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O Exterminador do Futuro: Gênesis
Críticas AdoroCinema
3,0
Legal
O Exterminador do Futuro: Gênesis

Recauchutagem

por Francisco Russo
Na Hollywood dos dias atuais, ter uma franquia em mãos vale ouro! Não importa se a marca está desgastada ou até ultrapassada, a popularidade dos personagens pode ainda render lucrativos prelúdios, filmes derivados e reinícios. No caso de O Exterminador do Futuro, nenhum dos três casos foi aplicado. A fórmula foi a mesma utilizada pela própria Paramount em outra franquia clássica, Jornada nas Estrelas: retornar ao início a partir do conceito de mundos alternativos e, ao mesmo tempo, ser uma continuação do que já foi feito. Complicado? Nem tanto.

O Exterminador do Futuro: Gênesis - FotoEm Star Trek, o diretor J.J. Abrams teve a esperta sacada de colocar Spock (Leonard Nimoy) e o vilão Nero (Eric Bana) cruzando uma fenda temporal e, desta forma, retornar ao passado. Lá, Nero ataca a espaçonave onde está o pai de James Kirk (Chris Pine), matando-o. Este simples fato fez com que toda a cronologia de Jornada nas Estrelas fosse para o espaço, literalmente, abrindo terreno para que a saga dos jovens Kirk e Spock (Zachary Quinto) fosse recontada de outra forma. Em O Exterminador do Futuro: Gênesis, acontece o mesmo. O início do longa-metragem é idêntico ao do primeiro filme, até que surge um outro T-800, também interpretado por Arnold Schwarzenegger, que elimina a versão enviada do futuro no filme original. Simples assim.

Diante deste reinício/continuação, é interessante notar certos detalhes. Se no filme original Kyle Reese fala a Sarah Connor sobre como foi a batalha entre humanos e máquinas que o trouxe ao passado, agora esta mesma luta é mostrada em detalhes – méritos do grande orçamento disponível, é claro. Há também um cuidado em recriar nos mínimos detalhes as cenas em que Reese e T-800 chegam em 1984, para deixar explícita a correlação entre as duas histórias. Entretanto, mesmo quando as linhas narrativas se separam, fica claro o quanto este novo filme se aproveita de cenas e falas icônicas de O Exterminador do Futuro e O Exterminador do Futuro 2. Não é exagero dizer que Gênesis seja uma grande recauchutagem de ideias já vistas que, por mais que seja conduzida de forma habilidosa pelo roteiro, pouco traz de realmente novo à franquia.

O Exterminador do Futuro: Gênesis - FotoApesar disto, ainda assim este novo episódio diverte. Em parte pelas adaptações à cronologia clássica, coerentes dentro desta nova realidade e que apontam um rumo alternativo à saga, mas também por explorar bem elementos que já deram certo. Por exemplo: Schwarzenegger rouba a cena em vários momentos, sempre ressaltando o contraste de ser um robô e não ter o menor senso de humor ou feeling sobre sentimentos humanos – algo que é explorado desde O Julgamento Final. O vilão T-1000, por mais que seja bastante conhecido, ainda assim provoca boas cenas de luta. A própria realidade atual, onde todos estão conectados a todo instante, se aproxima do futuro pessimista previsto e é bem explorada dentro desta nova abordagem, bem como a questão do livre arbítrio. Se não há mais um futuro previsto que deva ser seguido, em decorrência da existência de uma realidade alternativa, Sarah tem agora uma liberdade que jamais teve antes. Este é outra questão bem explorada pelo roteiro.

Outro ponto positivo do filme é em relação ao elenco. Além da participação meio caricata do velho Schwarza, que inclusive brinca com a própria idade, Emilia Clarke cumpre bem a função de apresentar uma Sarah Connor corajosa, durona e, ao mesmo tempo, afetuosa com seu Papi. Mas a grande surpresa vem de Jai Courtney, que contém os exageros faciais típicos para compor um herói convincente. Quem decepciona é Jason Clarke, em vários momentos recorrendo a cacoetes típicos da reviravolta pela qual passa seu John Connor. Já J.K. Simmons e Matt Smith têm participações pequenas, tendo sido inseridos em Gênesis provavelmente para que sejam melhor desenvolvidos em possíveis continuações.

O Exterminador do Futuro: Gênesis - FotoPor mais que tenha como grande pecado a ausência de originalidade, Gênesis traz consigo qualidades que compensam, em parte, o fato de simplesmente se aproveitar do que já foi feito. Trata-se do reflexo do atual mainstream do cinema americano, um produto produzido a partir da ideia de que marcas estabelecidas valem mais do que propostas originais e que, como é feito para atingir o maior público possível, não pode sequer insinuar o semblante da bunda de quaisquer dos viajantes do tempo apresentados (outro contraste com o filme original, onde este lado pudico inexiste). Sinal dos tempos.

Longe de ter a mesma qualidade dos dois primeiros filmes (apesar dos defeitos especiais do original, ainda mais se comparado aos dias atuais), ainda assim consegue entreter e apontar caminhos para uma franquia que, até então, aparentava não ter muito para onde ir.
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