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Eu, Daniel Blake

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No Festival de Cannes de 2014, na coletiva concedida por Jimmy's Hall, Ken Loach surpreendeu ao dizer que considerava a aposentadoria. "Primeiro irei acompanhar a Copa do Mundo, depois veremos o que o outono trará." Dois anos depois, o veterano diretor está de volta ao festival com um longa-metragem extremamente fiel às suas crenças. Felizmente!

I, Daniel Blake - FotoPor mais que seus dois últimos filmes, Jimmy's Hall e A Parte dos Anjos, sejam agradáveis e até divertidos, falta a ambos o tom incisivo típico de Loach ao apontar desvios existentes na sociedade atual. Em I, Daniel Blake, o diretor retorna ao habitual tema da defesa das minorias perante os abusos cometidos pelo Estado, agora em relação à burocracia existente para se obter benefícios sociais concedidos pelo governo.

Por mais que trate de leis e regras tipicamente inglesas, é impossível não se identificar de alguma forma com a saga do personagem título, um senhor impedido de trabalhar após passar por um ataque cardíaco. Basta relembrar algum momento em que você, por qualquer motivo que seja, buscou auxílio telefônico e precisou aguardar uma eternidade para ser atendido por um operador burocrático que repete, sempre, a mesma cartilha pré-definida. Esta é a grande batalha enfrentada por Blake, exponenciada pelo fato de ser um analfabeto digital - o que, em uma época onde as informações são jogadas na internet para serem descobertas por cada um, torna-se um complicador ainda maior.

I, Daniel Blake - FotoO grande mérito de Loach neste novo filme é evidenciar o cinismo existente por trás do sistema, de forma a ofertar ajuda mas torná-la tão complicada de ser atingida que, na prática, torna-se inviável. É como se existisse apenas de boca para fora, de forma a evitar acusações de desamparo social, mas sem que haja o interesse em vê-la efetivamente funcionando. Diante de tal situação, nada mais resta a ele do que lutar pelo respeito, como pessoa e como cidadão. E é neste ponto que o filme torna-se comovente.

Em um cenário cada vez mais desolador e sem perspectiva, Loach oferece o lado humano de seus personagens - e é difícil não ficar tocado por eles, independente da sua crença política. A sequência em que o protagonista Dave Johns descobre o caminho tomado pela amiga Katie (Hayley Squires) é de uma beleza triste, pelos sentimentos envolvidos. O mesmo vale para o desfecho, carregado de emoção e idealismo. Loach pode até não conseguir mudar o mundo com seus filmes, mas a mensagem que transmite através deles mais uma vez atinge corações e mentes. Um filme para ver, refletir e até mesmo traçar um paralelo com a realidade política existente no Brasil.

Filme visto no 69º Festival de Cannes, em maio de 2016.

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