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A Arte de Amar
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4,0 Muito bom
A Arte de Amar

Adoráveis traidores

por Bruno Carmelo

É difícil não pensar em Woody Allen quando se vê A Arte de Amar. Não o Allen contemporâneo, cosmopolita e otimista, mas aquele Allen dos anos 70 e 80, que adorava as cirandas de personagens adultos, urbanos, neuróticos e melancólicos. O gosto pelos diálogos afiados e o olhar agridoce à classe média encontram uma excelente representação nesta comédia francesa.


Foto - FILM : 183369O título faz referência ao poeta Ovídio, cujo manual "Arte de Amar" ensinava técnicas de sedução. O filme empresta do formato literário a divisão em conselhos amorosos, que nomeiam cada episódio: "É preciso esconder suas infidelidades", "Nunca recuse o que lhe é oferecido", etc. Da literatura, também são extraídos os diálogos afetuosos e a narração poética, como é o caso do belíssimo conto inicial, "Não há amor sem música".


É curioso que todas essas histórias de amor estejam ligadas, de alguma maneira, à traição. Contra a moral católica francesa, e sua imposição de monogamia e fidelidade, e este filme prefere abordar com naturalidade outras manifestações possíveis de afeto: uma amiga empresta o namorado para outra, que não faz amor há muito tempo; uma mulher se passa por outra durante o sexo, que ocorre no escuro; um casal que se ama muito decide que os dois devem se trair na mesma noite, para enfrentarem juntos as dores da infidelidade.


Fala-se muito em sexo, mas o filme traz palavras e imagens cândidas, sem nudez nem termos chulos. Este amor idílico e farsesco tem como maior fonte de humor a frustração: embora todos queiram trair, nenhum personagem consegue fazê-lo. O importante aqui não é o ato sexual, mas os fantasmas e desejos projetados no sexo. A suposição da infidelidade pode ser tão dolorosa quanto a infidelidade em si.


Foto - FILM : 183369Esta ciranda de adultos falhos é representada por um formidável grupo de atores, que já frequentam há anos o universo lúdico do diretor Emmanuel Mouret. Frédérique Bel, Judith Godrèche, Julie Depardieu e outros são construídos como pessoas infantis, tão imaturas quanto ingênuas, inocentes. O diretor revela um carinho imenso por cada um dos personagens em tela. Já os atores equilibram com perfeição o ritmo rápido da comédia com a lentidão do drama.


Se há algo que Mouret domina, é justamente o ritmo, o tom. Tudo é perfeitamente coeso, da direção de arte à música, passando pelos enquadramentos simples e inteligentes, capazes de utilizar muito bem os espaços internos: corredores, cômodos, entradas. O diretor sempre separa seus personagens por colunas, batentes de portas e outros elementos da própria casa onde ambos vivem. Sem nenhuma estilização, A Arte de Amar consegue ser elegante, inteligente e muito agradável.

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Comentários

  • Luciane O.

    Vale muito a pena assistir!! Super leve e bem humorado.

  • Senhor Ivan!

    As trocas de casal são bem aproveitadas no cinema.Em A Arte de Amar,vimos casos e acasos,confusões no romance,sentimentos não correspondidos,e outros que causam emoções e loucuras nos relacionamentos.Emmanuel Mouret,se divide em três nesse filme,(como já está bem acostumado em seus trabalhos).Onde encara atuação,roteiro e direção.Ele consegue aproveitar e passar uma boa imagem de casais modernos.Onde consegue fazer com que o filme seja engraçado,mas com o passar do tempo fique chato,com bastante repetição.O cinema francês,é único nesse tipo de gênero comédia romântica.E se destaca muito,ao trazer de ano em ano,novas fórmulas,ao se mostrar uma história diferente.O elenco é perfeito,e consegue novamente se unir,em um filme agradável.

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