Frescor do passado
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De Francisco Russo
Clint Eastwood, Charles Bronson, Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone, Bruce Willis... O cinema de ação quase sempre foi dominado por homens. Seja pela brutalidade do gênero, pouco afeito ao toque feminino, ou pelas próprias características da sociedade de momento. Afinal de contas, durante muito tempo se impôs que o papel da mulher fosse o de cuidar da casa e dos filhos. Sua emancipação não apenas provocou reflexos no convívio com o sexo oposto, mas também em Hollywood. Primeiro no sentido de refletir nas telas a mulher moderna, depois na ocupação de espaços até então restritos ao universo masculino. O cinema de ação durante um bom tempo escapou desta "invasão", mas enfim as mulheres chegaram lá com Angelina Jolie. A pergunta que fica é: o que esta mudança trouxe de novo?
Bem pouco. Evelyn Salt é uma mulher por mera obra do acaso. O papel foi criado para Tom Cruise, que o recusou por considerá-lo parecido demais com seu Ethan Hunt da série Missão Impossível. Pensou-se então em Jolie, mexeram um pouco no roteiro e voilá, eis um filme de ação estrelado por uma mulher. Só que isto não faz de Salt um filme feminino, já que sua protagonista tem atitudes e peripécias dignas de um homem. Ou seja, você vê na tela uma figura feminina mas, na essência, ela é masculina. Ao menos em relação ao roteiro.
Dito isto, esqueça qualquer possibilidade de sedução ou uso das artimanhas femininas. Salt é mulher macho, daquelas que encaram de frente uma sessão de tortura. Assim como o célebre McGyver, tem capacidade de criar explosivos em um piscar de olhos. Mas é com outro herói dos filmes de ação que ela mais se assemelha: Jason Bourne. Pelas lutas corpo a corpo, pela câmera muitas vezes tremida - típica de Paul Greengrass, diretor dos dois últimos filmes da trilogia -, pela natureza da personagem como pária da sociedade. Mas esta é uma característica que se torna mais forte no decorrer da história.
Afinal de contas, Evelyn Salt foi denunciada. Ela, agente patriota da CIA, pode ser uma espiã russa infiltrada. A dúvida passa por cima de seu extenso currículo, o que faz com que logo seja perseguida. A dualidade da personagem, sem que o espectador saiba se ela fala ou não a verdade, seria um caminho bem interessante a seguir, mas logo é deixado de lado. O diretor Philip Noyce prefere a tensão ao mistério. E assim é Salt, que cumpre bem a função de ser um filme de perseguição. Apesar dos vários erros que surgem no decorrer de sua história.
O maior problema de Salt é sua extensa relação de incoerências. Tudo bem que os filmes de ação requerem uma boa dose de condescendência, no sentido de aceitar que o impossível seja viável. Só que aqui nem o mais básico da lógica é respeitado, como agentes experientes da CIA disparando para atingir Salt em cima de um caminhão de gasolina (?!?) Ou ela, a mesma que se casou por causa do trabalho e disposta a descartá-lo de imediato caso assim fosse necessário, colocando sua vida em risco para salvar um cachorro. Tudo bem, trata-se de um truque barato para ganhar a simpatia do público, mas é inverossímil demais para a situação. E assim é durante todo o filme.
Ou seja, Salt é um filme repleto de problemas mas, ao mesmo tempo, cativa pelo clima de tensão gerado pela perseguição a sua protagonista. E por outro motivo, envolvendo o plano para destruir os Estados Unidos. Com objetivo bem elaborado, antenado com a situação do país no pós 11 de setembro, provoca uma certa reflexão sobre o panorama político mundial. No fim das contas, até diverte. Mas sem exigir muito, do filme e do seu cérebro.
De Roberto Cunha
O espectador que é fã de carteirinha e curtiu demais a perfomance de Angelina Jolie como heroína em filmes como Tomb Raider ou O Procurado, pode se preparar porque a diversão está garantida com esta novidade que chega nos cinemas.
Salt, de certa forma, repete a fórmula de colocar a franzina estrela como alguém capaz de superar todo mundo na troca de sopapos e ainda se segurar em lugares com mãos que fariam qualquer gato ou alpinista roerem as unhas de inveja.
Na história, ela é uma agente da CIA que foi acusada de ser uma espiã preparada para matar o presidente russo em visita a Nova York. Com a vida do personagem virada do avesso, lá vai ela planejando tudo rapidamente e, claro, dando certo. Desde roupas roubadas em cima da hora que servem direitinho ou pintura de cabelo que seca na hora.
Com um ténue aroma de história de amor ao fundo, ficou bacana vê-la toda de preto como uma legítima viúva negra, liquidando os inimigos. Assim, o que se vê na tela é uma sucessão de fugas e perseguições absurdas num roteiro (até) criativo, cheio de reviravoltas, que salpica um fantasma da Guerra Fria ao mexer com as duas potências novamente e ainda adiciona conteúdo islâmico.
A direção de Phillip Noyce, de clássicos de espionagem como Jogos Patrióticos e Perigo Real e Imediato, é competente e o elenco coadjuvante fez o dever de casa direitinho.
Portanto, se estes ingredientes fazem parte do seu cardápio principal ao entrar na sala escura, Salt tempera tudo com uma trilha sonora típica, uma edição ágil e ainda pitadas de “to be continued”. É um prato cheio para quem gosta de exageros.
De Joss Whedon
Com Robert Downey Jr., Chris Evans
Ação
De Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg
Com Jason Biggs, Alyson Hannigan
Comédia
De David Foenkinos, Stéphane Foenkinos
Com Audrey Tautou, François Damiens
Romance
De Rupert Sanders
Com Kristen Stewart, Chris Hemsworth
Filme - Fantasia
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