Frescor do passado
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De Roberto Cunha
Decididamente o cinema brasileiro não é mais o mesmo. Apesar dos pesares, as produções recentes revelam uma nova perspectiva para os amantes da sétima arte. Mas engana-se aquele que pensa que Olga é uma obra-prima do cinema nacional. Mais para telinha do que para telona, essa produção milionária (fala-se em R$ 12 milhões) tem um ranço de televisão que incomoda os mais sensíveis. Closes em excesso, exploração demasiada dos olhos azuis da protagonista (mais um pouco era a novela "Terra Nostra") e diálogos muito pobres marcarão a produção para sempre.
É fato que a contribuição para o grande público pode até ser interessante, mas o aspecto histórico - de verdade - passa ao largo dos longos minutos de exibição e o que se vê é uma sofrida história de amor. Ok! O objetivo alarmado pela produção era esse mesmo. Que pena. Poderia ter sido muito mais do que isso. A contribuição para o brasileiro seria maior se os fatos fossem revelados com mais clareza e sem tantos floreios. Aí sim teríamos um "serviço" de verdade: cultura para o povo.
O longa é até coerente com alguns dos personagens, mas do jeito que ficou, assistimos um filme de bandido e mocinho nos moldes de tantos outros já exibidos nas sessões da tarde da vida. A sensação que se tem é que, agora, todas as produções nacionais irão bem de público porque basta estar com a chancela da Globo e com seus atores. Mas a verdade é que a campanha maciça na TV e também em outros meios são ações poucas vezes vistas em nossa história cinematográfica. Basta um longa estar entrando em cartaz e até diálogo em novela é inserido disfarcaçado de merchandising social. Qual nada! É propaganda da braba.
O único problema com este formato de fazer filmes é o risco do famigerado "padrão" tomar conta também da tela grande, o que será uma grande perda para o cinema nacional, que ficará sem indentidade própria. Basta ver as produções de Renato Aragão, Xuxa e companhia. Sucesso absoluto sem ter um mínimo de mensagem relevante. Mas Olga não está totalmente inserido neste contexto. A produção tem conteúdo e alguns pontos positivos. A fotografia é bacana, os efeitos caíram bem (salvo os fogos no navio, que ficaram falsos demais) e o som estava bom. O troca-troca de idiomas nos diálogos acabaram confundindo mais do que qualquer outra coisa. Seria melhor ter optado por apenas um.
Outro ponto que chama a atenção são os créditos / legendas para situar o espectador. As letras são tão pequenas que quando estiver sendo exibido numa televisão pequena (14 polegadas) vai ficar difícil de ler. Por que essa timidez toda na hora de inserir informações escritas na tela? É a televisão fazendo escola no cinema, e de maneira errada, porque a emissora do Jardim Botânico continua achando que ninguém sabe ler. Felizmente, esse cenário já mudou. E para melhor.
Que venham mais Cidade de Deus e a tal exploração da miséria. Aquilo sim foi cinema de verdade, e do Brasil.
De Joss Whedon
Com Robert Downey Jr., Chris Evans
Ação
De Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg
Com Jason Biggs, Alyson Hannigan
Comédia
De David Foenkinos, Stéphane Foenkinos
Com Audrey Tautou, François Damiens
Romance
De Rupert Sanders
Com Kristen Stewart, Chris Hemsworth
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