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    O Destino de uma Nação
    Críticas AdoroCinema
    3,0
    Legal
    O Destino de uma Nação

    O show de Gary Oldman

    por Renato Hermsdorff
    Adaptar histórias reais para o cinema é um exercício que inerentemente cai na romantização dos fatos ou dos personagens. Mas, claro, há diferentes níveis de idealização. O grande trunfo por trás de O Destino de uma Nação é trazer a abordagem de um controverso estadista de forma... controversa. O Winston Churchill de Joe Wright é complexo e falho, o que ajuda na humanização do político. Mas o filme não escapa da armadilha do exagero biográfico.

    Passado em 1940, o longa acompanha os primeiros dias de Churchill (Gary Oldman) como primeiro-ministro da Grã-Bretanha, cargo que assume quase que de forma acidental. E ele tem que encarar uma pedreira: decidir se aceita os termos de um suspeito acordo de paz com Hitler (para o qual é pressionado), ou se confronta o ditador, o que culmina com a retirada das tropas inglesas na batalha de Dunquerque (tema retratado recentemente por Christopher Nolan nos cinemas).


    Portanto, esse não é um caso clássico de cinebiografia do tipo que vai do nascimento à morte. Além de mais desafiador, o recorte é uma vantagem que o roteirista Anthony McCarten (o mesmo de A Teoria de Tudo) traz, por proporcionar mais sutilezas do que o compromisso histórico, propriamente.

    Já nos primeiros minutos, enquanto o parlamento pega fogo, insatisfeito com a condução política por parte do líder imediatamente anterior a Churchill, o protagonista é apresentado como um glutão, que não economiza na gordura do café da manhã, no charuto e na bebida alcoólica - e nem na falta de paciência com a nova secretária, interpretada por Lily James. Uma vez no poder, ele vai precisar driblar o jeito tempestuoso.

    Diretor de adaptações literárias como Orgulho e PreconceitoDesejo e ReparaçãoAnna Karenina (além de Peter Pan), Joe Wright  traz toda a pompa anterior de sua filmografia para cá. Darkest Hour (no original) é uma produção acima de tudo elegante, cujas imagens são resultado de belíssimos planos, muito bem calculados - sobretudo magistralmente iluminados. O que não quer dizer que se trata de um filme sem alma. A beleza plástica combina com a sobriedade do ambiente político tradicional da Inglaterra. Mérito do diretor de fotografia francês Bruno Delbonnel (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain).


    Pelo menos metade do impacto de O Destino de uma Nação vem da vigorosa encenação de Gary Oldman como Winston Churchill. Sim, por mais que seja difícil reconhecê-lo por baixo de tanta maquiagem e próteses, é o intérprete do comissário Gordon da trilogia "O Cavaleiro das Trevas" quem está por trás (ou por baixo) da essência do filme. (Aliás, um competente trabalho técnico da equipe de caracterização que de fato conseguiu um resultado convincente, sem distrair a atenção do espectador).

    A produção é um prato cheio para que Oldman ironize, gagueje, esbraveje. E ele convence, com um registro vigoroso, de pura imersão. (Vale, ainda, uma menção honrosa a Ben Mendelsohn como um polido e impecável Rei George VI).

    No terço final é que o roteiro tropeça. Ao jogar Churchill (literalmente) para a empatia do cidadão comum, o filme joga a favor da plateia (ao invés de provocá-la, como até então). E a “forçação de barra” resulta não só inverossímil, como beira o ridículo.

    Filme visto no 42º Festival de Toronto, em setembro de 2017
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    Comentários

    • José
      Falou merda atrás de merda; quando vejo críticas como essas, percebo o quanto a educação brasileira é falha. A Inglaterra enfrentou a Alemanha na maior batalha entre forças aéreas que se tem registro em nossa história, e derrotou a força aérea alemã. Quando a URS enfrenta a Alemanha, enfrenta um país que vem de uma grande derrota. E quanto ao patriotismo Inglês, os ingleses, mesmo com todo custo da guerra, chegaram a tirar dinheiro do próprio bolso para doar para RAF. Faziam filas para depositar moedas para que seus caças fossem consertados, construídos, e a operação bancada.
    • klaus
      Bom filme. Bela atuação.
    • Franklim A.
      Eu gostei, mas é o típico filme em que o protagonista se torna maior que a trama, então não é meu preferido, mas o prêmio de melhor ator é certo.Outro ponto bacana é que este filme e Dunkirk acabam se complementando, uma mistura dos dois daria um filme espetacular.
    • Augusto
      Que críticas vazias. Estou falando dos críticos do crítico. A direita aprendeu direitinho com os marxistas a ver ideologia em tudo. (kkk)Ok, vcs se encontraram no horizonte, mas em que pontos da crítica de fato vcs estão enxergando todo esse viés ideológico?
    • Erica Bernardo
      tive a mesma sensação. A cena do metrô quase comprometeu o filme inteiro que estava indo muito bem...acho que wright futuramente se arrependerá da cena kkkkk
    • Paulo F.
      Você tem toda razão, Peter. O filme desapareceu.
    • Peter Griffin
      Ideias? Que tal discutirmos apenas filmes? Tá chata essa merda de esquerda x direita. Chata pra cacete.
    • Peter Griffin
      Sério que você está discutindo isso? Que forçado, que imbecil...
    • Aurelio Cardoso
      O filme caminha bem na sua exaltação patriótica do velho leão inglês e seus discursos inflamados no parlamento e pelo rádio, mas aquela cena no metrô para saber como pensa o povo sobre a guerra e seu sacrifico é de doer, piegas e quase acaba com o filme e a mania dos ingleses exaltarem sua figura monárquica aqui o Rei gago George VI que parece ser maior do que foi claro, e até Churchiil beija sua mão... exagero.. vi um filme no You tube onde Churchill nos anos 50 recebe a Rainha Elisabeth e faz apenas uma reverência.. e até parece que o Rei que o escolheu Primeiro Ministro.. ele faz o que o Parlamento manda.. é uma mera figura decorativa e cara na Inglaterra .. Um filme didático e exalta o espirito guerreiro do povo inglês num momento crucial da História e ganhou tempo para acabar com o Reich de Hitler que depois teria de enfrentar ai sim a força de Soviéticos e Americanos.. ai seria outra História de muito sangue e aço e não só suor e lágrimas do discurso de Churchill...
    • Allanx Brito
      Lendo as criticas (comentários) à critica, me convenci em ver o filme hoje, dia 28-01.
    • Eduardo L.
      Ainda falta para o referido crítico muito arcabouço de leitura da história recente do século XX, particularmente dos anos 30 e 40, a fim de lhe dar consistência e respaldo para realizar um comentário mais fiel e minimamente honesto da película em questão. Ademais, a carência desse lastro cultural faz com que o referido crítico continue imerso na lama do viés ideológico, o qual passa para o seu ofício, que cumpre de forma sofrível. Por fim, para iluminar as ideias desse profissional que ora fez uma crítica rasa sobre o filme, sugiro a leitura, só para iniciar, da biografia de Winston Churchill, escrita por Martin Gilbert, biógrafo oficial do estadista. Só tenha cautela, cada volume tem em torno de 600 páginas.
    • Lady Suzan
      Quero muito que o Gary leve o Oscar.
    • Eduardo
      Esses são seus argumentos? Sua análise subjetiva da minha escrita? Eu teria vergonha de fazer uma réplica dessas. Decepcionante.
    • Diego
      Nota 6 pra um filme incrivel desse? Não surpreende vindo de um critico socialista né... Na verdade até surpreende o Renato ter dado essa nota pro filme, já esperava que ele desse até a nota mais baixa. Engraçado ele falar da romantização de personagens historicos, como se todas as biografias sobre che guevara não fossem exatamente assim.
    • Francisco W.
      Cara, discuta gramática no espaço necessario. Vamos discutir ideias. Qual sua ideia sobre o ocorrido? Mais dialética, por favor.
    • Celso K.
      Eduardo, o seu português é tão ruim que quase lhe tira a razão. Tem de melhorar muito, antes de escrever ao público. Do contrário, suas teses não se sustentam. Celso
    • Eduardo
      Concordo plenamente. Alguns críticos nos dias de hoje só sabem ver as histórias pelo seu viés ideológico ou representativo em comparação aos dias de hoje, esquecendo que a representação da história é o registro factual dela, querer julgar episódios que aconteceram a mais de 50 anos atrás e querer julgar por uma lente atual, é patético, na verdade até mesmo a lente atual politicamente correta e que se julga tão superiora, é patética, ainda mais quando se esquece daqueles que lutaram para que a vida fosse como ela é hoje, com liberdades.
    • Francisco W.
      É impressionante o viés ideológico contido no Adoro Cinema. Soa quase infantil a não menção simples e verdadeira de que trata-se de um filme sobre o maior responsável pela manutenção de um Mundo minimamente civilizavel. Tem mais, este controverso estadista foi o único a alertar para os erros e consequentes perigos em que a Europa se metia com a política desempenhada no pós guerra perante a Alemanha. Fácil entender pq nenhuma menção a isso aparece e nem aparecerá em uma crítica aqui, é só levantar qual partido governava o parlamento nesta época E que não quis acreditar nas denúncias e anseios de Churchill para com a Alemanha (não tirando o corpo fora em relação ao próprio partido de Churchill, q não acreditou neste também). Quem mais lutou para que a II Guerra não viesse a tona, a ponto de ter sido o inventor da alcunha a guerra desnecessária, foi este senhor. Triste como a verdade se perde e como o crítico preferiu rotula-lo à mercê da descontextualizacao necessária ao inerente momento em que vivemos. Afinal, julgar positivamente alguém com as ideias que Churchill tinha, não pega bem hj.
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