reconhecimento e afeição junto à criançada. Soma-se a isso sua postura brincalhona e atrapalhada, decorrente da parceria firmada com o garoto Jin, que até diverte por mais que também desvie o foco do tema principal deste longa-metragem: a perseguição por ser um espécime raro e a própria jornada ao lado de Yi - ela está sempre ao seu lado, por mais que muitas vezes se torne mero coadjuvante.


    Há ainda outro gatilho de roteiro que ajuda imensamente a condução desta narrativa: o yeti tem poderes de fundo ecológico, que possibilitam sequências grandiosas que empurram o filme rumo à aventura. Por mais que até tragam um belo visual, são também de um vazio narrativo impressionante.

    No fim das contas, Abominável nada mais é do que uma preguiçosa colcha de retalhos de clichês associados a uma animação bem executada, em uma historieta que valoriza mais o momento do que a relação entre os personagens, o que dá ao filme uma inevitável aura de superficialidade. Com um roteiro bastante esquemático e personagens estereotipados, raríssimos são os momentos em que se pode notar algo além da receita de bolo pré-estabelecida, em seu formato chinês. A exceção fica por conta da percepção acerca das redes sociais, especialmente na boa sacada na fuga pela floresta, o que é bem pouco. Ainda mais para um estúdio de animação que já nos entregou filmes divertidos e originais, como Shrek, MegamenteOs Croods e Como Treinar o Seu Dragão.
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    Comentários

    • João Vitor
      Nossa 2/5 assistiu errado irmao, o filme é otimo, traz uma historia cativante e emocional, você se apega a personagem Yi, é triste ver uma critica ruim para um filme bom, em comparação com filmes mais antigos a intenção de O abominável é bem executada, a emoção presente toma conta de qualquer um. Alem do que ao ser sobre uma cultura diferente da nossa, aumentamos nossos conhecimentos sobre costumes asiaticos, uma resenha que poderia ter sido feita melhor se a pessoa entendesse o filme, sugiro que assista denovo, e aos leitores assistam sem medo, emoção perfeita pra familia.
    • Ana Lucia Naletto
      Acho uma pena que o critico Francisco não tenha compreendido o perfil psicológico da garotinha Yi, chamando-a de hiperativa e apontando traumas psicológicos na família. O que acontece de fato é que Yi perdeu seu pai, esta em luto, um luto familiar e isso não é um trauma, é uma condição humana. Yi se afasta do que ambiente familiar para não sentir a falta do pai, mas o faz por um objetivo, também relacionado ao seu luto, juntar dinheiro e prestar uma homenagem a ele. A interação com o Ieti pode ser lida como a possibilidade de um novo vínculo para a pequena Yi, e esta experiência faz diferença em seu processo de luto. o filme tem imagens lindas, boa música e é capaz de fazer as crianças viverem diferentes emoções, rindo, chorando, torcendo e se encantando com cada personagem, a sua maneira.
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