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1,5
Ruim
Gostosas, Lindas & Sexies

Disfarce de moderninho

por
Pode uma obra de arte ser, ao mesmo tempo, moderna e conservadora? Caso algum dia você se depare com esta pergunta, sabia que a resposta é um maiúsculo: SIM. E, se precisar dar um exemplo disso, pode citar a mais nova comédia nacional Gostosas, Lindas & Sexies.


Olhando por alto, o filme apresenta uma aura moderninha, com mulheres que rompem com o padrão de beleza e se mostram pessoas com personalidade, independentes, que lidam normalmente com o sexo e o álcool. Infelizmente, no entanto, o roteiro escrito por Vinícius Marquez perde a chance de investir de fato na história de empoderamento que aparentemente parecia querer contar. Ao invés disso, promove uma trama extremamente quadrada ao ponto de julgar suas protagonistas.

Beatriz (Carolinie Figueiredo), Tânia (Lyv Ziese), Ivone (Cacau Protásio) e Marilu (Mariana Xavier) são amigas inseparáveis. A primeira é uma jornalista de uma revista importante e que, nas horas vagas, dedica seu tempo ao seu "blog de gordinhas". Ivone lidera uma grande franquia de salões de beleza, enquanto que Tânia tenta a sorte como atriz, em meio a um casamento fracassado. Marilu pula de emprego a emprego, e possui um grande segredo.

A dinâmica entre as quatro é a melhor coisa do filme, mas isso não é capaz de salvar o pobre texto. Além de pegar o caminho fácil de colocar mulheres magras como "inimigas" das gordinhas, o longa oferece uma série de ofensas dignas de jardim de infância. Temos ataques do tipo "capivara idiota", "mamute ambulante" e "lacraias invejosas". Também é extremamente moralista ao colocar uma mulher dançando embriagada numa festa para na sequência colocá-la dizendo que estava agindo como uma "vadia alucinada". Sem contar que num filme sobre amizade, é irreal que uma mulher faça algo de anormal numa festa sem que nenhuma das amigas - estavam todas lá - venha a sua ajuda.


Oferecendo clichê atrás de clichê, Gostosas, Lindas & Sexies se vende como feminista, mas se revela conservador num ponto quase que irritante. Chega ao ponto de colocar uma de suas protagonistas largando tudo para seguir o sonho do parceiro. Em outro foco, mostra uma mulher cedendo aos "encantos" do agressor, traz outra que deixa um casamento e rapidamente embarca em outra relação e, por fim, apresenta uma mulher com um quarto misterioso e envergonhada por uma prática pra lá de inofensiva.

É maravilhoso ver um filme estrelado por quatro mulheres. É péssimo ver um filme estrelado por quatro mulheres que passam praticamente o tempo todo falando de homens e de suas relações. Se ao mesmo tempo, o longa parece promover a diversidade, ele também se revela bastante preconceituoso. Em determinado momento, a editora da revista em que Beatriz trabalha pede que ela faça uma matéria em uma aldeia de índios para descobrir o motivo dos índios serem gordos mesmo se alimentando de produtos naturais. Chega ao ponto de falar em "panças silvícolas" e "índias de peitos caídos". Ainda traz um amigo gay que é o máximo dos clichês de gays no cinema. Exagerado, estridente e tratado como "ela". Ah, um detalhe. O amigo gay é uma geladeira falante. 

Você não leu errado. Temos uma geladeira falante no filme. Se fosse todo neste clima nonsense, talvez a obra fosse melhor. Com um roteiro mais bem trabalhado, é claro.
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