Críticas AdoroCinema do filme Karatê Kid
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Críticas AdoroCinema Karatê Kid

5,0

De Francisco Russo


Existe uma regra implícita que diz que clássicos não devem ser tocados. É por isso que jamais se pensou em novas versões de Casablanca, Cidadão Kane ou Cantando na Chuva, por exemplo. Perto destes, chamar Karatê Kid de clássico é uma insanidade total. Por outro lado, é também um filme que tem seu lugar na memória afetiva daqueles que estão hoje em torno dos trinta anos. Personagens como Daniel San e senhor Miyagi ficaram marcados, bem como ícones lançados pelo filme, como o bonsai, a faixa usada pelo protagonista e o golpe da garça. Por mais que três continuações tenham sido feitas, Pat Morita sempre estava lá para dar alguma base em relação ao original. Agora não. Há muito de diferente neste novo Karatê Kid, mas há também várias semelhanças que fazem com que este seja merecedor da marca utilizada.

A mudança principal, e explícita, é que não há karatê no filme. É isso mesmo. A arte marcial aqui usada é o kung fu, graças à escolha por ter a China como locação principal. O motivo é óbvio: explorar a bilionária população chinesa, que pode não apenas comparecer aos cinemas como também consumir os produtos relacionados ao filme. Desta forma, o novo Karatê Kid é uma espécie de cartão postal chinês. Estão lá desde a clássica Muralha da China até construções recentes, feitas para a última Olimpíada, como o Cubo D'Água e o Ninho do Pássaro. Tudo para atrair possíveis turistas, afinal de contas o cinema é também um belo meio de propaganda.

A segunda importante mudança é que não há ligação alguma com os filmes já lançados. Ou seja, esqueça Miyagi, Daniel Larusso e demais personagens. Trata-se da mesma história, sendo recontada sob nova roupagem. Então o jovem Dre Parker (Jaden Smith, simpático e carismático) enfrenta problemas de adaptação logo ao chegar, encontrando encrenca com um valentão local por ter se interessado por uma garota. Desesperado, ele é salvo de uma surra pelo senhor Han (Jackie Chan, surpreendentemente contido), o zelador do prédio onde mora. Han é um exímio mestre de kung fu e, na tentativa de resolver o problema, faz um pacto com o mestre daqueles que perseguem Dre: o garoto não mais será molestado, mas participará de um campeonato do esporte.

Agora, caro leitor, puxe pela memória. A história acima é tão diferente assim do Karatê Kid original? Claro que não. Este fato, aliado ao ar um tanto quanto debochado e impaciente de Jaden Smith - típico da idade, diga-se de passagem - e boas cenas de luta, fazem com que o novo Karatê Kid seja um programa atraente. Sem os ícones do original nem trazendo novos elementos que ficarão marcados, mas ainda assim divertido. É o mesmo sendo feito de forma diferente mas competente, o que torna menos relevantes os motivos comerciais que forçaram tamanhas mudanças.

Entretanto, é preciso ressaltar a brutalidade apresentada nas lutas. Mesmo sem haver sangue, há uma violência desnecessária em cada combate. Tudo bem que a intenção é mostrar o quão mau é o vilão da história, mas ainda assim foi excessivo para uma aventura infanto juvenil. Destaque também para as citações à cultura pop, indo desde o clássico Guerra nas Estrelas à recente "Poker Face", de Lady Gaga. É mais um meio de Hollywood enviar seu recado à China, pregando a mescla de culturas. Pois não se esqueça, nenhuma das mudanças realizadas foi feita sem que se pensasse muito bem nos demais interesses envolvidos. Se Karatê Kid é uma propaganda para a China, Hollywood cobra a conta pedindo maior abertura aos seus produtos. Afinal de contas, cinema também é negócio. Especialmente nos Estados Unidos.

2,0

De Roberto Cunha

Alguns filmes surpreendem quando a gente menos espera. Quando falaram que iriam refilmar o clássico Karatê Kid - A Hora da Verdade muitos condenaram, questionando a real necessidade. E deve ter sido a primeira coisa que muito leitor pensou quando viu o nome do novo filme em questão. Algo assim: "lá vem mais uma cópia".

Mas o grande barato deste novo Karatê Kid está, acredite, em suas incoerências com o próprio título. Afinal, a história se passa na China e a arte marcial praticada por todos é o concorrente Kung Fu. Houve um momento, inclusive, que chegaram a pensar em trocar o título para Kung Fu Kid, mas mudaram de ideia alegando que o objetivo era prestar uma homenagem ao original.

Numa boa? Esqueça esse blábláblá e aposte numa jogada de marketing para pegar carona no sucesso do passado e mirar no futuro. Ah! Releve também o fato de que quase todos, na China, falam em inglês com o protagonista. Isso é Hollywood.

Dito isto, o legal é que o roteiro simples sobre um menino afro-americano, que sofre preconceito na escola e encontra num viúvo solitário a sua salvação, resgata a aquela antiga emoção (de torcer) e convence. O moleque é interpretado por Jaden Smith, filho do astro Will Smith (um dos produtores do filme) e o Sr. Han é o carismático Jackie Chan, que está ótimo no papel de senhorzinho bom de porrada. Um barato.

Para o pessoal que curte observar as citações, Karate Kid não é exceção nos muitos metros de película. Algumas podem não ser notadas como o carro Scirocco II dos anos 80 (época do filme original), na sala de do Sr Han, e outras são impossíveis de não perceber como falar de Brasil e das lutas Capoeira e Jiu Jitsu. Sem contar, claro, Bruce Lee, Jedi e Yoda de Guerra nas Estrelas.

O texto é construtivo e bom para a garotada entender com frases simples: "As maiores lutas são as que evitamos" ou "Amigo é aquele que faz sua vida melhor". Portanto, não banque os vilões da história e deixe o preconceito de lado porque não seria exagero dizer que conseguiram fazer um novo filme carregado daquele velho sabor do original.

As coreografias das lutas e treinamentos, como era de se esperar, tem a marca registrada e criativa de Chan e vão encher os olhos dos que apreciam a plástica dos movimentos. Assim, com algum humor sapecado nos diálogos e situações, imagens belíssimas e uma trilha sonora que vai de AC/DC ("Back in Black") à Lady Gaga, a sensação que se tem ao final é a de que o longa, embora longo, não foi um golpe baixo e uma velha história quando bem retratada, ainda rende altas emoções.

E como diria o Sr. Han: "Quem pensa com os olhos não vê as coisas".

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