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    Atentado ao Hotel Taj Mahal
    Críticas AdoroCinema
    3,0
    Legal
    Atentado ao Hotel Taj Mahal

    Mumbai sitiada

    por Francisco Russo
    Se o cinema de ação hollywoodiano volta e meia investia em terroristas como os grandes vilões - Força Aérea UmNova York Sitiada são apenas alguns exemplos -, a situação mudou um pouco após os atentados de 2001 em Nova York. Nem tanto pela busca de antagonistas fáceis, mas pelo fantasma sempre presente de que ataques do tipo venham a se tornar reais. Tamanha sombra trouxe uma certa responsabilidade a projetos do tipo, especialmente naqueles baseados em histórias reais, no sentido de prestar homenagem aos mortos e sobreviventes. É o caso de Atentado ao Hotel Taj Mahal.


    Baseado em uma história real ocorrida em 2008, simplificada de forma a tornar o tal hotel o centro dos ataques, o longa de estreia do diretor Anthony Maras é, ao mesmo tempo, uma devoção aos funcionários do Taj Mahal sem deixar de flertar com os cacoetes típicos de Hollywood, no sentido de apropriar-se de uma história que não é sua. Basta reparar em dois pontos cruciais: por mais que o elenco seja majoritariamente indiano, o filme é falado em inglês; e o personagem de Armie Hammer possui quase o mesmo peso de Dev Patel, por mais que sua necessidade à narrativa seja bem menor. Trata-se, no fim das contas, de um mero artifício de roteiro (e produção) para capturar a atenção do público norte-americano, tão resistente a filmes legendados cuja história não tenha algo conectado a si mesmo.

    Questões mercadológicas a parte, fato é que Atentado ao Hotel Taj Mahal consegue prender a atenção do espectador. Com uma fotografia em tom pastel, de forma a ressaltar o calor sempre reinante na Índia, o longa pouco a pouco constroi um clima de opulência para, aos poucos, desmontá-lo perante os ataques. É hora então de trabalhar as questões pessoais, seja perante a preocupação de Hammer e sua esposa Zahra (Nazanin Boniadi, correta) com o bebê aos cuidados da babá, no quarto do casal, ou mesmo de um convincente Dev Patel e seu superior (Anupam Kher, o melhor do elenco), de uma entrega tocante pela dignidade com a qual lida não só com as pessoas envolvidas, mas também em relação ao próprio trabalho.


    Para tanto, Maras constroi boas cenas de tensão explorando o silêncio, especialmente nas rondas dos terroristas em busca de possíveis vítimas, de forma que o rompante das metralhadoras tenha um impacto ainda maior. São elas que dão um certo valor à subtrama envolvendo Hammer e Boniadi, pela tensão intrínseca decorrente da tentativa em salvar um bebê, por mais que o espaço dado aos personagens seja exagerado. Com 125 minutos, Atentado ao Hotel Taj Mahal soa ao mesmo tempo longo e incompleto, pela pouca atenção dada a subtramas relevantes para o tema central do filme, como o despreparo da polícia local perante os ataques terroristas e mesmo as motivações político-religiosas por trás do ocorrido. O filme até aborda de leve tais questões, mas sem colocar o dedo na ferida. Não era o objetivo.

    Bastante respeitoso e fiel (dentro do possível) à cultura indiana, Atentado... é um filme correto que se ampara na honradez demonstrada em exercer seu ofício em condições extremas, por parte dos funcionários do Taj Mahal. Com um elenco local bem escolhido capitaneado por um ator de alcance internacional (Patel), que até surpreende pela forma como se despe de vaidades, o filme ainda chama a atenção pela quebra do estereótipo reinante em Hollywood em relação à presença dos Estados Unidos em terra estrangeira, aqui representado por um Armie Hammer também correto, mas limitado pelo alcance de seu personagem. Bom filme, que poderia ser melhor se fosse mais enxuto e menos preocupado com questões além da mera narrativa cinematográfica.
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