Jeftapajós
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1.5 - Ruim
Depois de um certo atraso, finalmente consegui assistir ao filme na Cinemateca de Curitiba. Realmente ele não é de fácil digestão. Afora a história/estória ocorrer nos confins da Amazônia, a temática é universal. Porém causa asco/ojeriza/irritação/desconforto as cenas de incesto entre pai/filho e as matanças de animais. Qual a finalidade do autor/diretor em dar tanta ênfase nessas cenas desconfortantes? Sei que é perigosa a psicanálise do autor - estou longe disso -, então deixo a explicação para Freud: "um artista é originalmente um homem que se afasta da realidade porque não pode concordar com a renúncia à satisfação instintual que ela, a princípio, exige, e que concede a seus desejos eróticos e ambiciosos completa liberdade na vida de fantasia". (Freud, Sigmund. "Formulações sobre os dois Princípios do Funcionamento Mental" (1911), Edição Standard brasileira das Obras Psicológicas Completas, Rio de Janeiro, Imago Editora Ltda., 1980, vol. XII, pág. 284).
Logicamente que a explicação freudiana é apenas uma entre tantas outras que se pode lançar mão na tentativa de desvelar formas significativas.
Voltando ao filme - e esquecendo as cenas que nos causam "inquietantes estranhezas" - o restante realmente nos sensibiliza. Os enquadramentos, às vezes nervosos, nos fazem adentar na psique das personagens e é como se estivéssemos em um jogo de espelhos exorcizando os nossos próprios demônios através das dilacerações e do modo de vida frívolo de seres que estão vivendo histórias/estórias inusitadas, porém universais. Nesse sentido, os confins da Amazônia seriam a metáfora da nossa própria alma.
Adicionado em 16 de out de 2010 às 22h24
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