Frescor do passado
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De Francisco Russo
Cidades, assim como pessoas, têm uma cara. Definida a partir de suas origens, construções, história e, especialmente, seus habitantes. O projeto Cities of Love tem por objetivo expor esta cara no cinema, através de pequenas histórias situadas no local abordado. Atingir a essência de cada cidade, o que faz com que ela seja conhecida e represente sua existência, é o grande desafio. Assim foi com a cidade luz em Paris, Te Amo, assim é com a "capital do mundo" em Nova York, Eu Te Amo.
Comparando os dois filmes, há mudanças significativas. Nova York, Eu Te Amo é mais coeso, com as histórias interagindo entre si e formando um conjunto mais redondo. Não há as pausas de Paris, Te Amo a cada término de história, o que dava bem a ideia de filme de episódios. Este também é, mas as aparições de personagens já vistos faz com que haja a sensação de um grande painel, com dezenas de personagens flutuando ao longo de sua duração. Ora eles aparecem, ora desaparecem. Como longametragem de ficção, funciona melhor.
As histórias enfocam principalmente a maior característica de Nova YorK: a diversidade. Como no episódio dirigido por Natalie Portman, com a cultura judia em foco, ou no estrelado por Julie Christie, com funcionários descendentes de imigrantes. Nova York possui de tudo um pouco, ou de todos um pouco, sendo possível encontrar inúmeras comunidades em suas ruas. Locais célebres, como o Central Park e Manhattan, obviamente não poderiam ficar de fora.
Com tais características em cena, o filme conta com boas histórias idealizadas por seus diretores. Algumas de grande sutileza, como a que acompanha o passeio de um casal de velhinhos pela cidade, outras até mesmo sarcásticas, como a cantada dada por Ethan Hawke e o troco por ele recebido. Destaque também para os episódios dirigidos por Brett Ratner, envolvendo um jovem e seu baile de formatura, e por Shunji Iwai, com Orlando Bloom e Christina Ricci. Ambos inteligentes e divertidos.
Nova York, Eu Te Amo é um belo passeio sobre o que é ser novaiorquino, com histórias leves que apresentam bem o espírito da cidade. Aos que desejarem saber quem dirige cada história, é necessário aguardar os créditos finais. Ao longo de sua duração esta informação é omitida, no intuito de gerar um melhor ritmo para o filme como um todo. Uma boa pedida, que mantém o nível do projeto Cities of Love e aguça ainda mais a curiosidade do que está por vir no já anunciado "Rio, Eu Te Amo".
De Roberto Cunha
Os filmes da franquia "Eu Te Amo" são conhecidos por uma parcela do público e, entre suas características principais, a participação de nomes conhecidos na direção, elenco e produção é um realidade. Nova York, Eu Te Amo não foge a regra. Ao reunir o trabalho de 10 diretores, entre eles a estreante Natalie Portman, e contar com vários rostos conhecidos estampados na telona, o filme formado por várias histórias é um grande caleidoscópio poético e cáustico de uma metrópole que bem simboliza o capitalismo selvagem.
Após cenas rápidas da Big Apple na abertura, você embarca no primeiro conto que é quase uma síntese e marca registrada, envolvendo a pressa, um táxi e um motorista indiano. E uma vez escancarada as portas da cidade, o que se vê em seguida são pequenas e significativas esquetes, pontuando aspectos típicos de um lugar que não para, uma selva de concreto onde a mistura étnica é uma realidade, tempera as relações humanas, e falar cantonês, por exemplo, pode não ser mais exclusividade de um pequeno grupo de imigrantes.
Através de personagens curiosos, o sexo parece ser o catalisador e surge no discurso verborrágico de um hilário viciado em sexo, azarando uma mulher na rua, no dilema de uma dupla que praticou sexo casual e não sabe como reagir no dia seguinte, em um jovem virgem e até num casal de idosos, que representam bem a essência do relacionamento a dois após 63 anos de casados.
Nova York, Eu Te Amo passa rápido e pode encantar os olhos e mentes mais atentos, abertos para a interpretação. Entre os destaques, é curioso perceber que o hábito de fumar, outrora glamourizado no próprio cinema e combatido fervorosamente nos dias atuais, encontrou amplo espaço neste longa e “protagoniza”, pelo menos, dois bons momentos: um regado a humor e sexo, e outro, num diálogo de esquina deliciosamente sensual e reconciliador.
E como não poderia ser diferente, numa cidade repleta de luzes, sinais, táxis, símbolos, limousines e gente, a depressão também marca presença, mas é tratada de maneira lúdica na viagem de uma suicida em potencial. Nova York, Eu Te Amo é assim. Uma colcha de retalhos, mas de cetim, com todo o brilho, o glamour e o preço de se viver na cidade eternizada nas vozes de Frank Sinatra e Liza Minelli. E você pode até não morrer de amores por ela, mas tem todo o direito de se encantar pelo filme. O convite está feito. Basta entrar.
De Joss Whedon
Com Robert Downey Jr., Chris Evans
Ação
De Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg
Com Jason Biggs, Alyson Hannigan
Comédia
De David Foenkinos, Stéphane Foenkinos
Com Audrey Tautou, François Damiens
Romance
De Rupert Sanders
Com Kristen Stewart, Chris Hemsworth
Filme - Fantasia
Trailer
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