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    Celeste e Jesse para Sempre
    Críticas AdoroCinema
    3,5
    Bom
    Celeste e Jesse para Sempre

    O fim e o início

    por Lucas Salgado

    Celeste e Jesse para Sempre tem uma relação bem interessante com outro filme lançado no Brasil há pouco tempo: Ruby Sparks - A Namorada Perfeita. Os dois longas são estrelados pela mesma pessoa responsável pelo roteiro (Rashida Jones aqui, Zoe Kazan lá) e mesclam bem os gêneros comédia e drama para contar uma inusitada história de amor. As duas produções também são semelhantes em termos de qualidade. Não são brilhantes e talvez sejam esquecidas em alguns anos, mas cumprem bem a função de contar uma trama romântica e ao mesmo tempo dura. Ambas seguem a fórmula de comédias independentes como (500) Dias com Ela, embora este seja bem mais marcante.

    Conhecida pelas séries The Office e Parks and Recreation, e pela participação em A Rede Social, Rashida Jones se sai bem em sua primeira experiência como roteirista. Ela escreveu o longa ao lado do amigo e ex-namorado Will McCormack. A dupla não coloca o próprio relacionamento como fonte para a trama, mas admite que usaram vivências pessoais no desenvolvimento.

    Celeste (Jones) e Jesse (Andy Samberg) se conheceram no colégio, namoraram por muito tempo e decidiram se casar. Agora, na casa dos 30 anos, os dois decidem se separar, mas fazem de tudo para continuarem próximos, o que incomoda alguns amigos do casal. A mulher vive uma carreira de sucesso e presta consultoria a uma jovem estrela da música pop (Emma Roberts), enquanto que o sujeito está desempregado e parece ter dificuldade de "largar" o relacionamento passado.

    Só da história começar com uma relação já encerrada é um ponto muito positivo do longa, que aí vai de encontro à 99% nas comédias românticas produzidas em Hollywood. Outra qualidade é que Celeste and Jesse Forever não se propõe a grandes reviravoltas e evita a maioria dos clichês de término de namoro, embora vemos um deles se alimentando mal e abandonando a ideia de tomar banho por um tempo. Mesmo assim, tenta-se ao máximo evitar estereótipos.

    A química entre Jones e Samberg é muito boa, mas a narrativa é conduzida de forma tão interessante que, mesmo gostando e admirando os dois personagens, o público não vai, necessariamente, torcer para que acabem juntos.

    O elenco conta ainda com as atuações de Elijah Wood, Chris Messina, Eric Christian Olsen e Ari Graynor. A presença dos coadjuvantes, no entanto, pode ser considerada um dos defeitos do filme. Wood, Olsen e Graynor estão caricatos como o "amigo gay", o "amigo doidão" e a "amiga boca suja", respectivamente. Já a sobrinha de Julia Roberts caí de paraquedas na trama e em momento algum justifica sua presença, embora seja bonitinha e simpática. A exceção dentre os coadjuvantes é Messina, que curiosamente está também em Ruby Sparks. O ator vive um pretendente amoroso de Celeste e o faz de forma natural e compreensiva. É um dos personagens mais interessantes e divertidos da produção.

    Por mais que se perca em alguns momentos em que busca um humor parecido ao realizado por Samberg no Saturday Night Live, como a "esquete" em que Celeste e Jesse brincam com um pequeno tubo de creme fingindo que é um delicado pênis. O problema da piada não é o tom sexual ou forte, mas o simples fato de não ser engraçada. Dá a sensação de que os atores são as únicas pessoas que estão rindo.

    Celeste e Jesse para Sempre é dirigido por Lee Toland Krieger, cujos trabalhos anteriores (The Vicious Kind e December Ends) não entraram em cartaz no Brasil. O filme possui uma trilha sonora discreta, que só mostra sua cara em cenas que realmente temos músicas tocando, como em festas e casamentos. A opção de não usar a trilha para marcar as emoções vividas pelos personagens é excelente.

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