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O Corvo
Críticas AdoroCinema
3,5
Bom
O Corvo

Nada mudou

por Roberto Cunha

Considerado por muitos como um dos "papas" da literatura gótico/fantástica, Edgar Alan Poe chega nos cinemas como personagem de seu próprio conto. O Corvo traz o poeta mais atormentado (como suas "crias") porque alguém resolveu usar a imaginação dele como inspiração para cometer crimes sangrentos. Para piorar e dar mais tempero ao jogo de gato e rato, sequestrou a namorada e pretende matá-la num curto espaço de tempo. Diante desse cenário, ninguém precisa ser Sherlock Holmes para se tocar que está diante de um típico filme de suspense criminal, com pistas que precisam ser desvendadas para salvar a próxima vítima de um intrigante assassino serial.

John Cusack dá vida ao autor que na vida real foi encontrado praticamente morto em circunstâncias misteriosas. O interessante é que o roteiro planta esse momento final de vida no começo da trama, amarrando o fato até o fim da história. Pode não ser a descoberta da pólvora em termos de criatividade, mas funcionou. Ainda sobre o elenco, Luke Evans está bem no papel de inspetor que investiga os casos, Alice Eve foge um pouco do estereótipo loira gostosona de outros filmes seus e Cusack, que é bom ator e já deu provas disso em outras obras, pode soar um tanto quanto exagerado. Mas de certa forma essa linha de atuação soa coerente com o desenho do personagem, apresentado como beberrão, sem dinheiro no bolso, vaidoso ao extremo e meio sumido do mundo da escrita. Seu retorno, inclusive, foi motivado pelo desejo de se enrabichar com a tal amada (agora vítima), filha de um poderoso (o bom Brendan Gleeson) que desaprova a relação dos dois.

Como se vê, está tudo junto e misturado. Além de um amor proibido, não faltarão elementos comuns para mover o enredo para frente, como nuances de vingança, um baile de máscaras, um crime que irá acontecer a meia noite, charadas à decifrar e, claro, uma boa trilha sonora para deixar tudo devidamente ambientado. Entre as curiosidades, a invasão de uma encenação da peça "McBeth", de Shakespeare, e a citação de outros poetas em "conflito criativo" com Poe (Henry Longfellow, Rufus Griswold, entre outros), além de lembrar do inesquecível conto "O Assassinato na Rua Morgue". Um pecadilho do roteiro foi não explorar mais a necessidade de alguém, passando por um hiato criativo, ter que escrever mais para garantir a sobrevivência de sua amada. Dirigido por James McTeigue (V de Vingança), O Corvo tem bom ritmo, boas sequências de ação, clima de suspense e faz um leve flerte com a "modernice", fazendo alguns supercloses em câmera lenta, mas felizmente se mantém no estilo mais clássico. O destaque vai para a oportuna observação sobre a ganância dos editores de jornal para vender mais, atendendo o desejo do povo por ler histórias com bastante sangue. Ou seja, nada mudou.

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