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3,0 Legal
Vou Rifar Meu Coração

Brega com orgulho

por Lucas Salgado

O documentário Vou Rifar Meu Coração, de Ana Rieper, se apresenta como uma viagem ao imaginário romântico brasileiro a partir da obra dos principais nomes da música brega, ou como preferem da música popular romântica.

Neste sentido, conta com depoimentos de inúmeros nomes conhecidos pelo gênero, como Agnaldo Timóteo, Wando, Amado Batista, Nelson Ned, Walter de Afogados e Rodrigo Mell, além de fazer várias citações a Waldik Soriano, Reginaldo Rossi, Peninha e companhia.

O principal mérito do filme, no entanto, é justamente não colocar toda a responsabilidade da narrativa nas costas de tais músicos. Obviamente, são muito importantes para o longa, mas o grande diferencial deste é investir em entrevistas com pessoas comuns que de alguma forma se sentem atraídos por aquele tipo de melodia.

Apesar do possuir algumas qualidades, é interessante constatar que uma das maiores foi inclusive não intencional. O longa conta com momentos tão, digamos, bregas que acaba se tornando cômico, sendo bem possível que o expectador dê verdadeiras gargalhadas durante a produção.

Quem também teve seu depoimento registrado pelo filme foi Lindomar Castilho e aí está um dos maiores erros da diretora Ana Rieper. O problema não está no fato de ouvir o músico responsável pela canção que dá título ao longa ("Eu vou rifar meu coração"), mas sim em não contextualizar a entrevista. Ele assassinou sua segunda mulher em 1981 e passou sete anos na prisão.

Em seu depoimento, Lindomar quase que justifica o crime e o fato da diretora não questioná-lo ou ao menos apresentar para o público o que de fato ocorreu joga contra o filme.

Vou Rifar Meu Coração é um documentário irregular, que pode até agradar pelos motivos errados, ou seja, por ser visto como uma comédia.

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Comentários

  • Kairo A.

    Vou Rifar Meu Coração é um exemplo de como a simplicidade encanta. Encanta porque faz emergir do mais conservado expectador uma dor, uma mágoa ou uma espécie de "nostalgia pungente" de uma desilusão amorosa em algum momento de sua vida. Ana Rieper sabe muito do problema social que transpõe para o filme - o estigma social da obcecada cultuação do amor romântico - e o faz de maneira crua, sem pudores ou retoques amenizadores. Por fim, o que se tira de Vou Rifar Meu Coração é que nem rico nem pobre, nem homem nem mulher, nem preto nem branco ficam imunes deste veneno destilado pela paixão.

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