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    A Busca
    Críticas AdoroCinema
    3,0
    Legal
    A Busca

    Um jornada de descobertas

    por Roberto Cunha
    Volta e meia, em conversas sobre a produção cinematográfica nacional, o assunto bilheterias X conteúdo acaba gerando algum tipo de polêmica. Invariavelmente, a comédia que anda faturando alto aparece como vilã de um drama cujos protagonistas preferem apontar falhas do que procurar alternativas para ser "consumido" por esse mesmo público que eles tanto reclamam não entendê-los. Provavelmente de olho nessa massa, A Busca entrega um drama familiar, pegando um caminho de fácil entendimento ao abordar temas como a separação, a adolescência e, mais precisamente, a paternidade.

    Na história, o médico Theo (Wagner Moura) vive um crise no casamento e o estopim para uma desenfreada espiral de acontecimentos é o desaparecimento do filho de 15 anos. Antes disso acontecer, porém, você é rapidamente apresentado a um cara que não aceita o divórcio e pai controlador que é, não suporta a ideia do filho ter contato com o avô paterno ("Ele não me conhece!! Não te conhece!!"). Após o sumiço do guri, o amor pelo rebento acaba reaproximando o casal no desespero e provocando reflexões.

    O roteiro foi escrito pela premiada Elena Soarez (Eu Tu Eles) e seu marido Luciano Moura, estreando na direção de um longa. E ele capricha no plantio de situações que vão gerando conflitos (alguns pequenos) para que Theo, sempre persistindo, reflita sobre a vida que leva, o pai que é e o filho que tem. E assim em cada um desses momentos o espectador e o próprio protagonista vão aprendendo um pouco mais sobre ele.

    Ou seja, uma ótima maneira de buscar uma identificação com a turma da poltrona, que vai vivenciando as experiências uma a uma. Um bloqueio, uma superação e vida que segue. O único porém é que tudo é muito rápido. A mesma aceleração que mantém um ritmo frenético, faz com que certas passagens percam a força, como o parto, cheio de significados (nascimento/renascimento) e vazio de tão forçado. E tornam outras difíceis de acreditar, como o moleque ter virado "lenda" em um festival de jovens no interior porque chegou montado em um cavalo. Seria culpa da edição?

    Com belas imagens e uma sonora trilha de Beto Villares, o longa tem ares de road movie e a estrutura da narrativa, bem esquemática, pode incomodar uns e agradar outros. Os mais exigentes sentirão falta de um maior envolvimento, um tempo para mergulhar nas angústias, mas ainda assim é inegável que o longa funciona. E bem. Tanto que fez bonito em festivais por onde passou e foi Melhor Filme (Voto Popular) no Festival do Rio 2012. Tem um pouquinho de humor, bastante suspense e bom elenco. Mariana Lima (esposa) e Lima Duarte (avô) conferem brilho no pouco espaço que têm nesta trama focada no pai. É assim que você descobre que A Busca é acima de tudo uma jornada de descobertas com direito a momentos de emoção. E só você poderá dizer (aqui mesmo) se valeu ou não o bilhete para essa viagem.
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    Comentários

    • Giovanni P
      O filme é bom, com mensagem clara, porém, as redescobertas que o protagonista passa ao longo do Drama, poderiam ser mais evidenciadas. Percebe-se que as dificuldades que ele enfrenta, dão um significado diferente na vida dele, mas os valores que ele resgata poderiam ser mais frisados. Valorizo também os comentários do AdoroCinema ao apontar que certos fatos foram “difíceis de acreditar” enquanto outros, pouco explorados.É um filme curioso. Vale assistir.
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